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dez 24, 2010 - Poemas   

O menino e o Natal

O menino e o Natal

Por Delalves Costa

 

O que é o Natal? Ao certo não sei…

Mas às crianças sem presentes,

o Natal é um dia no calendário

de pinheiros enfeitados

com adereços multicoloridos

e tamanhos variados,

de portas iluminadas

com rosto do bom velhinho

e guirlandas penduradas,

de mesas bem postadas

com velas, enfeites

e lindas ceias requintadas.

Enquanto isso, na rua

onde casa não têm chaminé,

o pisca-pisca na sala

ilumina o presépio…

Maria aquece a noite, e José ri

com as risadas do menino

à procura de vaga-lumes

entre uma colherada e outra

do bom feijão e arroz.

O que é o Natal? É um dia

no calendário pelas casas

onde o presépio é vivo

e o menino ri das risadas do pai

enquanto a mãe serve a ceia.

Natal, Natale, Noël, Weihnachten, e etc…

Natal, Natale, Noël, Weihnachten, e etc…

Por Rodrigo Trespach
Texto publicado originalmente em 23.12.2008 no Portal Litoralmania

Escrever sobre o Natal não é fácil, há muitas histórias e muitas versões. Cada povo, ou país tem uma maneira diferente de celebra-lo e muito está associado como cada povo recebeu e adaptou para sua cultura a festividade e seus atores principais.

O DIA DO NASCIMENTO DE CRISTO?
O dia de Natal, o nascimento de Jesus Cristo, é comemorado como festa religiosa desde o séc. IV pela Igreja Católica. E a forma como é conhecido hoje é o resultado da fusão de várias culturas ao longo dos últimos séculos.

A celebração foi oficialmente instituída pelo Papa Júlio I, mas com poucas bases históricas sólidas para afirmar que 25 de dezembro fosse mesmo o dia do nascimento de Cristo. Muito antes do aparecimento de Cristo, vários povos celebravam de forma muito especial uma data de significativa importância para todos: o solstício de inverno (estamos falando do hemisfério norte, não se esqueça).

Para os celtas, povo pagão que habitava inicialmente o que hoje é a Europa central, o Solstício do Inverno, era um momento extremamente importante em suas vidas, celebrado com grandes banquetes.

Os romanos comemoravam em dezembro a Saturnália, festividade em honra ao deus Saturno – o deus da agricultura que permitia o descanso da terra durante o inverno. As festividades ocorriam entre os dias 17 e 22. No dia 25 era comemorado o solstício de inverno. O solstício de inverno, o menor dia do ano, simbolizava o início da vitória da luz sobre a escuridão, por isso estava associado ao nascimento do deus Mitra, o Dies Natalis Solis Invicti (o dia do nascimento do Sol invencível). O culto a Mitra, com origem na antiga Pérsia, hoje Irã, havia chegado a Roma trazido por soldados do Império em expansão.

Com a conversão do Império Romano ao cristianismo, a veneração ao Sol, foi substituida pela veneração a Cristo, em uma clara alusão a “luz do mundo”, do evangelista João (confira João 8:12). A Igreja faria o mesmo com várias outras festas e deidades, transformando a simbologia e os templos pagãos em novas mensagens para cristianismo emergente. Um exemplo, também de grande importância para os povos pagãos, é a Páscoa, que os alemães chamam de Ostern. Os antigos germanos “aceitaram” a cristianização, mas utilizaram elementos de sua própria crença. Ostern vem da deusa Ostara, a deusa da fertilidade e da primavera (no hemisfério no norte) e nada tem haver com a Pessach hebraica adotada pelos cristão após a crucificação de Cristo como redentor. Mas a Páscoa é outra história…

Voltemos ao Natal. Há um porém, o calendário gregoriano, que utilizamos hoje, é utilizado somente a partir do século XVI, quando o Papa Gregório XIII decretou a modificação do calendário vigente na época, o Juliano, para que ocorressem alguns acertos. Assim 11 dias foram retirados do calendário para que ele fosse ajustado. Ocorre que essa alteração modificou também o dia do solstício de inverno, que ocorre hoje entre o dia 21 e 23 de dezembro. No entanto nessa época já estava consolidado o dia 25 de dezembro como o dia do nascimento de Cristo, o Sol Invictus ficará relegado ao passado.

