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out 10, 2010 - Poemas   

Caminhoneiros

Caminhoneiros

Por Suely Braga

Os homens se encontram.
Os homens se dispersam,
no burburinho da vida,
numa busca constante.
São caminheiros
que procuram caminhos.
Rodopiam sem rumo.
Querem a felicidade.
Um véu cobre seus olhos.
Cegos,não sabem
que a felicidade,
não se encontra apenas numa ave que voa,
nem numa flor que desabrocha
no carrilhão do tempo.
A felicidade se encontra
no coração de cada um,
e  na alma dos sábios.

set 30, 2010 - Poemas   

Planeta Terra: Nossa casa

Planeta Terra: Nossa casa

Por Mário Feijó, 30.09.2010

Quando eu olho
A imensidão dos campos
O mar em sua vastidão
Penso que o homem
Com tanta inteligência
Destrói sua morada, seu ninho
Quando derruba árvores
Sem plantar outra no lugar
Quando joga óleo no mar
Destruindo o ecossistema
Ou quando joga detritos nos rios
Acabando com a vida nas águas…
 
Por que será que não se planta
Para renovar? Não se cuida dos rios
Nem tampouco do mar?
Por que será que destruímos
Blocos de mármores para pisar em cima
Ou para revestir paredes inteiras
Quando hoje já se faz pisos tão belos?
 
Extraímos petróleo do mar
Com riscos de destruirmos o planeta
Quando existe a energia renovável do álcool
Eólica e a energia solar.
Um dia o planeta saturado perguntará
O que será de nós? O que será?

set 25, 2010 - Poemas   

Rubem Alves

Rubem Alves

Por Ulda Melo


Sou você

No desejo

Nos versos que sinto

Leio e vejo

Na cena que encena

No teu, o meu

Modo de ser.

Roubo de ti

Minha alma

Faço contigo

A comunhão

Dos pensamentos

Que leio e releio

Em minha memória

Laçando dos teus

Escritos, simbologias

Presentes em minha historia.

Vampiriso em sangue doce

Por veias entrelaçadas…

A inspiração do teu escrever,

Por vezes tão arrebatador

Ou apenas o incompreendido,

Incomparável, educador.

Teu pensamento

Move-me em viagem cósmica

Do ser ou não ser

Que na duvida afirmo com

Consistência a tua existência

Reabilitando no professor

Pinceladas de amor

Que ao descrevê-lo

Pensa em um artista

Frente à tela inacabada

Risca paisagem de vida

Com alegria e dor.

Heresia seria descrevê-lo

Sem arrebatá-lo em versos

De loucura com vieses

De meiguice e travessura

Do poeta que transporta

Palavras em buquê de flor

Transformando seu leitor

Na mais bela amante

Cortejada pelo proibido

E primeiro amor.

set 25, 2010 - Poemas   

O poeta

O poeta

Por Ulda Melo

Homem em doce menino
Com inspiração universal
Transgredindo regras
Em escrita magistral.

Em tênue bailado
Com ritmo em som de letras
Poetizava palavras
Em orquestra de anjos
Tocando trombetas.

Sua poesia é assim
Encanto, magia
Pedaço de nuvem
Cobrindo jardim.

Sua poesia é perfume
Embriagando o prazer
Fazendo mentes amorfas
Em vida transcender.

Sua poesia é flor
Enfeitando espinho
Servindo sangue
Em cristal taça de vinho.

Tu, poeta, profeta
Que em versos edifica
A figura humana
Segue travestindo vidas
Em anjo e luz
Como o inesquecível
Mário Quintana.

set 21, 2010 - Contos   

Abdução

Abdução

Por Evanise Bossle

É noite de um vinte ou vinte e um de junho qualquer. Mas já é tarde, duas horas da manhã. Eu durmo em meu quarto, quando ouço um som estranhamente azul, são harpas, violoncelos, tambores e teclados. Levanto-me com meu pijama da Hello kit branco e abro a porta da sacada do 5º andar. Dali vem o som todo azul. Dali vem uma estranha fumaça triangular e dela sai uma pequena escada toda prata. Não penso, é parte de um sonho talvez, simplesmente subo a escada e vejo-me no interior da fumaça também prata. O som harmonioso de um tom de azul turquesa é calmo, mas nitidamente mais forte ali dentro. Não há ninguém, apenas uma luz forte no centro do triângulo. Sinto um movimento semelhante ao movimento de um elevador quando sai do térreo em direção ao 18º andar, não há outro som além do azul de harpas, violoncelos, tambores e teclados.
Outro movimento suave, parece-me ainda um elevador parando. Desço do triângulo prata pela mesma escada. Agora, o que vejo é estranho, peculiar, uma porta altíssima de igreja medieval, ultrapasso-a, e mais outra, e mais outra, sucessivas portas metálicas, amarelas reluzentes. Há entre elas inúmeros raios de sol que vêm de um lugar ainda mais alto que as inúmeras portas, são raios de uma luz muito forte que fere a visão. Esses raios de luz chocam-se com o solo, que é também de um amarelo vibrante. Não consigo visualizar o interior dos portais. A luz intensa impede-me. Agora, sim, parece que ultrapasso a última abertura. Há um salão oval, também amarelo, muito amarelo. O som aqui já não é azul, é todo metal, não há mais cordas, embora também seja um metal suave. Parece-me que o que cria o som são meus próprios passos no solo. Aqui vejo pela primeira vez depois da sacada, seres, são três homens de longas batas prateadas, não possuem cabelos, mas são o que poderíamos classificar de belos homens, não magros, mas fortes. Parecem irmãos tamanha semelhança, talvez pela careca reluzente e pela bata. Estão de pés descalços, mas não visualizo todo o pé, porque a bata toca o chão. Estão sérios, mas de uma seriedade acolhedora, parecem conhecerem-me a muito, mas nunca os vi. Não há palavras. Nem eu tenho nada a perguntar, parece-me que sei a resposta, as informações apenas chegam em meu cérebro tal qual estivesse em silêncio lendo um livro.
Sei do que se trata,… Agora um deles se aproxima, toca-me os cabelos, meus longos cabelos cacheados da cor daquele solo. Seu toque é suave, sinto sono, muito sono, um sono incontrolável, sinto-me desfalecer em seus braços. Outra vez o som azul, mas agora o som está indo embora. A luz da fumaça prata vai embora. Agora permanece o sono na cama do 5º andar.
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