set 26, 2014 - Contos   

O vício

Por Artur Pereira dos Santos

    Já não estudava mais: o ciclo de estudos acabara após o quinto ano e ele sentia saudades dos livros que retirava na biblioteca da escola. Eram fábulas de Esopo, La Fontaine, contos de Andersen e tantos outros que hoje nem lembra.
    Nunca reclamou do pai por não tê-lo enviado à cidade vizinha para continuar estudando, mas não esquecia o fato de ouvi-lo dizer à mãe que se pudesse manter um dos filhos na escola escolheria sua irmã. Ele era homem e poderia trabalhar em qualquer coisa, ao contrário da irmã, que tinha apenas a possibilidade de se tornar professora e encontrar um bom marido.
    – Apaga essa luz guri! Agora esse vício de ficar lendo até tarde. Ainda tem outros pirralhos que vêm lá do centro trocar essas revistas contigo.
     – Não são revistas, são gibis: eles contam histórias de heróis que lutam contra o mal e sempre saem vencendo.
    – Aí que mora o perigo, retrucava o pai, sem atentar que na cabeça do filho muito além da importância dos cavalos roubados, do resultado do tiroteio nas planícies ou da frustração nas emboscadas armadas pelos bandidos ele conservava o hábito da leitura, numa época em que comprar livros ou mesmo revistas estava longe de seu alcance.
    Às vezes o Salmi, seu velho amigo de folguedos, deixava alguns gibis para que ele trocasse com outros meninos da vila e assim ampliavam a possibilidade de leitura. Roi Rogers, Durango Kid, Zorro, Cavaleiro Negro e outros, são rostos inesquecíveis, muitos deles aliados às suas montarias: Quem daquela época, que gostasse de ler gibis, não se lembra do Silver empinando no alto da colina no final de cada história.
    Com o tempo, o gosto foi mudando e Ellery Queen era o máximo, não havia caso insolúvel para o astucioso detetive. Depois vieram os livros de bolso escritos em língua espanhola, onde os mocinhos rolavam no chão, de um lado para outro e conseguiam desviar-se das seis balas do Smith & Wesson do bandido.
    Por fim os livros: Livros de verdade, enfileirados em sua memória sequiosa de letras e sonhos, engolidos noite a dentro, como ainda fazem suas filhas, que não descuidam de repassar o vício aos netos, estes já com leitura dirigida para os livros infantis e juvenis, conforme o caso.
     Hoje todos os cantos da casa respiram livros. Sabe que jamais se livrará do bendito vício, que causa dependência como todos os outros, com a diferença que educa e afasta das ruas.

set 25, 2014 - Últimas Notícias   

Escritora da AELN no Projeto Ler é Poder

Escola Dêntice

A escritora Célia Victorino participou do Projeto Ler é Poder, da Secretaria de Educação do Município de Tramandaí. Na ocasião foram apresentados os livros de Educação Ambiental da escritora, que mostrou formas de trabalhar a leitura tornando-a uma aventura. O trabalho foi realizado em dois turnos, tarde e noite, e contou com a presença de professoras do ensino fundamental que assistiram a palestra sobre Meio Ambiente ilustrada por um vídeo. No final de cada turno foi realizado um sorteio dos livros da escritora Minha Rua, Meu Bairro, Minha Cidade e Canibais da Natureza.

Fonte: Assessoria de Imprensa da AELN

set 24, 2014 - Fragmentos Literários   

Ser normal

Por Artur Pereira dos Santos

O conceito de normalidade nunca me soou tão estranho quando a atendente da farmácia perguntou se o meu nome era normal. Entendi de pronto o que ela queria dizer e disse que sim, que era bem normal, tanto que eu o possuía há setenta e três anos e ninguém havia contestado, nem mesmo o escrivão quando perguntou ao meu pai na hora do registro, senão o meu velho teria me contado. Ela sorriu, entendeu a brincadeira e corrigiu a pergunta, – seu nome é escrito com ou sem (h) agá?

Expliquei-lhe que só conhecia, além de mim, outro exemplar que ainda mantinham o nome com se escrevia antigamente. Que tinha três sobrinhos netos, não, sobrinhos bisnetos, com este nome, mas que eu havia avisado a seus pais: Querem colocar este nome coloquem, mas avisem a eles que sempre serão perguntados se seus nomes são com ou sem agá, até que sejamos meu mestre de marcenaria e eu, completamente extintos da face da terra, e as atendentes sejam jovens.  Eventualmente, se forem atendidos por alguém de idade avançada, poderão ainda ser inquiridos se seus nomes são normais.

set 22, 2014 - Últimas Notícias   

Escola Tamandaré homenageia escritora da AELN

Dia seis de setembro de 2014, na caminhada cívica comemorativa à Independência do Brasil, a escritora Leda Saraiva Soares, membro da AELN, foi homenageada pela  Escola de Ensino Fundamental “Almirante Tamandaré” – Tramandaí,  na qual se alfabetizou e  para a qual  foi designada a lecionar após concluir o curso de Magistério na Escola Normal Dom Feliciano – Gravataí.

Escola Tamandaré homenageia escritora da AELN

Fonte: Assessoria de Imprensa da AELN

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