Poemas
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Fragmentos Literários Por Evanise Bossle
É, parece até muito simples, mas não é, o dia a dia e a rotina, destroem até mesmo o melhor e mais poético dos romances. Aquele acordar, durante a semana, parece estranho, mas todos os dias são estranhamente iguais, a correria do trabalho, um engolir sem mastigar aquele almoço rápido, que mesmo sendo leve, pesa no estômago, irritadiço e contrariado. O difícil mesmo são os finais de tarde e os finais de semana, sem assunto, muitos afazeres, sem convicção e a estranha separação, um estranhamento mudo, aquela incógnita “quem é você agora, e quem sou eu agora”, não me reconheço e nem lhe conheço mais, a rotina nos mudou. E aqueles sonhos infantis, as promessas juvenis? Aqueles planos em conjunto que não existem mais se perderam no tempo, que é feito de segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses e anos, e anos, e anos. E assim … certa manhã olho pelo espelho,não mais meu reflexo, mas uma estrada longínqua feita de datas vazias que se foram e não mais voltarão. E em meio a divagações e desilusões típicas da meia idade, percebo que me perdi em uma dessas esquinas sem nome e sem lógica, e um vazio me invade mais e mais e mais. E percebo que o tempo passou e passou e passou …
Últimas Notícias O Clube dos Editores do Rio Grande do Sul promove, de 12 a 14 de junho, a quarta edição do Seminário O Negócio do Livro. O ciclo de palestras acontece no Goethe-Institut Porto Alegre (Rua 24 de outubro, 112), das 19h às 22h.
Com o objetivo de proporcionar a troca de experiências e conhecimento entre os editores e demais interessados no tema, as palestras abordarão temas interessantes ao mercado editorial, como políticas públicas para o Livro, Leitura e Literatura, livro digital, direito autoral, o futuro da comercialização de livros e o papel das mídias sociais.
O seminário é aberto ao público e as inscrições podem ser realizadas pelo e-mail: secretaria@clubedoseditores.com.br. O investimento é de R$60,00 para associados ao CE/RS e R$100,00 para não associados. Maiores informações pelo telefone (51) 3233.3804 ou pelo site www.clubedoseditores.com.br. O evento tem apoio da D21, do Goethe Institut e da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre.
Confira a programação completa:
12 de junho, terça-feira
19h – Políticas Públicas para o Livro, Leitura e Literatura
Maria Antonieta Antunes Cunha – Diretora do Livro, Leitura e Literatura da Biblioteca Nacional
Luiz Antonio de Assis Brasil – Secretário Estadual da Cultura/RS
Jeferson Assumção – Secretário Adjunto da Cultura/RS
13 de junho, quarta-feira
19h – Onde nós, editores, vamos vender nossos livros em 2015?
Jaime Mendes – Gerente Comercial da Cosac Naify
20h30 – O novo do velho Direito Autoral
Ângela Kretschmann – Pós-doutora pela Uni-Münster, Alemanha; Coordenadora do Curso de Direito do Cesuca, Advogada.
14 de junho, quinta-feira
19h – LivroClip, a Biblioteca Digital
Luiz Chinan – Jornalista, organizador da iniciativa de incentivo à leitura LivroClip, do Instituto Canal do Livro, projeto premiado pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.
20h30 – Literatura nas mídias sociais: marketing, vendas ou relacionamento?
Nanni Rios – Editora de Mídias Sociais da L&PM
IV Seminário O Negócio do Livro
Dias 12, 13 e 14 de Junho 2012
Das 19h às 22h
Goethe-Institut Porto Alegre – Rua 24 de outubro, 112
Inscrições:
Associados CE/RS • R$60,00
Não associados • R$100,00
Informações • 51.3233.3804
Inscrições pelo e-mail secretaria@clubedoseditores.com.br
Com os seguintes dados: Nome, Endereço, e-mail, Atividade Profissional, Empresa onde trabalha e Modalidade da Inscrição: Associado CE/RS ou Não Associado.
Últimas Notícias A SEDAC – Secretaria de Estado da Cultura do RS convida para o encontro dos Diálogos Culturais, em Capão da Canoa, na Casa de Cultura Érico Veríssimo, no dia 30 de maio, às 9h.
A programação inlcuirá a apresentação do Texto Base do Plano Estadual de Cultura e oficinas sobre editais do Fundo de Apoio à Cultura do Rio Grande do Sul e Pontos de Cultura.
Fonte: SEDAC
Últimas Notícias Marcado por estilo seco e realista, contista é o 10º brasileiro a receber maior distinção literária da língua portuguesa. Sua marca registrada é a escrita seca e desafetada, numa descrição realista da condição humana.

