Poemas O véu da noite
O véu da noite
Por Suely Braga
O véu da noite desce.
Debruça-se
sobre a languidez do tempo.
Os ponteiros do relógio
se encontram.
Os sonhos voam.
Diluem-se
na escuridão do espaço.
Poemas O véu da noite
Por Suely Braga
O véu da noite desce.
Debruça-se
sobre a languidez do tempo.
Os ponteiros do relógio
se encontram.
Os sonhos voam.
Diluem-se
na escuridão do espaço.
Últimas Notícias A Equipe da Secretaria Municipal de Cultura de Osório tem o prazer de convidar a todos os amigos a participarem 2ª feira do Livro de Atlântida Sul, que ocorrerá entre os dias 4 e 9 de fevereiro de 2011. Além do grande encontro com o LIVRO e ESCRITORES do Litoral Norte e capital do estado, a 2ª feira do Livro de Atlântida Sul terá shows lítero-musicais, teatro, circo, contação de histórias, oficinas de foto na lata e de desenho, cantigas para crianças, recital de poesias e tantas outras atrações para tornar a festa da LEITURA mais alegre e integrada com outras artes.
Fonte: Tamara Carniel
Secretária de Cultura de Osório
tamaracarniel@hotmail.com
51-9884-7523
51-3601-2179
Poemas O perfume das Onze-horas
Por Mário Feijó
Onze dias
Onze horas
Trem das horas
Trem das onze todo dia
Quem não queria falar de amor
Quando as onze-horas se abriram?
Jurei que calaria
Mas quebrei todas as juras…
São apenas onze dias
De onze anos
Do segundo milênio
E eu que pensei que mudaria
Continuo o mesmo ser apaixonado…
Textos históricos Tráfego mútuo: lacustre e ferroviário
Por Leda Saraiva Soares
Livro “A Saga das Praias Gaúchas”, editado pela Martins Livreiro, 2000.
(Fotos: do arquivo pessoal da autora e do Arquivo Histórico Antônio Stenzel Filho, em Osório)
Em 1921, oficializa – se nova modalidade em transporte para as praias da orla Atlântica Sul: Tráfego Mútuo (Lacustre e Ferroviário). Uma alternativa encontrada, na época, para escoar a produção colonial da Costa da Serra de Osório a Torres. Não havia a BR 101 e as estradas que, na verdade eram caminhos, transitados por carretas, atrasava o desenvolvimento da região.
Houve o aproveitamento do potencial hídrico existente, com a dragagem dos canais que interligam o colar de lagoas existentes entre Osório e Torres, viabilizando a navegação e o comércio com a capital do Estado.
Já em 1906, têm – se registros da navegação lacustre de Palmares a Porto Alegre, via lagoa dos Patos, até o cais do porto de Porto Alegre, por onde era escoada não só a produção agrícola, mas também o pescado de Tramandaí, salgado e seco. Portanto, desde há muito que essa alternativa já era utilizada para exportar, através de vapor, o que a região produzia, importando produtos manufaturados.


Havia navegação lacustre desde Torres até a Lagoa do Marcelino, onde se iniciava a estrada de ferro. Desse ponto, a viagem se dava via férrea até Palmares do Sul. De Palmares seguia em barcos até o cais do porto de Porto Alegre.
Antes da construção da estrada de ferro, havia outros projetos a serem estudados pelo governo.
Em 1921 é inaugurada a estrada de ferro, ligando o porto de Osório, localizado na Lagoa do Marcelino, ao porto de Palmares. Esse tipo de transporte recebeu o nome de Tráfego Mútuo.
Transcrição de trechos do relatório acima citado, referente à inauguração da estrada de ferro, página 30:
Serviços de Transportes Ferroviários e Lacustre entre Palmares e Torres.
Por decreto n. 2.872 de 4 de outubro de 1921, foi approvado o regulamento para estes serviços e a 15 de novembro, inaugurado o tráfego da estrada de ferro de Palmares a Conceição do Arroio e o da linha de navegação entre o porto dessa villa e o do Estácio na lagoa Itapeva, a cerca de 10 kilômetros da villa de Torres.
Em dezembro, de acordo com a proposta apresentada em concorrência pública, foi cellebrado o contrato de tráfego mútuo com a firma Dreher, Silveira & Moojen, proprietária dos vapores que navegam entre o porto desta capital e o porto de Palmares.
Para o transporte de passageiros do porto do Estácio à villa de Torres foram adquiridos dois autos – omnibus, e a fim de facilitar o respectivo tráfego autorizou V. Ex.a. a reparação geral da estrada de rodagem entre aquelles pontos, sendo desviado o traçado junto à Torre do Norte e na Pedra da Itapeva, para ficarem reduzidas as rampas.
Resolveu ainda V. Ex.a. que a secretaria organizasse um serviço de transporte de passageiros na linha de navegação do Tramandahy.
Para esse fim foi adquirida uma lancha que recebeu o nome de Tramandahy e na qual foi instalado um motor a gasolina.
Como providência essencial mandou V. Ex. desobstruir os baixios nas lagoas do Passo e Tramandahy, serviço que está quase terminado(…)
(…) Nessas condições, poderão ser commoda e pronptamente atendidos os transportes de passageiros, na próxima estação balnear.
O transporte fluvial e lacustre de mercadorias é ainda feito em condições onerosas, sendo necessária a substituição das embarcações a gasolina por um serviço de chatas rebocadas por vapor.(…)
A seguir, trecho transcrito de um telegrama enviado ao governador em 27 de maio de 1922, após inspeção feita pelo mesmo secretário de obras citado no relatório transcrito:
(…) Navegação bem organizada e dotada. Material sufficiente para atender as necessidades actuais transportes e bem assim passageiros fuctura estação balnear, tanto praia Torres como Tramandahy. Para esse fim dispomos três lanchas gasolina plena segurança commodidade. São ellas: General Osório e Santa Maria para linha porto Estácio; Tramandahy para o porto mesmo nome.(…).


