mar 16, 2010 - Contos   

Grupo do joelho, ou quando o SUS é melhor

Grupo do joelho, ou quando o SUS é melhor

Por Artur Pereira dos Santos

Quem não conhece as dificuldades na área da saúde em nosso país? Hospitais fechados por insolvência: deles ou de seus administradores. Falta de leitos e emergências entupidas fazem o noticiário de todos os órgãos de imprensa. A culpa é sempre do SUS (Sistema Único de Saúde).

Na verdade, não há quem discorde disso: o próprio sistema, através de seus representantes, admite as dificuldades e promete resolver, embora saibamos que são apenas falácias pré-eleitorais ou para tentar justificar casos mais graves, em que a opinião pública se movimenta.

Parte da sociedade, mais abonada, apela para o plano de saúde, mesmo lamentando ter contribuído durante a vida e alimentado a vã esperança de que o final dela seria tranqüilo e quando precisasse de um médico ou uma internação hospitalar estivessem à disposição.

Geralmente pagando caro, depara-se, às vezes, com casos em que o plano de saúde se constitui em obstáculo ao atendimento imediato, podendo gerar riscos ao beneficiário.

Assim foi o caso do paciente que possuía plano de saúde e teve negado o transporte para a capital, devido à ambulância do hospital de sua cidade somente servir a pacientes do SUS, sendo necessária a chamada de um meio de transporte próprio da mantenedora do plano, o que poderia ter causado sério prejuízo ao usuário, devido a maior demora no atendimento especializado.

Há casos também que beiram a hilaridade como o que aconteceu com outro paciente que tendo machucado o joelho, com suspeita de rompimento de menisco, dirigiu-se ao atendimento de uma emergência e teve o diagnóstico do traumatologista de que realmente poderia ter rompido, ou quase, o menisco interno do joelho esquerdo, devendo voltar dentro de um mês para novo exame, pois, após esse tempo, poderia estar se sentindo melhor, se não tivesse ocorrido o rompimento total e ele seguisse à risca as recomendações de repouso, manutenção do joelho enfaixado em determinados momentos e aplicação de gelo em outros.

Passado um mês, sentindo-se bem melhor, dirigiu-se ao mesmo local, na certeza de que receberia instruções para aguardar mais algum tempo, com o mesmo tratamento, até a total recuperação.

O médico já não era o mesmo e o paciente, apesar de ter explicado as recomendações de seu colega, precisou sujeitar-se a um novo exame, desta vez com maior esforço da parte machucada, o que lhe deixou o joelho mais dolorido. Por fim,o médico recomendou-lhe que voltasse no dia seguinte para submeter-se ao exame do “grupo do joelho”.

Desconfiado, mas acreditando que no dia seguinte seria examinado rigorosamente por mais pessoas e talvez fosse encaminhado para uma ressonância, conforme o médico deixou transparecer, com vistas a determinar se devia ou não fazer uma cirurgia, lá se apresentou, afinal, estava por conta do plano de saúde, o negócio era aproveitar para curar-se.

Espantou-se quando verificou que o propalado grupo consistia de apenas um médico diferente, que lhe examinou o joelho com mais rigor ainda, torcendo-o para todos os lados e arrancando-lhe alguns gemidos de dor.

Terminado o exame do “grupo” foi dispensado com a recomendação de que procurasse um clínico para emitir uma requisição junto à mantenedora do plano de saúde para, enfim, fazer uma ressonância.

Ainda hoje está pensando se segue a recomendação ou recomeça o tratamento, desta vez procurando alguém que atenda pelo SUS, que certamente lhe dispensará uma olhadinha básica ao joelho machucado e recomendará repouso, uso de faixa e compressas de gelo. Até estar caminhando normalmente.

mar 16, 2010 - Últimas Notícias   

Osório perde historiador Guido Muri

Na manhã desse domingo (14.3.2010), às 8 horas, faleceu em sua residência, em Osório, o historiador Guido Muri, 93 anos.

Muri escreveu livros sobre a história de Osório, Tramandaí e Torres. Seu enfoque maior sempre foi sobre Osório, ou Conceição do Arroio, como ele gostava de chamar, nome antigo da cidade. Era defensor da valorização da cultura nacional, o que sempre gostava de frisar em suas conversas e palestras.