Nesta segunda-feira (21/05), em Lisboa, foi anunciado que o Prêmio Camões, considerado o mais importante da língua portuguesa, vai este ano para o contista brasileiro Dalton Trevisan.
Escrita seca
Nascido em 1925, em Curitiba, o escritor estreou no início da década de 40. Tornou-se conhecido já à época como um dos editores da revista Joaquim, que circulou entre 1946 e 1948, com a qual viriam a contribuir alguns dos maiores intelectuais e artistas brasileiros em atividade no pós-guerra imediato, como Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Mário Pedrosa, Candido Portinari, Otto Maria Carpeaux, Antonio Candido, Carlos Drummond de Andrade e Fayga Ostrower.
Na década de 60, com a publicação de livros de contos como Cemitério de elefantes (1964) e uma de suas obras-primas, O Vampiro de Curitiba (1965), passa a contar entre os mais importantes e influentes prosadores do país. Sua escrita é tesa, seca e desafetada, apresentando de forma extremamente direta aspectos da vida social no país.
Desse modo, seus contos centrados na violência das relações humanas nas grandes cidades imediatamente o distinguiram tanto do realismo regionalista de autores como José Lins do Rêgo e Jorge Amado, como das investigações de caráter metafísico de autores como Lúcio Cardoso, Clarice Lispector ou João Guimarães Rosa.
Entre predação e solidariedade
Essa decisão estética de não mascarar a crueldade com requintes líricos, o liga – ao lado de Rubem Fonseca – a poucos autores e obras nacionais até aquele momento, como o Graciliano Ramos de Angústia (1934), os contos de João do Rio ou a maestria satírica de Machado de Assis.
O conto “Uma vela para Dario”, incluído em Cemitério de elefantes, é emblemático neste sentido e um de seus textos antológicos. Em apenas duas páginas, com sua concisão que parece mimetizar a própria violência humana que descreve – a da pressa da competição pela sobrevivência –, Trevisan relata sem qualquer alteração de pulso e ritmo e sem julgar, como a personagem principal, ao passar mal numa rua qualquer, vai perdendo aos poucos os seus pertences – carteira, aliança de ouro e paletó desaparecendo a cada ato de ajuda. Três horas depois, sem ambulância ou rabecão, a personagem está morta e mais pobre do que nunca.
Sem deixar de descrever também alguns atos de generosidade e compaixão, no entanto, Trevisan nos mostra a convivência humana como balançando-se entre a predação e a solidariedade – mas insinuando qual delas costuma pesar mais no prato.
Em seu conto mais famoso, “O vampiro de Curitiba”, o autor contribui a esta larga tradição literária com um texto que prescinde do fantástico, para chegar ao caroço das lendas vampirescas como manifestações do desejo sexual desenfreado e animal.
Aqui, Trevisan emprega um trato pessoal e experimental com a língua, mesclando e oscilando entre o coloquialismo dos primeiros modernistas e expressões arcaicas, estilo inimitável que deixaria marcas na prosa brasileira das duas últimas décadas, que teve Trevisan como um dos mestres declarados. No entanto, talvez apenas alguns autores – como Hilda Hilst, tenham conseguido produzir trabalhos originais e com um estilo também bastante pessoal, a partir de técnicas similares.
Alta distinção
Dalton Trevisan publicou cerca de 40 livros, e tem sido uma presença constante no cenário cultural brasileiro, apesar da alcunha de “Vampiro de Curitiba”, por se recusar a dar entrevistas, ser fotografado ou participar de eventos “literários” (leia-se “sociais”).
Nos últimos anos, levou ao extremo seu minimalismo, publicando as micronarrativas de volumes como Ah, é? (1994), 234 (1997) e Pico na veia (2002), pelo qual recebeu o Prêmio Portugal Telecom de 2003. Editado no Brasil pela Record, seu último trabalho foi O anão e a ninfeta (2001). Ganhador de prêmios da Câmara Brasileira do Livro, do PEN Club Brasil e do Ministério da Cultura, Trevisan recebe agora o prestigioso Camões.
Instituída pelos governos do Brasil e Portugal em 1988, a distinção é atribuída anualmente, e a cerimônia de entrega se alterna entre o Rio de Janeiro e Lisboa. Agora em seu 24º ano, o prêmio foi entregue pela primeira vez ao português Miguel Torga, e no ano seguinte ao brasileiro João Cabral de Melo Neto.
Ao todo, foram homenageados dez portugueses, dez brasileiros, dois angolanos, um moçambicano e um cabo-verdiano. Em 2006, o angolano José Luandino Vieira recusou o prêmio, por “motivos íntimos e pessoais”, sendo o único a fazê-lo até o momento.
Dalton Trevisan, que não costuma recusar nem comparecer a tais honrarias, ainda não se manifestou sobre sua premiação.
Por Ricardo Domeneck
Fonte: DW Brasil