nov 27, 2009 - Poemas   

A vida é um poema

A vida é um poema
Por Leda Saraiva Soares
Publicado em Poesia na Praça. XX Antologia Poética Patrulhense. Porto Alegre: Est, 2009, p.186.

A vida é um poema
De ilusão, de sofrer,
De amor ou desamor…
Alguns são registrados
Em livros simples.

Outros, com grande esplendor…
Não importa a edição.
Muitos, talvez, os mais belos
São apenas vividos,
Lidos nos gestos de amor,
De ternura, de respeito,
De bondade…
É bom ler vidas…
É bom ler poemas…

nov 23, 2009 - Poemas   

Alma em transe

Alma em transe

Por Mário Feijó
 
Minh’alma está chocada
 – em transe –
Diante das coisas
Que acontecem no mundo…
 
Ela tem a pureza dos anjos
Não entende a malícia dos homens
Não aceita tantos vícios, drogas
Não compreende tantos crimes…
 
Disse-me ela outra hora
Que qualquer dia me abandona, vai embora
Reciclar-se no paraíso
Este planeta está difícil de entender…
 
O que faço com esta jovem rebelde
Alma em transe – em trânsito neste mundo
Tornei-me seu refém – anjo rebelde –
Pobre anjo vagabundo… Pobre de mim…
 

nov 16, 2009 - Poemas   

Eu queria tanto…

Por Rosalva Rocha
Sto. Antônio da Patrulha, 29.01.2009
 
Eu queria tanto que você parasse
Que me abraçasse
Que me olhasse
E me entendesse
 
Eu queria tanto te ver
Aberto
Liberto
Das amarras com que te criaste
 
Eu queria tanto te ver por inteiro
Teu cheiro
Teu medo
Teu sossego
 
Para poder dizer
Que eu só quero te ver
Olhando prá frente
Pensando alto
Sem sobressalto
 
Teu medo me paralisa
Tuas ofensas me acabam
Tua passividade com a vida me agride
Tua ausência de horizontes
Me deixa triste
 
Triste por não conseguir
Amar contigo
Chegar em ti
Chorar por ti
 
Posicione-se
Vá em frente
Arrisque-se
Saibas que eu estou voando
Quem sabe flanando
Sonhando muitas coisas
Num mundo diferente
Prá frente
E de repente podes estar me perdendo

 

nov 15, 2009 - Poemas   

Natal e Ano Novo

Por Evanise G. Bossle

Natal

Escrevi um poema
sobre o fim do ano…
São mensagens de Natal,
votos para um ano bom.
São palavras ao vento
sem destino final.
São desejos de sucesso.
São soluços  reprimidos.
São destinos transformados.
É a festa do Ano.
É a festa do Menino Sagrado.

Ano Novo

Quem pensou que demorava
esse ano que passava ?
De repente ele passou.
Novamente estou pensando
no presente e nos presentes,
no futuro que chegou.

 

nov 15, 2009 - Contos   

Meu pé de goiaba branca

Por Evanise G. Bossle
Tramandaí

Hoje fui regar as violetas e pela janela vi a minha goiabeira. É março , os frutos estão ainda verdes, pequenos, ingênuos e tristes. Daqui a algumas semanas, estarão tão maduros e cairão e serão comida para os pássaros. Lembro que meu pai vinha aqui em casa me visitar e apanhava as goiabas com uma vara, enchia sacolas do mercado Nacional com muitas goiabas e distribuía pela vizinhança. Eu gosto de goiaba, mas como duas ou três e só.

Ah, minha goiabeira triste… meu pai não regressará, está morando no céu com Jesus. E agora olho os frutos verdes ainda e remeto-me aquele tempo feliz que não voltará, somente em minhas lembranças, que são ainda muito nítidas. Sinto o cheiro da goiaba madura, mas elas ainda estão verdes, ouço a risada alegre dos dias em que ele esteve aqui.É uma lembrança boa, mas não consigo lembrar, sem que as lágrimas rolem livres e reguem as violetas da janela.

No verão passado, quando meu luto era ainda recente, minha vizinha disse que as goiabas que caiam para o lado de lá do muro entre as casas, eram colhidas por ela. Até me presenteou com uma geléia de goiaba. Naqueles dias, houve um vento forte, muitas goiabas caíram. Eu as colhi e dei uma sacola cheia delas para minha vizinha fazer mais geléia.

Mas hoje o dia ficou triste, e nesse mês de março, quem colherá as goiabas para distribuí-las aos vizinhos? Meu pai já não está aqui? E quem vai fazer geléia? Minha vizinha foi também há alguns dias atrás, morar no céu com Jesus. O céu hoje é mais feliz , por lá deve ressoar uma risada alegre do meu pai e também deve ter geléia para o café da manhã dos anjos.

E nós aqui na terra, minha goiabeira e eu, continuamos vivendo e esse ano teremos mais goiabas maduras, para a diversão dos passarinhos,esparramadas pelo chão.