O ANO DO NASCIMENTO ESTÁ ERRADO
Sobre o ano de nascimento a questão é ainda mais complicada. Cristo não nasceu no ano 0 e sim, segundo estudos mais precisos, nos anos 7 ou 6 antes da contagem regular. Isso ocorreu por que os cálculos feitos pelo monge Dionísio, o Exíguo (séc. V), para datar o nascimento de Jesus, estão incorretos em até 8 anos. Ou seja, o monge literalmente dormiu no ponto.

NATAL, NATALE, NOËL, WEIHNACHTEN, ETC

O termo Natal também é diferente em vários países. Natal vem do latim natalis, derivado de nascéris, natus sum ou ainda nasci, cujo significado, bem claro para os países de língua latina, é nascer ou nascimento. E é semelhante ao Natale em italiano e o Navidad em espanhol. Mas outros países, os de origem germânica, usam termos diferentes. Para o alemão Natal é Weihnachten, para o francês Noël e para o inglês Christmas, cada um com um significado especial apropriado ao costume local.

O PAPAI NOEL E O PINHEIRO

Ao Pinheiro de Natal, que os alemães chamam de Tannebaum ou Weihnachtsbaum, atribui-se a Martin Luther, o Reformador, a sua “invenção”. Quem nunca ouviu, principalmente entre os descendentes de alemães luteranos, a tradicional Ó Tannenbaum, Ó Tannenbaum?

Tudo isso, dia e ano de nascimento, falamos da tradição Católica e depois da Reforma no século XVI, Protestante. Mas há ainda a tradição da Igreja Ortodoxa, maioria, por exemplo, na Grécia e Rússia, que comemora o Natal no dia 6 de janeiro…

Mas sabe-se que os povos germânicos têm desde a antiguidade uma ligação com o pinheiro, tanto que as versões mais antigas do Tannenbaum são anteriores a Luther e remotam aos antigos povos que habitavam a Escandinávia antes da migração para a Alemanha.

O Papai Noel é chamado na Alemanha de St. Nikolaus ou Weihnachtsmann, literalmente o homem do Natal. Na França de Père Noel. Noel vem de “lês bonnes nouelle”, ou seja, as boas novas. O uso do “papai” está associado à expressão inglesa “Father Christmas”, ou pai Christmas. Novamente cada país adaptou o nome a sua cultura, assim Papai Noel é chamado na Itália de Babbo Natale, na Suécia de Jultomte e na Rússia de Ded Moroz.

De uma maneira ou outra a popularização ocorreu devido a St. Nikolaus, o São Nicolau, bispo católico na Turquia durante o século IV, canonizado em 800. Homem rico e caridoso, conhecido pela sua dedicação às crianças.

FINALMENTE O NATAL
Não há relatos anteriores ao século XIX de que houvesse algum tipo de comemoração natalina onde um velhinho de barba branca e vestido de vermelho entregasse presentes as crianças. Na Alemanha a tradição atribuía a Christkind, o menino Jesus, a entrega de presentes.

O Papai Noel moderno surgiu nos Estados Unidos. Em 1822 Clemente Clark Moore, um professor de literatura em Nova York, escreveu o poema “Uma visita de São Nicolau”, onde descrevia as viagens de trenó e descidas pela chaminé. O poema foi um sucesso e rapidamente popularizou o personagem que recebeu a aparência atual em 1886, através do cartunista Thomas Nast, da revista Harper’s Weeklys, em edição especial de Natal.

Apesar de ser controverso entre os historiadores é inegável que a Coca-Cola, “a Rainha do Imperialismo” com diriam alguns, em campanha publicitária na década de 1930 popularizou o uso das cores hoje tradicionais. http://www.santaclausoffice.fi o site oficial do velhinho que está disponível em inglês e filandês.

Quem tiver curiosidade de conhecer o “verdadeiro” Papai Noel, ou melhor, Santa Claus, pode acessar o site

A AELN deseja um Feliz Natal e próspero ano novo para todos!

dez 15, 2010 - Poemas   

Natal

NATAL

Por Suely Braga
Poesia premiada na Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre, RS, 2000.

