Poemas O professor
Por Suely Braga
Poemas Por Suely Braga
Contos Por Leda Saraiva Soares
A lagoa se encrespa. Um ruído estranho e ritmado de tropel ecoa ao longe. Ninfas com cabelos dourados, soltos ao vento… Vestes prateadas esvoaçantes, resplandecem na escuridão. Galopam em belos corcéis brancos sobre as águas num fantástico balé etéreo.
Bela e elegante moça vestida de branco. Cabelos longos até os pés. Em noites de lua cheia, encanta homens que sonham com tesouros enterrados à margem da misteriosa Lagoa dos Barros. Guardiã de tesouro? Pede ao escavador de sonhos um pente. O vivente que lhe trouxer este objeto, sem contar nada a ninguém, encontrará um boião cheio de moedas de ouro nas proximidades da lagoa. Caso contrário, estará fadado a morrer no dia seguinte.
Navio, feericamente iluminado, de tempos em tempos, aparece na lagoa, encantando notívagos.
Uma cidade iluminada surge no meio das águas em noites escuras.
Noiva, extremamente bela, assassinada por seu pretendente é jogada na lagoa com pedras atadas ao pescoço. Em determinadas noites, vaga nas águas em busca de paz, deslocando-se de um lado para outro, como a patinar sobre pista de gelo.
Redemoinhos, formados pelo vento, rodopiam e encrespam a lagoa, assustando e causando tragédia a quem se aventura em passeio de barco.
Misteriosa Lagoa dos Barros, plena de lendas e de histórias fantásticas!
Ao sul, a prainha da lagoa bem frequentada no verão, local eleito pelos filhos de Floriano a Alzira para passarem o dia.
-Floriano, não vou com traje de banho. Vou levar um casaco porque costuma ventar na lagoa e eu não quero passar frio.
É melhor irmos em trajes de passeio, mesmo porque não pretendemos entrar na água.
O acesso à prainha se dá por uma estrada que passa pelos cata-ventos geradores de energia eólica.
-Alzirinha será que travaram os cata-ventos? Nunca os vi parados dessa maneira. Olha lá, estão estáticos!
-Floriano, parece mentira, mas não sopra a menor brisa.
Calam-se. Ouve-se apenas o ruído dos pneus do carro no asfalto.
-Alzirinha estou com uma fome danada! Esse cheiro de frango assado que vem aí de trás está mexendo com o meu apetite.
-E eu, meu querido, não queria te dizer. Ma não vejo a hora de comer, com toda a boca, um ovo cozido com uma pitada de sal. Veja Floriano, já estamos chegando. Pelo que nos informaram é ali naquela entrada.
Os filhos do casal e netos já estão ali com toldos, gazebos, cadeiras de praia, Jeti Sky e tudo o mais para passarem o dia. Floriano e Alzira encarregaram-se de levar um frango assado, ovos cozidos, pão, frutas e refrigerantes.
Meio dia. Sol a pino.
-Oi, vô!… Oi vó!… Que bom que vocês chegaram!
Cumprimentam-se. As crianças entram e saem da água, refrescando-se.
Floriano, discretamente, examina o ambiente. Uma faixa pequena de areia forma a praia. A lagoa calma, límpida, agradável para um banho. Mas entrar na lagoa e sentir nos pés aquele lodo que parece sabão deteriorado… Ah! Que saudade da praia de mar…
Um adulto com Jet Sky leva na carona uma criança. Depois busca outra. Os menores brincam na parte mais rasa. Pouca gente naquela hora. O sol vai chegando com toda a sua energia. Seus raios escaldantes atravessam o tecido dos toldos. O calor abrasador é insuportável. Alzira e Floriano sentem-se inadequadamente vestidos. Não podiam imaginar que na prainha da lagoa estivesse fazendo aquele calor causticante.Não corre uma brisa. Alzira arrependida de ter ido, abre o isopor com os quitutes para que tudo se consumisse o mais rápido possível. O calor a incomoda. As crianças, com fome, aproximam-se. O piquenique acontece de forma desconfortável. O casal sentado nas cadeiras de praia entreolha-se, comunicando-se por telepatia. “Que programa de índio!”
Para completar, surgem, do nada, minúsculas moscas, quase invisíveis. Não dão trégua, atacando sem parar, tirando o prazer da hora tão sagrada. Floriano e Alzira abanam-se com tampas de embalagens para espantar o calor abrasador e os diminutos insetos. Contêm-se em consideração aos filhos e netos, suportando grande mal-estar. Levantam-se das cadeiras tentando refrescar-se. Procuram com os olhos alguma árvore. Nada. Não suportam mais. Minutos depois, pedem permissão para se retirarem. Os filhos entendem. Pretendem ficar até o entardecer.
Floriano arranca o carro. Liga o ar condicionado.
-Que alívio, meu Deus! Que frescor!…
Alzira, quieta ao lado do marido entrega-se a lendas que envolvem a Lagoa dos Barros. Será que ali onde estávamos há um tesouro enterrado? E porque era dia, a guardiã não pode aparecer? E então, parou o vento, mandou um calor infernal, acompanhado de minúsculas moscas para nos atormentar e correr conosco?
-Que lagoa misteriosa, meu Deus…!
Poemas O Sonho só
Por Leda Saraiva Soares, 05/09/2012
Magia…
Sonho, flores…
Balé surreal.
Matizes,
Suaves aromas…
Só,
Esvoaçante
A libélula dança,
Alegra-se… Encanta-se.
Perde-se
Na euforia
Do desconhecido.
Só,
Tece e borda sonhos
Que se esfumam
Na bruma triste
Da música
De uma nota só.
Só,
Fenece entre flores,
Suaves aromas…
Bálsamo para a alma
De uma libélula
Que buscava só
Um amor-perfeito.
Poemas Não sei escrever….
Por Carmem Regina Oliveira
Não sei escrever….
As mãos começam a tremer,
Parece uma dor
Que desaparece sem eu perceber.
O coração acelera
Tenho a nítida certeza
Deste amor que sinto,
Pena
Que não sei escrever.

Poemas Por Mário Feijó
Meninos são assim
Gatos selvagens domesticados
Que irrequietos saltam
Mordem e arranham
Meninas são borboletas
Que se encantam com rosas
Sem se importar com os espinhos
E das flores herdam seus perfumes
São assim os filhos e netos
Cada um inspira algo diferente
Aos pais, aos avôs que neles
Projetam sonhos e o futuro
Os meus são assim
Gatos selvagens arredios
Girassóis que me seguem
Rosas que me perfumam…