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out 3, 2014 - Poemas   

Vale a pena ver de novo?

Por Evanise Gonçalves Bossle 

Vejo pela tevê
Minutos e mais minutos de quê?
Partidos novos e antigos,
rostos anônimos e outros conhecidos.
Prometem o mesmo
da última eleição,
segurança, saúde, trabalho e educação.
Só mudam a trilha sonora,
o discurso é igual.
E o pobre cidadão,
continua esperando a solução.
Vejo que o tempo passou…
Reencontro nesses poucos minutos,
candidatos da minha infância,
ainda com a mesma receita
de futuro e de sucesso.
Mas já não creio nessa rima.
O povo vive a mesma sina…
sem segurança, sem saúde,
sem trabalho e sem educação.

set 30, 2014 - Poemas   

O tempo certo

Por Artur Pereira dos Santos

É cedo e não existe pressa.
A vida ensinou a paciência.
A sentir as rédeas soltas pelo chão.
A ver, tolerar e prosseguir.

É tarde e já existe pressa.
A vida passou e pouco tem à frente.
A não ser trilhas desconhecidas
Em montes difíceis de subir.

É tempo certo de tantas cosias.
Desocupar-se de pequenas contas.
Ignorar as preocupações.

É tempo de só viver o hoje.
Esquecer os sonhos deixados às tontas
É tempo certo de talvez partir.

 

set 26, 2014 - Contos   

O vício

Por Artur Pereira dos Santos

    Já não estudava mais: o ciclo de estudos acabara após o quinto ano e ele sentia saudades dos livros que retirava na biblioteca da escola. Eram fábulas de Esopo, La Fontaine, contos de Andersen e tantos outros que hoje nem lembra.
    Nunca reclamou do pai por não tê-lo enviado à cidade vizinha para continuar estudando, mas não esquecia o fato de ouvi-lo dizer à mãe que se pudesse manter um dos filhos na escola escolheria sua irmã. Ele era homem e poderia trabalhar em qualquer coisa, ao contrário da irmã, que tinha apenas a possibilidade de se tornar professora e encontrar um bom marido.
    – Apaga essa luz guri! Agora esse vício de ficar lendo até tarde. Ainda tem outros pirralhos que vêm lá do centro trocar essas revistas contigo.
     – Não são revistas, são gibis: eles contam histórias de heróis que lutam contra o mal e sempre saem vencendo.
    – Aí que mora o perigo, retrucava o pai, sem atentar que na cabeça do filho muito além da importância dos cavalos roubados, do resultado do tiroteio nas planícies ou da frustração nas emboscadas armadas pelos bandidos ele conservava o hábito da leitura, numa época em que comprar livros ou mesmo revistas estava longe de seu alcance.
    Às vezes o Salmi, seu velho amigo de folguedos, deixava alguns gibis para que ele trocasse com outros meninos da vila e assim ampliavam a possibilidade de leitura. Roi Rogers, Durango Kid, Zorro, Cavaleiro Negro e outros, são rostos inesquecíveis, muitos deles aliados às suas montarias: Quem daquela época, que gostasse de ler gibis, não se lembra do Silver empinando no alto da colina no final de cada história.
    Com o tempo, o gosto foi mudando e Ellery Queen era o máximo, não havia caso insolúvel para o astucioso detetive. Depois vieram os livros de bolso escritos em língua espanhola, onde os mocinhos rolavam no chão, de um lado para outro e conseguiam desviar-se das seis balas do Smith & Wesson do bandido.
    Por fim os livros: Livros de verdade, enfileirados em sua memória sequiosa de letras e sonhos, engolidos noite a dentro, como ainda fazem suas filhas, que não descuidam de repassar o vício aos netos, estes já com leitura dirigida para os livros infantis e juvenis, conforme o caso.
     Hoje todos os cantos da casa respiram livros. Sabe que jamais se livrará do bendito vício, que causa dependência como todos os outros, com a diferença que educa e afasta das ruas.

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