Era formado em Direito pela Universidade Federal do Paraná e morou por longo tempo em Santa Catarina. Casado com Zélia, em seguida mudou-se para Torres e depois para Osório, sua terra natal. Deixa dois filhos, o funcionário público Guido e o jornalista Gastão.

mar 15, 2010 - Últimas Notícias   

Calendário Poético 2010

Calendário Poético 2010

A escritora Evanise Gonçalves Bossle, da AELN, teve 12 de seus poema ilustrados pela Profª e artista plástica Margaret Batista Becker e publicados em Calendário poético 2010 pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Tramandaí –SMEC. Os calendários, os quais trazem poemas e ilustrações que tematizam sobre sentimentos, a passagem do tempo, questões sociais, entres outros temas, foram distribuídos nas escolas para professores da rede pública municipal.

mar 9, 2010 - Últimas Notícias   

Livraria diferenciada em São Francisco de Paula

Livraria diferenciada em São Francisco de Paula, RS

Por Leda Saraiva Soares

A Livraria Miragem de São Francisco de Paula tornou-se um ponto turístico e referência no segmento. Visitei pela segunda vez a Livraria Miragem, de São Francisco de Paula – RS. É uma livraria diferente e que está se tornando referência na região. Resgata a história do Município através de fotografias e objetos. Apresenta um ambiente e atendimento especiais. Espaçosa. Além do mais ainda há um espaço com uma sala de Chá.

Nessa livraria comprei um livro que já havia lido, rapidamente, porque era emprestado. Agora poderei sorver cada página! É um assunto que me interessa. Autor do livro: Paulo Markun. Título: “A incrível trajetória de Dom Álvar Núñez Cabeza de Vaca – pelas Américas e revelações inéditas sobre seu julgamento”. Cabeza de Vaca é contemporâneo a Cristóvão Colombo, Fernão de Magalhães, Hernán Cortés e Francisco Pizzarro. A história é mesmo surpreendente: Cabeza de Vaca sobreviveu a três naufrágios, curou centenas de índios, atravessou – nu e descalço – parte dos atuais Estados Unidos e México, voltou à Espanha e obteve um cargo como recompensa por suas desditas.

Depois de nova viagem, tomou posse de Santa Catarina na condição de seu primeiro governador. Mas não sossegou: atravessou a pé o território brasileiro, chegando a Assunção, Paraguai. Dali partiu novamente em busca de uma serra misteriosa, feita de prata, até ser imobilizado pela malária num pequeno forte no meio do nada. Tudo isso tem início em 1545… É um livro interessante porque nos dá uma visão do que era o Brasil, logo após seu descobrimento. E as peripécias pelas quais passa “Cabeza de Vaca” quando chega ao Brasil… Só lendo para acreditar.  Vou fazer uma leitura mais atenta e depois volto a falar deste livro.

Antes ou depois de circular pela livraria, olhar os últimos lançamentos para comprar ou incluir em nosso orçamento mensal a aquisição de uma obra, ou comprar um exemplar para dar de presente a um amigo aniversariante, pode-se desfrutar da agradável sala de chá para fruir de um momento de tranquilidade, conversar e saborear iguarias.

O ambiente é muito agradável! É tudo tão bem disposto, organizado e decorado com o antigo e o moderno que nos coloca numa atitude de quietude e de respeito. É um misto de museu, de arte, de biblioteca, de livraria… É qualquer coisa de sagrado. Parece que os autores estão nas estantes e quando se examina um livro acontece uma interação, quase mágica, entre leitor e autor. Sentimo-nos em estado de pecado, se sairmos dali sem um livro… São iniciativas privadas de qualidade, conhecimento e bom gosto que fazem a diferença em qualquer cidade.

mar 2, 2010 - Contos   

Oh Lua Cheia!

Oh Lua Cheia!

Por Rosalva Rocha – 26.2.2010

26 de fevereiro de 2010. Saio de Porto Alegre à tardinha rumo ao último final de semana de veraneio em Tramandaí, a tão conhecida “capital das praias”, a praia que me abriga desde a infância, onde eu encontro amigos pelas esquinas, caminho nas manhãs pelo calçadão sentindo a brisa do mar e me delicio com momentos muito propícios para divagar e escrever à noite.

A auto-estrada está como eu gosto, com trânsito intenso, mas sem engarrafamentos. Os inúmeros carros cruzam as pistas pelo caminho e acabam me proporcionando uma deliciosa sensação de companhia. Não estou sozinha! Começo a pensar: “O que será que essas pessoas dentro de seus carros, uns luxuosos, outros muito simples, ouvem nos seus rádios/CDs? Sobre o que elas conversam?” Algumas, no momento de alguma ultrapassagem, olham pra mim e esboçam um leve sorriso. Cumplicidade?

