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set 24, 2014 - Fragmentos Literários   

Ser normal

Por Artur Pereira dos Santos

O conceito de normalidade nunca me soou tão estranho quando a atendente da farmácia perguntou se o meu nome era normal. Entendi de pronto o que ela queria dizer e disse que sim, que era bem normal, tanto que eu o possuía há setenta e três anos e ninguém havia contestado, nem mesmo o escrivão quando perguntou ao meu pai na hora do registro, senão o meu velho teria me contado. Ela sorriu, entendeu a brincadeira e corrigiu a pergunta, – seu nome é escrito com ou sem (h) agá?

Expliquei-lhe que só conhecia, além de mim, outro exemplar que ainda mantinham o nome com se escrevia antigamente. Que tinha três sobrinhos netos, não, sobrinhos bisnetos, com este nome, mas que eu havia avisado a seus pais: Querem colocar este nome coloquem, mas avisem a eles que sempre serão perguntados se seus nomes são com ou sem agá, até que sejamos meu mestre de marcenaria e eu, completamente extintos da face da terra, e as atendentes sejam jovens.  Eventualmente, se forem atendidos por alguém de idade avançada, poderão ainda ser inquiridos se seus nomes são normais.

ago 9, 2014 - Fragmentos Literários   

Dias dos Pais

Por Suely Braga

Dia Dos Pais segundo domingo de agosto, um dia especial a ser comemorado, embora todos os dias do ano sejam Dia dos Pais. Atualmente com a evolução e a era da comunicação acabou-se o pai machão, aquele que chegava do trabalho, sentava na poltrona e a mulher trazia-lhe o chinelo e o jornal. Com a emancipação da mulher, ela entrando no mercado do trabalho, deixou de ser apenas a dona de casa para ser parceira do homem, muitas vezes concorrendo com ele nas diversas profissões.

Mudou também a função do homem. Agora ambos trabalham fora, nesta correria maluca para adquirir o pão de cada dia. Muitos casais encontrando- se somente à noite, o homem passou a ser companheiro em todas as funções domésticas. O homem de hoje cozinha, passa,lava, troca fraldas, faz mamadeira, leva e busca as crianças nas cheches, nas escolas sem nenhum problema.

Muitos pais viúvos ou divorciados criam os filhos sozinhos, assim como muitas mulheres, realizando o duplo papel de pais e mães.Ainda existem muitos machões das gerações passadas, que conservam costumes ultrapassados e não ajudam as mulheres em nada, mas os machões estão em extinção.

Hoje ser pai é: Acompanhar o crescimento dos filhos. Estar presente em todos os momentos.

Ser amigo e companheiro.
Ser esteio nas horas difíceis.
Ser apoio e corrimão na escada da vida, luz na escuridão.

Não caminhar na frente, nem atrás, mas ao lado.
Ser confidente dos problemas e dúvidas dos filhos.
Ser compreensivo e carinhoso e sobretudo ser fonte de amor.

FELIZ DIA DOS PAIS!

Um grande abraço amigo.

OSÓRIO, 10 DE AGOSTO DE 2014.

jul 27, 2014 - Textos históricos   

Perda de três grandes escritores

Por Suely Braga

JOÃO UBALDO RIBEIRO – Nasceu em Itaparica em 28 de janeiro de 1941 e faleceu em 18 de julho de 2014. Foi escritor, jornalista, roteirista e professor. Teve algumas de suas obras adaptadas para a televisão. Membro a Academia Brasileira de Letras. Suas principais obras são: romance Sargento Getúlio, O Livro do Lagarto, Viva o Povo Brasileiro entre outras.

RUBEM ALVES – Nasceu em Boa Eperança, Minas Gerais em 15 de setembro de 1933. Morreu em Campinas em 19 de julho de 2014. Foi psicanalista, teólogo, educador e escritor. Deixa-nos um legado muito grande. Suas principais obras são: Ostra Feliz não faz pérolas, Coversa com quem gosta de ensinar, A alegria de ensinar, Pedagogia dos caracóis e muitos outros. Infantis: A menina e o pássaro, A volta do pássaro encantado e Pipa e a flor e outros.

ARIANO SUASSUNA – Nasceu em João Pessoa em 16 de junho de 1927 e morreu em Recife em 23 de julho de 2014. Foi dramaturgo, ensaísta e poeta. Suas principais obras são: O Auto da Compadecida, levado à televisão, o Romance d’A Pedra do Reino, o Príncipe do Sangue Vai-e-Volta. Foi o maior defensor da cultura do Nordeste Brasileiro.
Membro da Academia Brasileira de Letras e Doutor Honoris Causa de Universidade do Rio de Janeiro.