O pisca-pisca da luzes importadas
nas janelas,nos edifícios, nas sacadas.
Ofusca o brilho das estrelas
no bojo da noite penduradas.
Pirilampos cintilantes nos jardins e nas ramadas.
As vitrines enfeitadas.
As árvores com bolas coloridas.
As árvores com bolas coloridas,
fantasiadas de neves de algodão.
Imponentes nas casas ,nos jardina,na repartição.
O Papai Noel desce numa nuvem,
montado no seu trenó prateado.
A cidade policromia de cores
incendeia de amores.
O menino triste,descalço, calção furado.
Parado.Não resiste.
Olhinhos admirados
contempla os brinquedos,extasiados.
Numa gruta afastada,outro Menino envolto em panos.
Nasce e renasce a cada ano.
Uma estrela resplandecente
guia os Reis Magos do Oriente
que oferecem presentes.
Repicam os sinos na catedral
anunciando um novo tempo.
Um tempo sem tempo para o mal.
O Menino fecundo traz ao mundo doente,
descrente,materializado,robotizado,
sufocado pela dor:
PAZ, COMPREENSÃO E AMOR.

     

dez 13, 2010 - Crônicas   

É Natal

É Natal

Por Suely Braga, Osório 13.12.2010

Numa gruta nasceu um Menino envolto em panos,rodeado pelos pastores e animais domésticos, que o esquentaram com seu bafo. Acalentado por Maria e José. Tornou-se Humano para salvar a humanidade. Pregou o amor,a fraternidade,a solidariedade e a justiça. Sempre se acercou dos excluídos e menos favorecidos.
É Natal.
As vitrines expondo pinheirinhos,bolas coloridas,pacotes de presentes,papais noeis. As lojas atulhadas de fregueses comprando,comprando,comprando. Nas avenidas os papais noeis se requebram com o vento,outros com guarda-chuvas, abrigam-se da chuva. Os anjos pendurados iluminam com suas luzes azuis,clareando as noites na cidade.
Na televisão as propagandas atordoam crianças e adultos, levando-os ao consumismo exagerado. Os carros de som com música e voz estridente fazem propaganda das lojas.
Há um burburinho nas ruas. É um vai e vem de pessoas caminhando apressadas, carregadas de sacolas cheias de presentes.
É Natal.
Nas casas há muita festa. A ceia é preparada com todo cuidado com castanhas, nozes, frutas, tortas, pudins e panetones sem faltar o tradicional peru assado.
O relógio emparelha seus ponteiros.É meia noite.
Todos os convidados brindam com champanha.
As crianças festejam. O papai noel gorducho encanta e traz alegria e muito alarido.
O Menino Aniversariante está ausente. Não foi convidado para a ceia,ignorando-se o verdadeiro Dono da festa.
Afinal o que comemoramos no Natal ?
A festa do Papai Noel que reina em toda parte, ou o Nascimento de Jesus?
Será que as crianças de hoje sabem que Jesus nasceu em  vinte e cinco de dezembro, por isto comemoramos o Natal?

dez 1, 2010 - Poemas   

Tempo perdido

Tempo Perdido

Por Rosalva Rocha – 10/11/2010

Hoje num silêncio manso
Conseguí enxergar a luz que existe em mim
Uma doçura que eu havia esquecido
Num tempo perdido
Que nem sei para onde  foi
De tão pouco expressivo

E foi nesse silêncio manso
Que pensei em mim
Nos trilhos pelos quais já passei
Sem que os trens tenham atropelado
Meus sonhos
Meus projetos
E tudo o que sempre pensei

O tempo perdido
Foi morto, deposto
Não faz mais parte de mim

Simplesmente tirei-o da minha vida
Como escama que sai aos poucos
E deixa a carne livre, solta
Tal qual ave que voa
E não se assombra com os temporais
Porque  os considera normais

Meu rosto ainda é o mesmo
Tem expressão
Fala com o olhar
E do olhar diz tudo
Tudo o que é preciso falar
E nem sempre possível de expressar

O tempo perdido
Até me fez bem
Tirou-me enganos, profanos
E fez de mim uma
Alma nova
Que passa a viver outros desenganos
E com eles se renova

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