Certa melancolia paira no ar. Afinal, os finais de semana deste verão foram bons, cheios de sol e boas energias, muito chimarrão e a companhia de amigos e vizinhos com espíritos dóceis e sempre com dicas úteis para a minha vida. Um verão onde a cumplicidade e empatia dessas pessoas me fizeram muito bem. Eu estava realmente precisando delas neste veraneio, totalmente diferente dos outros, e com elas aprendi coisas simples que já deveria ter aprendido há muito tempo, a exemplo de aprender a rezar um terço da forma correta, de transformar uma simples canga em vários modelos diferentes, de pintar alguns móveis antigos com criatividade e alegria, de fazer um drink muito simples e gostoso, ornamentado com hortelã e, especialmente, de gostar mais e mais de mim e tomar conhecimento de que, apesar dos meus inúmeros defeitos, sou “dona do meu nariz” e ponto final!

Aliado a esses fatos, outros também precisam ser registrados: alguns encontros casuais com pessoas queridas que eu não via há muitos anos, açaí na tigela no Glut´s, um crepe de chocolate de vez em quando, algumas refeições carinhosamente preparadas como surpresa para aguçar ainda mais o meu paladar após a chegada da praia, muita leitura e por aí afora. Eis que de repente a sombra de uma lua cheia surge à minha frente na imensidão do céu! Uma cena maravilhosa! Adoro a lua quando está cheia – ela sempre me proporciona coisas boas. Mesmo consciente da atenção necessária ao volante, começo a fitá-la seguidamente. E ela passa a ser minha cúmplice. Em pensamento, começo a conversar com ela, a contar os meus enganos, os desenganos, os planos e a certeza que tenho de que muitas coisas boas acontecerão neste ano. Bons presságios, sim! Muito bons presságios! Mais alguns minutos e, do lado esquerdo enxergo, ao longe, a minha cidade natal – Santo Antônio da Patrulha – a responsável em alguns aspectos pelo que sou hoje. Lá sempre fui muito feliz junto à minha família até os 18 anos e granjeei amigos que me acompanham até hoje e para lá retorno sempre que possível. Vontade de entrar no entroncamento … Mas o atraso já está evidente e preciso seguir. Um bip-bip-bip soa do meu celular. Apanho-o e leio a mensagem que provém da minha irmã mais velha: “Já estou quase saindo. Estou felizzzzz”. Aquele “felizzzz” me deixou mais feliz ainda. Nada como sentir que alguém que a gente ama está bem. Passo o primeiro pedágio e esqueço do dinheiro, tamanho o envolvimento com a mensagem e a minha lua companheira. A cobradora, com olhar simpático, me fita com um ar de questionamento e eu, finalmente, acabo entendendo que preciso pegar a bolsa. Pedágio pago! Cupom na mão! Arranco o carro e retorno a olhar a lua. Neste momento já não tenho mais qualquer dúvida: ela é minha cúmplice por inteiro. Certo excitamento começa a me contagiar e acabo apertando o acelerador do carro com mais força. 125Km/h. Ôpa! Calma! Não posso deixar que o encanto desses momentos me contagie a ponto de correr um perigo desnecessário. Segundo pedágio! Com o “fora” no primeiro, os R$ 7,00 reais já estão nas mãos. Sigo o caminho.

Começo a avistar a Lagoa dos Barros à direita, que sempre me encanta com a sua beleza e as suas lendas contadas por meus pais na minha infância. Em seguida avisto o parque eólico, também maravilhoso e, de repente, a noite começa a surgir e a minha companheira já está muito mais clara e brilhante. O contraste com o escuro do céu é encantador. Recomeço o diálogo com mais energia e peço a ela, em voz alta, equilíbrio suficiente para seguir a minha vida com dignidade e que os recomeços neste ano sejam gratificantes, com boas doses de sabedoria. Subitamente enxergo dentro dela “um homem plantando um pé de alface”, fato que me foi induzido por minha avó paterna quando eu era criança (acreditem: sempre que vejo uma lua cheia continuo enxergando dentro ela um homem plantando um pé de alface). Eu sei que são as suas nuances, mas o homem está lá trabalhando.

Estranho que a noite se prenuncia … Esqueço que o horário de verão findou na semana passada. O horário está certo. 18h30min. Tempo suficiente para chegar em casa, conversar um pouco com minha mãe e descansar. E a minha cúmplice continua a me acompanhar. Ela está “totalmente cheia”, do jeito que gosto. Apareceu para brindar o meu final de veraneio e, para não perder o costume, mais um pedido faço a ela, exatamente na passagem pela entrada da estrada do mar – neste momento quase não consigo mais enxergá-la: “que ela me ilumine e me proteja sempre e que eu não esmoreça em quaisquer situações negativas e, especialmente, não permita jamais que eu deixe de amá-la”. O trajeto foi maravilhoso, brindado, tranqüilo, seguro e “acompanhado” – tudo o que eu precisava neste dia. As surpresas desagradáveis deste veraneio simplesmente “viraram pó” – sabe-se lá se aconteceram …

Já estou em casa. E felizzzz!