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nov 11, 2010 - Crônicas, Fragmentos Literários   

Suely Braga, a intelectual sonhadora

Suely Braga, a intelectual sonhadora

Por Delalves Costa, presidente da AELN

“Uma intelectual sonhadora”, assim a define a professora e escritora Tereza Gamba. Contista, cronista e poeta, Suely Braga tem despertado enorme atenção do público leitor e da crítica, vencendo concursos literários e participando de obras em diversas cidades brasileiras. Sempre munida de palavras e detentora de uma voz aveludada, por onde passa atende a todos sem distinção, cativando crianças e adultos sempre esboçando prazer nos olhos. Detalhista, tem no olhar a perícia de um fotógrafo em busca do registro mais fiel à realidade, com imagens deslumbrantes tecidas com letras, sons e gestos que saltam da página. Ser a Escritora Homenageada da 25ª Feira do Livro de Osório, neste ano de 2010, é muito pouco para uma escritora que já fez muito pela literatura em Osório e região. Mas antes tarde do que nunca. Com certeza, os momentos em que dará o ar de sua graça no Largo dos Estudantes, durante a feira do livro, serão inesquecíveis à comunidade, pois em cada passo desta operária das palavras seguem-se as pegadas de uma mulher que dedicou sua vida à literatura, quer seja como professora quer seja como escritora.
Em depoimento proferido por Tereza Gamba, escrito especialmente para a orelha do livro “Os últimos acordes do concerto” – obra que Suely publicou em 2007 pela editora Alcance, de Porto Alegre –, fica o registro eterno do quanto a nossa escritora homenageada tem se dedicado ao mundo das palavras. Tereza não mede elogios à amiga, ao dizer que “Suely é uma amiga muito especial de todos os tempos, (…). É uma intelectual sonhadora”. E completa: “Nesse seu andar como educadora, como orientadora educacional e acima de tudo como professora de Português e Literatura, sempre marcou e vem marcando cada vez mais, ser uma amante das palavras, que se manifesta no seu dom de escrever (…)”.
Já para a professora Naura Martins, que prefaciou o livro da autora de contos e crônicas, Suely é singular, que demonstra o domínio da narrativa, com uma prosa entremeada de ação, em movimentos que se cruzam estabelecendo amarras nas vivências das personagens que povoam as histórias contadas num estilo às vezes leve, outros em tom mais sério.
Para o escritor e poeta Delalves Costa – atual presidente da AELN/RS –, discípulo e admirador confesso da autora, “em Os últimos acordes do concerto, as palavras são transformadas em estruturas palpáveis, realizando uma verdadeira autópsia ma vida íntima de suas personagens. Suely, através de seu minucioso detalhar, recolhe as cotidianidades dos mais diversos ângulos e formas. Ao ler seus textos sente-se as imagens em alto-relevo, o dia a dia desenhado pela perfeita harmonia entre realidade e ficção”. Seus textos, seja na prosa ou seja no verso, captam o leitor pela linguagem fluente, poética e madura. Atenta aos assuntos que envolvem a comunidade nas áreas de cultura e educação, não mede esforços para participar ativamente das atividades e dos eventos, brindando a todos com suas sábias palavras.
A escritora Suely Eva dos Navegantes Braga é sócia-fundadora da AELN., além de colecionar importantes prêmios literários, participa publicando poesias, contos e crônicas em inúmeras coletâneas. Também, participou de várias oficinas literárias, inclusive com Moacyr Scliar e Charles Kiefer. “Os últimos acorde do concerto” é o único livro solo, contendo vinte dois contos e oito crônicas, em sua grande maioria premiados ou classificados nos concursos literários. Nasceu em Santo Antônio da Patrulha, mas ainda menina mudou-se para Osório, onde reside até hoje. É pós-graduada em Orientação Educacional pela PUC/RS. Dedicou sua vida profissional ao Magistério, tendo lecionado Literatura e Língua Portuguesa em várias escolas do município de Osório e desempenhado a função de Orientadora Educacional.

 

nov 8, 2010 - Poemas   

A chegada da primavera

A chegada da primavera

Por Suely Braga

Os pássaros voam em gorjeio.
Cantam uma canção de liberdade.
O inverno findou.
Os jardins e as praças enfeitam-se de flores.
Os jacarandás e ipês com suas roupagens
multicoloridas
engalanam a paisagem.
As plantas brotam
expandindo seu verde
por todos os lados.
A brisa toca um hino de amor.
Os cataventos dançam
num bailado encantador.
Os rostos se desanuviam.
Os sorrisos afloram
com alegria e esperança.
É a Primavera que chega.
É  Primavera nos corações.
É  Primavera nas vidas.

nov 1, 2010 - Poemas   

Bem-me-quer; Mal-me-quer

Bem-me-quer; Mal-me-quer

Por Mário Feijó, 01.11.10 


Em minhas veias
Ainda correm tua seiva
Em meu sexo, sem nexo
Flores em botão se abriam…
 
E a luz do sol
Fazia desta floresta
Mata virgem
Onde novos caules sorriam…
 
Cada pétala eu contava
Bem-me-quer, mal-me-quer
E no âmago polens e sementes descobria
Bem-me-quer, mal-me-quer…
 
Chuva, calor e húmus
Novos brotos renasciam
E eu mata fechada
Cada vez mais para ti me abria…
 

out 19, 2010 - Poemas   

As marcas do vento no meu coração

As marcas do vento no meu coração

Por Mário Feijó

Não espere por mim
Numa esquina qualquer
Nem tampouco no amanhã
Eu sou o teu presente…

Cada dia eu desembrulho
Desamarro todos os laços
Desato todos os nós
Porque é o presente que eu vivo…

A vida passa rapidamente pelo tempo
Como se fosse um vendaval
E ou você se entrega a ela
Ou tudo será levado, ficará pra trás
Restando somente as marcas do vento que passou…

Você tem borboletas pousando em seu coração
Se nele você plantar flores
Se em sua vida tem muito amor
Porque o amor é assim
Quanto mais você dá, mais tem…

Abro meus braços ao vento
E se você não se agasalha dentro dele
Eu os fecharei em torno de mim
Porque ser feliz é uma decisão minha
Com alguém posso ser mais feliz
Mas não preciso de ninguém para sê-lo
A felicidade está nas minhas escolhas…

out 19, 2010 - Poemas   

Por amor a você

POR AMOR A VOCÊ

Por Mário Feijó, 18.10.10

Tudo o que eu queria
Era ter-te, não me importaria
Que em outro corpo fosse
Eu te quereria mesmo assim

Eu me sentiria como se do mar
Brotassem rosas
Se do campo corressem
Teus beijos querendo meus pés…

Sou assim, metido a Dalí,
Imitando Pessoa que Espanca Coralina
E eu desnudo transmutado nos mestres
Acorrentado a ti declamo versos às sempre-vivas…

Enquanto isto vejo Drummond
Sentado à beira mar feito estátua
Que nada diz, nada faz
Conversando com bêbados
Sem escrever mais um poema…

Concluo que ou o mundo enlouqueceu
Ou fui eu que fiquei doido
Diante de tanta droga, bala perdida
E de pessoas que não compreendem
Umas às outras…

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