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jun 4, 2013 - Contos   

Clara

Por Suely Braga

Clara acordou com o tilintar vibrante do despertador. Espreguiçou-se sonolenta e deu um salto da cama. Tomou um banho rápido. Acordou os meninos.Esquentou a água, colocou-a no nescafé. Sorveu alguns goles,comeu um pedaço de pão dormido com manteiga.Serviu Nescau com leite aos filhos.Tirou as xícaras da mesa,lavou a louça.

Foi ao quarto, olhou-se no espelho, sentiu-se abatida  por uma noite mal dormida, penteou os cabelos já um pouco prateados.Passou baton.

Os ponteiros do relógio correm. Mesmo que acordasse cedo tinha sempre  que correr.

Deu um beijo nos filhos, atravessou a sala em disparada em direção à porta de saída enquanto grita:” meninos, não vão se atrasar, vão depressa para a escola”.

No caminho aspirou ao aroma das flores, sugou a beleza da manhã. Percorreu quase correndo as quadras até o terminal do ônibus e.enfrentou a fila imensa.

Entrou e acomodou-se no acento duro de fibra Ao seu lado estarrachou-se uma mulher gorda comprimindo-a contra a janela. Com os olhos cemicerrados tentou cochilar.

O ronco do motor, o vozerio dos passageiros imprensados no corredor, as freadas bruscas, os buzinaços impediam-na de dormir. O aluguel atrasado, as contas de luz, água, telefone, o pagamento do condomínio fervilhavam na sua cabeça como uma panela de pressão.

O marido desempregado perambulando o dia inteiro pela cidade só ouvia:”não há vagas”.Desesperado entrando em depressão, tornando –se agressivo em casa.

Dá o sinal na campainha. Desce na frente do velho prédio desbotado, as paredes que há longos anos não recebem pintura, vidros quebrados nas janelas assoalho encharcado nos dias de chuva.

As crianças esperavam-na. Correm ao seu encontro, abraçam-na entusiasmados. Entra na sala e começa a aula. São trinta e cinco alunos que falam, interrogam, esperam. Atentos, ou, distraídos, aguardam suas respostas e explicações.

A sineta soa. As crianças se dispersam. O beijo da saída e o “até manhã, professora”.

Vai até a cozinha, come um sanduíche que trouxe na sacola. Tira da geladeira o suco que a merendeira preparou.Vai com passos apressados até a parada na frente da escola.

O tempo mudou, a temperatura baixou. O vento fresco começa a soprar. Olha para as gordas nuvens que cobrem quase todo o ceu.

Põe a sacola no ombro. A sacola cheia de livros e mais os produtos do Avon. Embarca no ônibus lotado. Espremida entre os passageiros, sacolejando vai até o fim da linha.

A chuva começa a cair, é uma chuva fina. Caminha na  calçada repleta de pessoas que caminham apressadas,voltando para casa. Chega ao apartamento 305 para entregar os produtos.

Passa na padaria para comprar leite e pão. Entra na fruteira para levar verduras.

Chega em casa.O marido lê o jornal na frente da televisão. As crianças lêem. Tira os sapatos, atira-se na cama sem coragem para se despir. O corpo moído,tensa,estressada.Seu corpo, sua mente estão pedindo férias.Sair, passear, relaxar, longe de tudo e de todos.

Vai preparar o jantar e o almoço, porque amanhã é outro dia. Vai fazer uma gostosa massa com molho, que todos adoram.

Amanhã continuará a rotina.

 

 

maio 9, 2013 - Poemas   

Mãe

Por Suely Braga, Osório, 08 /05/2011.

Mãe palavra pequena,
profunda,
serena.
Primeira palavra balbuciada
nos  lábios da criança.
Mãe esperança.
Saudada nas canções e poesias.
Mãe alegria.
Mãe carinhosa.
Mãe corajosa.
Mãe educadora.
Mãe sofredora.
Mães da “Plaza de Mayo”
pranteando  os filhos desaparecidos.
Mãe, Maria no CALVÁRIO.
Mãe geradora
trazendo no ventre a vida.

Mãe trabalhadora
tantas  vezes oprimida,
desiludida,
perseguida.
Mãe de todas as raças,
todas as etnias.
Mães do mundo inteiro.
Neste Dia Alvissareiro,
mereces  homenagens,
as bênçãos e graças
do Senhor da  Criação.
Mereces muita gratidão
de  todos os filhos teus
por  tua grandiosa Missão

maio 8, 2013 - Poemas   

Efeitos do Sol Poente

Por Artur Pereira dos Santos

Tua imagem, em verde e dourado.
Verde dos campos, lagos e matas.
Teus braços abertos, enamorados;
Dourado de ti e de teu esplendor.
Do sol da manhã ou do breve poente.
Dourando teu corpo e do que ele é coberto.
Do teu colo com sombras de ti sorridente.
De teus seios arfantes, que mesmo encobertos.
Exalam o perfume dos caminhos do amor.

abr 15, 2013 - Poemas   

Loucura

Por Suely Braga
Osório, 16.06.2012

Na gruta fria e isolada.
Na noite escura, gélida.
Enrolado no velho cobertor.
Sob a luz frouxa da lamparina.
Ele faz versos desconexos.
Canta a alegria e a dor,
a vida e a morte,
o desencanto
e o encantamento.
No lamento
de sua densa,imensa solidão
canta o poeta louco.

abr 15, 2013 - Poemas   

Quem és tu?

Por Carmem Regina Oliveira

Neste momento
Imagino quem sejas
Enquanto percorro
Esta folha de papel

As letras são carícias
Em tua pele.
Tu és a folha de papel
Minha caneta te alisa

Sou aqui o ser
Que te deseja
o ser que te idealiza.

E de repente tudo se transforma
Fugindo a regra somem
A folha e a caneta
Perco o controle do desejo
que estava no papel escrito.

 

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