Fonte: internet
Osório, 26/07/2014

mar 25, 2014 - Contos   

Escrito para as Estrelas

Por Maria de Lourdes Werlang        

Letícia pinta com uma agulha, belas flores num  pedaço de tecido que será uma toalha de mesa. Enquanto ela solta sua criatividade nesse contexto de bordados, sua imaginação alça  voo  ao planeta dos sonhos. Lá se entrega  à  leveza das nuvens e com elas encontra um mundo de prazer, onde a felicidade tem as cores alegres do amanhecer.
        Letícia,  como toda jovem,  almeja encontrar seu príncipe encantado. Aos dezoito anos, conhece um  jovem belo e educado que cativa  seu coração. Durante vários meses, o namoro  acontecia como um conto de fadas. Tudo lindo!
        Num determinado momento, o destino cruel,  separa os dois.
        Passados alguns anos, Letícia encontra alguém que lhe oferece guarida  e muito amor. Ela carente e desprovida do convívio familiar, aceita  esse afeto e se une em casamento.
        Essa  mulher  que dominava a agulha e com ela criava desenhos coloridos sobre o tecido, não conseguia colorir o tecido da sua história. Ela provou o amargo da vida, mesmo recebendo de Deus, o tesouro dos filhos. Sempre atenta para manter um lar em harmonia, apesar dos desamores constantes. Seu coração desprovido de ódio e rancor  sempre encontrava o oásis do perdão para fortalecer seu amor à vida.
        Os anos se passaram, Letícia  e seu companheiro buscaram  um lugar silencioso para morarem, pois seus filhos já estavam adultos e seguiam seus caminhos.
        Amanheceu um lindo dia! Os acordes da natureza se mesclava entre o canto dos pássaros e o ruído das águas da cascata descendo  pelas  pedras.
        Ela acorda cedo, prepara  um  saboroso café para os dois, pois hoje era um dia muito especial, era o dia de  aniversário de casamento. Aguarda seu marido, na expectativa de um abraço carinhoso.  Roni levanta, vai até à cozinha, sem nada falar.
        – Mulher, onde está meu chapéu?
        – Ali no cabide, amor.
        – Vou fazer uma caminhada.
        Letícia desapontada, fala:
        – Eu posso ir contigo?
        – Não  Letícia, tu estás muito gorda, além de feia, ainda caminha devagar.
        Palavras podem  ter o  poder  de balas mortíferas, quando mal usadas. Os sentimentos daquela  mulher foram atingidos pelo  efeito letal  do que ouviu. O silêncio foi sua resposta. Apenas duas lágrimas insistentes  rolam  pela sua face sofrida.
        Depois da saída de Roni, ela pega seu chapéu e sai a caminhar por uma trilha da mata. Essa sim, ouve seus lamentos,  oferece sua sombra para seu corpo descansar, consola sua dor com o canto dos pássaros e ainda lhe proporciona o aconchego do silêncio.
        Ao voltar,  já restabelecida, Letícia segue sua rotina de vida. Ela não guarda mágoa, mas seu coração se fechou  aos afetos daquele homem.
        Um ano se passa, exatamente na mesma data, Letícia recebe a  notícia  de que seu companheiro  havia  sido atropelado na estrada quando fazia sua caminhada costumeira e havia morrido antes de chegar ao Hospital.
        A vida continua para essa mulher, porém agora escrevendo um novo capítulo da sua história.
        Vai em busca de fontes  de prazer, viagens, artesanato e serviços de assistência social.
Numa dessas viagens,  ela percebe  que um senhor  a observa muito. Fica um pouco tímida e se retrai. O homem chega até ela e pergunta:
        – Como é teu nome?
         Sou Letícia de Lima e você quem é?
        – Sou Alberto da Costa. Lembras de mim?
        – Oh! SENHOR! Como não lembrar?
        Ambos ficaram num estado de transfiguração. Falar para quê?!…
        Alberto  teria sido seu primeiro namorado e ela sua primeira namorada.
        Daquele dia em diante, completaram juntos e radiantes aquela viagem. Ambos estavam viúvos e o caminho aberto para os dois.
        Agora  aquela mulher sentia a força do amor, oriunda  do coração de um homem e à isso ela correspondia  com  toda sua sensibilidade.
        Durante o período de namoro, constroem  sonhos. Planejam a execução de uma Horta Comunitária para beneficiar o bairro e unir pessoas num mesmo objetivo.
        Alberto, sempre muito romântico, diz e repete:
        – Nosso amor estava escrito nas estrelas, por isso , essa nova chance em nossas vidas.
        Para homenagear essa  frase  do amado, ela está a bordar estrelas numa colcha que será usada na cama  do casal.
        Os dias passam e a data do enlace religioso se aproxima.
        Um cunhado de Alberto, irmão de sua  esposa falecida,   é  sócio dele numa fábrica de esquadrias. Ao se desentenderem,  Roque numa crise de fúria, puxa um facão que carrega  na cintura e grita, espumando de ódio:
        – Escolhe cara, ou tu ou ela vão morrer. Não vou deixar tu dividir o fruto do nosso trabalho com aquela megera…
        _ Calma Roque. O que é isso?! Respondeu assustado Alberto.
        _ Tou falando sério. Escolhe, se quer poupar tua vida, vou até a casa da megera e acabo com a vida dela, mas antes te deixo amarrado aqui.
        Alberto desprovido de qualquer forma de defesa, apenas sussurrou:
        -A Letícia não vais matar, não. Se queres me mata, covarde!
        – Roque finca o facão no peito de Alberto que cai já quase sem vida.  Ao ver o que tinha feito, Roque sai em disparada, mas é interceptado por um policial que passava por ali e logo foi  prestar conta à Justiça dos homens. Alberto é levado ao Pronto Socorro, mas já  sem vida.
        Na sua casa, Letícia acaba de bordar sua colcha e recebe a visita de sua melhor amiga e confidente.
        – Sarita tu nem imaginas, a felicidade que experimento em companhia do meu amado. As vezes penso que essa alegria  é tão intensa que meu coração nem vai aguentar. Dito isso,  Letícia  sente uma tontura e cai desacordada. Sarita a leva para o Pronto Socorro. Passados alguns minutos, ela sofre uma parada cardíaca e morre.
        Letícia morre num estado de felicidade, sem saber que realmente,  SEU AMOR ESTAVA ESCRITO “PARA” AS ESTRELAS!

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