Em 1922, para dar maior conforto às pessoas que utilizavam essa via de acesso às praias, surge um vapor de nome CAMAQUAM, com serviço combinado de transportes de passageiros e cargas entre Porto Alegre e Torres via Palmares, Conceição do Arroio e demais portos intermediários.
Fez tanto sucesso esse vapor que aparece no Correio do Povo mais um anúncio do Vapor Camaquam com uma VIAGEM EXTRAORDINÁRIA.
A partir de 1922, a maioria dos hotéis das praias gaúchas não só anunciavam seus serviços, mas propagavam e recomendavam a seus hóspedes a utilização do novo sistema de transporte, bem mais confortável do que as fatigantes viagens de diligências ou viagens de automóveis. Estas com suas intermináveis mudas de animais. Aquelas, sendo os veículos mais tracionados por juntas de bois do que se auto – locomovendo, por causa da precariedade das estradas.
Transcrição da propaganda do Hotel Corrêa, do Correio do Povo de 8 de janeiro de 1922, p. 12:
TRAMANDAHY
HOTEL CORRÊA
O proprietario deste conhecido estabelecimento, cuja diaria está ao alcance de todos, previne a sua distinta freguesia que dispõe de excellentes chalets com todo conforto. Cozinha de primeira ordem, dirigida por habil cozinheira, agua potavel em abundancia.
O transporte é feito por via Palmares – conceição do Arroio( Osório) ou de Taquara, diretamente em autos de propriedade de João Vidal e de Emilio Behs. Em Conceição do arroio encontrarão diligencia e carro para bagagem, pertencente ao proprietario do hotel a quem devem dirigir aviso.
O serviço de transporte Lacustre e Ferroviário passou a ser utilizado regularmente, aumentando a cada temporada. Todos os hotéis sugeriam a seus hóspedes utilizarem esse meio de transporte que não só transportava passageiros, mas mercadorias e toda a produção regional.
Em 1928, há registros sobre a estrada para Cidreira, trecho que parte da Estação Experimental, em Osório, e vai até além da ponte da Alexandrina, quatro quilômetros e meio. Fala, ainda, da macadamização da estrada de Porto Alegre a Conceição do Arroio. Esse relatório faz menção ao serviço de transporte Ferroviário e lacustre que começa a dar prejuízo ao governo. Depois foi construída a RS30.

Últimas Notícias A escritora Leda Saraiva Soares, membro desta Academia, no dia 31 de dezembro, participou do Jornal do Almoço, ao vivo, à beira da praia de Tramandaí, onde havia um palco preparado para as festividades da virada de ano. A praia estava repleta de banhistas que interagiam com os repórteres. A escritora Leda foi entrevistada pela apresentadora Carla sobre o glamour da mulher nos anos 60 e sobre a origem do “slogan” Tramandaí – Capital das Praias.
No dia 07 de janeiro, em Capão da Canoa, a escritora foi entrevistada pelo jornalista Pedro Ernesto Dernadin sobre diversos assuntos: A procura pelo litoral no início do século20. As penosas viagens de Carretas, diligências, automóvel e curioso meio de transporte Lacustre e Ferroviário, novidade, na década de vinte que revolucionou os costumes. A viagens de diligências e automóveis foram substituídas por esse meio de transporte, largamente utilizado pelo veranista.
A professora Leda Saraiva é autora de vários livros sobre história do Litoral Norte/RS, sendo referência no estado sobre o assunto. Saiba mais sobre o trabalho da professora aqui.
Fonte: Divulgação AELN