Por Mariza Simon
Não simpatizo com a ideia de uma data dedicada somente à mulher. Acredito na parceria homem-mulher. Ambos os sexos são merecedores de uma homenagem especial. Mesmo assim, sendo a data comemorada na maioria de países de nosso planeta , por solicitação, não vou me furtar a dar algumas opiniões.
Não resta dúvidas de que a mulher conquistou, e merecidamente, seu lugar nas sociedades ocidentais. Usos e costumes mudaram ao longo dos últimos cinquenta anos. Para minha geração (década de 30) aconteceram avanços significativos para a afirmação do sexo feminino.
Lembro-me de meus tempos de juventude.“Moça não saia sozinha á noite, não namorava sem a presença de um dos pais(geralmente a mãe ou uma tia solteirona), o namoro não passava da troca de olhares ou de um furtivo aperto de mãos, a virgindade era uma questão intocável (as moças “faladas” não frequentavam os bailes da sociedade), oportunidades profissionais eram raras (só o magistério acenava como uma ocupação longe do fogão), enfim eram tantos os óbices impostos às mulheres que a maior realização era o casamento, que lhes dava condição de sair da casa dos pais, e tantas outras situações particulares.
Não pretendo generalizar este comportamento mas, na sua maioria, as mulheres se limitavam a servir ao marido, ter filhos e gerir o lar, ( as tão endeusadas “donas- de- casa”, sustentáculos da família, que mascaravam as angústias e questionamentos femininos). A ativista Betty Friedan revolucionou o mundo feminino com seu movimento nos Estados Unidos, (década de 60) logo seguido por outros países, com diferentes graus de intensidade. A tese defendida pelo seu trabalho literário- “Mística Feminina” (1963) abriu espaço para movimentos reivindicatórios de mulheres em diferentes lugares.
Porém, o contraceptivo hormonal (a pílula) lançado em 1960 nos Estados Unidos , foi a libertação social da mulher. Movimentos como os de Woodstock, dos “hippies-paz e amor”, a efervescência da juventude foram importantes para mudarem os costumes e abrirem significativos caminhos.
Após o surgimento da “pílula” a mulher tornou-se dona de seu corpo e de seu prazer. Foi sua independência, uma revolução cultural, pois já não estava mais atrelada a preconceitos e submissão. Nos 50 anos seguintes , foi conquistando posições com seu esforço e trabalho ,num mundo, até então ,somente masculino.
Neste séculoXXI, se faz necessária uma reflexão sobre as conquistas das mulheres e seu papel social como parceira do homem, em busca de um mundo mais harmonioso e desenvolvido, com oportunidades para todos. Em alguns países europeus já se encontram questionamentos e indagações sobre as consequências sociais da liberação feminina, buscando um novo redirecionamento do papel feminino na sociedades modernas.