A rotina e o tempo

Por Evanise Bossle

É, parece até muito simples, mas não é, o dia a dia e a rotina, destroem até mesmo o melhor e mais poético dos romances. Aquele acordar, durante a semana, parece estranho, mas todos os dias são estranhamente iguais, a correria do trabalho, um engolir sem mastigar aquele almoço rápido, que mesmo sendo leve, pesa no estômago, irritadiço e contrariado. O difícil mesmo são os finais de tarde e os finais de semana, sem assunto, muitos afazeres, sem convicção e a estranha separação, um estranhamento mudo, aquela incógnita “quem é você agora, e quem sou eu agora”, não me reconheço e nem lhe conheço mais, a rotina nos mudou. E aqueles sonhos infantis, as promessas juvenis? Aqueles planos em conjunto que não existem mais  se perderam no tempo, que é feito de segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses e anos, e anos, e anos. E assim … certa manhã olho pelo espelho,não mais meu reflexo, mas uma estrada longínqua feita de datas vazias que se foram e não mais voltarão. E em meio a divagações  e desilusões  típicas da meia idade, percebo que me perdi  em uma dessas esquinas sem nome e sem lógica, e um vazio me invade mais e mais e mais. E percebo que o tempo passou e passou  e passou …

Tem alguma coisa a dizer? Vá em frente e deixe um comentário!