set 25, 2010 - Poemas   

Rubem Alves

Rubem Alves

Por Ulda Melo


Sou você

No desejo

Nos versos que sinto

Leio e vejo

Na cena que encena

No teu, o meu

Modo de ser.

Roubo de ti

Minha alma

Faço contigo

A comunhão

Dos pensamentos

Que leio e releio

Em minha memória

Laçando dos teus

Escritos, simbologias

Presentes em minha historia.

Vampiriso em sangue doce

Por veias entrelaçadas…

A inspiração do teu escrever,

Por vezes tão arrebatador

Ou apenas o incompreendido,

Incomparável, educador.

Teu pensamento

Move-me em viagem cósmica

Do ser ou não ser

Que na duvida afirmo com

Consistência a tua existência

Reabilitando no professor

Pinceladas de amor

Que ao descrevê-lo

Pensa em um artista

Frente à tela inacabada

Risca paisagem de vida

Com alegria e dor.

Heresia seria descrevê-lo

Sem arrebatá-lo em versos

De loucura com vieses

De meiguice e travessura

Do poeta que transporta

Palavras em buquê de flor

Transformando seu leitor

Na mais bela amante

Cortejada pelo proibido

E primeiro amor.

set 25, 2010 - Poemas   

O poeta

O poeta

Por Ulda Melo

Homem em doce menino
Com inspiração universal
Transgredindo regras
Em escrita magistral.

Em tênue bailado
Com ritmo em som de letras
Poetizava palavras
Em orquestra de anjos
Tocando trombetas.

Sua poesia é assim
Encanto, magia
Pedaço de nuvem
Cobrindo jardim.

Sua poesia é perfume
Embriagando o prazer
Fazendo mentes amorfas
Em vida transcender.

Sua poesia é flor
Enfeitando espinho
Servindo sangue
Em cristal taça de vinho.

Tu, poeta, profeta
Que em versos edifica
A figura humana
Segue travestindo vidas
Em anjo e luz
Como o inesquecível
Mário Quintana.

set 24, 2010 - Últimas Notícias   

Bibliotecas vão receber revistas culturais

Bibliotecas vão receber revistas culturais

O Ministério da Cultura (MinC) divulgou hoje (16 de setembro) no Diário Oficial da União (Seção 1, página 10) a lista final dos selecionados no Edital de Periódicos de Conteúdo Mais Cultura.  As 12 publicações escolhidas vão compor o acervo de bibliotecas públicas. Ao todo o MinC investiu R$ 5,2 milhões para a aquisição de 7 mil assinaturas de cada uma das publicações.

A seleção pretende popularizar materiais de leitura, estimular o hábito da leitura e despertar o pensamento crítico, disponibilizando a populações urbanas e rurais, freqüentadoras de espaços culturais públicos, publicações com conteúdos diversificados e de qualidade. Por isso, as obras serão distribuídas a bibliotecas públicas, Pontos de Leitura, Pontos de Cultura e outros equipamentos e espaços culturais indicados pelo Ministério da Cultura. Devido à legislação eleitoral, as revistas  só serão enviadas após as eleições.

Revistas, jornais e publicações de quase todas as regiões do país enviaram propostas ao edital. Ao todo foram 62 inscritos. Deste total, 12 foram contempladas – inicialmente seriam quatro, mas o edital previa a ampliação em caso de maior disponibilidade orçamentária.

Os periódicos que participaram do edital deviam, obrigatoriamente, desenvolver conteúdo sobre Cultura, Sociedade, Artes, Política e Economia, com ênfase mínima de 35% da publicação para Cultura e Artes. Além disso, tinham de oferecer um desconto de, no mínimo, 30% sobre o preço de assinaturas individuais.

Cada periódico foi avaliado por, no mínimo, dois integrantes da Comissão de Avaliação, que usaram como critérios a proposta editorial, a qualidade estética, o compromisso socioambiental e a repercussão da publicação.

Os periódicos que vão compor o acervo das bibliotecas e demais espaços culturais são: Brasileiros, Cult, Viração, Rolling Stone, Raça Brasil, Piauí, Carta na Escola, Jornal Rascunho, Fórum Outro Mundo em Debate, Le Monde Diplomatique Brasil, Caros Amigos e Almanaque Brasil de Cultura Popular. O resultado final não cabe interposição de recursos.

Visando fomentar e contemplar outras publicações, o Ministério da Cultura irá lançar, através do Fundo Nacional de Cultura (FNC), o Edital para Fomento de Periódicos Literários.

Fonte: MinC – Ministério da Cultura

set 21, 2010 - Contos   

Abdução

Abdução

Por Evanise Bossle

É noite de um vinte ou vinte e um de junho qualquer. Mas já é tarde, duas horas da manhã. Eu durmo em meu quarto, quando ouço um som estranhamente azul, são harpas, violoncelos, tambores e teclados. Levanto-me com meu pijama da Hello kit branco e abro a porta da sacada do 5º andar. Dali vem o som todo azul. Dali vem uma estranha fumaça triangular e dela sai uma pequena escada toda prata. Não penso, é parte de um sonho talvez, simplesmente subo a escada e vejo-me no interior da fumaça também prata. O som harmonioso de um tom de azul turquesa é calmo, mas nitidamente mais forte ali dentro. Não há ninguém, apenas uma luz forte no centro do triângulo. Sinto um movimento semelhante ao movimento de um elevador quando sai do térreo em direção ao 18º andar, não há outro som além do azul de harpas, violoncelos, tambores e teclados.
Outro movimento suave, parece-me ainda um elevador parando. Desço do triângulo prata pela mesma escada. Agora, o que vejo é estranho, peculiar, uma porta altíssima de igreja medieval, ultrapasso-a, e mais outra, e mais outra, sucessivas portas metálicas, amarelas reluzentes. Há entre elas inúmeros raios de sol que vêm de um lugar ainda mais alto que as inúmeras portas, são raios de uma luz muito forte que fere a visão. Esses raios de luz chocam-se com o solo, que é também de um amarelo vibrante. Não consigo visualizar o interior dos portais. A luz intensa impede-me. Agora, sim, parece que ultrapasso a última abertura. Há um salão oval, também amarelo, muito amarelo. O som aqui já não é azul, é todo metal, não há mais cordas, embora também seja um metal suave. Parece-me que o que cria o som são meus próprios passos no solo. Aqui vejo pela primeira vez depois da sacada, seres, são três homens de longas batas prateadas, não possuem cabelos, mas são o que poderíamos classificar de belos homens, não magros, mas fortes. Parecem irmãos tamanha semelhança, talvez pela careca reluzente e pela bata. Estão de pés descalços, mas não visualizo todo o pé, porque a bata toca o chão. Estão sérios, mas de uma seriedade acolhedora, parecem conhecerem-me a muito, mas nunca os vi. Não há palavras. Nem eu tenho nada a perguntar, parece-me que sei a resposta, as informações apenas chegam em meu cérebro tal qual estivesse em silêncio lendo um livro.
Sei do que se trata,… Agora um deles se aproxima, toca-me os cabelos, meus longos cabelos cacheados da cor daquele solo. Seu toque é suave, sinto sono, muito sono, um sono incontrolável, sinto-me desfalecer em seus braços. Outra vez o som azul, mas agora o som está indo embora. A luz da fumaça prata vai embora. Agora permanece o sono na cama do 5º andar.
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