maio 9, 2011 - Últimas Notícias   

Dicionário de Mulheres

A escritora e pesquisadora gaúcha Hilda Agnes Hübner Flores lança no Memorial do RS, em Porto Alegre, no dia 17 de maio, o livro “Dicionário de Mulheres”. Entre as mulheres da literatura brasileira presentes no livro está a professora – e atuante membro da AELN – Suely Braga, osoriense ícone da literatura litorânea.

Suely Braga, a intelectual sonhadora

Por Delalves Costa

“Uma intelectual sonhadora”, assim a define a professora e escritora Tereza Gamba. Contista, cronista e poeta, Suely Braga tem despertado enorme atenção do público leitor e da crítica, vencendo concursos literários e participando de obras em diversas cidades brasileiras. Sempre munida de palavras e detentora de uma voz aveludada, por onde passa atende a todos sem distinção, cativando crianças e adultos sempre esboçando prazer nos olhos. Detalhista, tem no olhar a perícia de um fotógrafo em busca do registro mais fiel à realidade, com imagens deslumbrantes tecidas com letras, sons e gestos que saltam da página. Ser a Escritora Homenageada da 25ª Feira do Livro de Osório, neste ano de 2010, é muito pouco para uma escritora que já fez muito pela literatura em Osório e região. Mas antes tarde do que nunca. Com certeza, os momentos em que dará o ar de sua graça no Largo dos Estudantes, durante a feira do livro, serão inesquecíveis à comunidade, pois em cada passo desta operária das palavras seguem-se as pegadas de uma mulher que dedicou sua vida à literatura, quer seja como professora quer seja como escritora.
Em depoimento proferido por Tereza Gamba, escrito especialmente para a orelha do livro “Os últimos acordes do concerto” – obra que Suely publicou em 2007 pela editora Alcance, de Porto Alegre –, fica o registro eterno do quanto a nossa escritora homenageada tem se dedicado ao mundo das palavras. Tereza não mede elogios à amiga, ao dizer que “Suely é uma amiga muito especial de todos os tempos, (…). É uma intelectual sonhadora”. E completa: “Nesse seu andar como educadora, como orientadora educacional e acima de tudo como professora de Português e Literatura, sempre marcou e vem marcando cada vez mais, ser uma amante das palavras, que se manifesta no seu dom de escrever (…)”.
Já para a professora Naura Martins, que prefaciou o livro da autora de contos e crônicas, Suely é singular, que demonstra o domínio da narrativa, com uma prosa entremeada de ação, em movimentos que se cruzam estabelecendo amarras nas vivências das personagens que povoam as histórias contadas num estilo às vezes leve, outros em tom mais sério.
Para o escritor e poeta Delalves Costa – atual presidente da AELN/RS –, discípulo e admirador confesso da autora, “em Os últimos acordes do concerto, as palavras são transformadas em estruturas palpáveis, realizando uma verdadeira autópsia ma vida íntima de suas personagens. Suely, através de seu minucioso detalhar, recolhe as cotidianidades dos mais diversos ângulos e formas. Ao ler seus textos sente-se as imagens em alto-relevo, o dia a dia desenhado pela perfeita harmonia entre realidade e ficção”. Seus textos, seja na prosa ou seja no verso, captam o leitor pela linguagem fluente, poética e madura. Atenta aos assuntos que envolvem a comunidade nas áreas de cultura e educação, não mede esforços para participar ativamente das atividades e dos eventos, brindando a todos com suas sábias palavras.
A escritora Suely Eva dos Navegantes Braga é sócia-fundadora da AELN., além de colecionar importantes prêmios literários, participa publicando poesias, contos e crônicas em inúmeras coletâneas. Também, participou de várias oficinas literárias, inclusive com Moacyr Scliar e Charles Kiefer. “Os últimos acorde do concerto” é o único livro solo, contendo vinte dois contos e oito crônicas, em sua grande maioria premiados ou classificados nos concursos literários. Nasceu em Santo Antônio da Patrulha, mas ainda menina mudou-se para Osório, onde reside até hoje. É pós-graduada em Orientação Educacional pela PUC/RS. Dedicou sua vida profissional ao Magistério, tendo lecionado Literatura e Língua Portuguesa em várias escolas do município de Osório e desempenhado a função de Orientadora Educacional.

Leia mais sobre Suely Braga em:

Escritora da AELN homenageada na Feira de Osório

Escritora Suely Braga fala sobre a vida literária em Osório

maio 8, 2011 - Poemas   

Na última morada

Na última morada

Por Artur Pereira

Que meus pés se cubram com cravos;
De preferência brancos ou  vermelhos;
Crescidos ali mesmo, no Campo Santo;
Nascidos do pólen levado pelo vento;
Ou retirados de algum túmulo antigo;
E jogados por parentes lá num canto.

Nas pernas folhagens de raízes fortes;
De onde se elevem folhas aveludadas;
Que se enrolem em meus tornozelos;
Pois neles costumo sentir muito frio; e,
Dependendo da posição de meu corpo;
É possível que não possa aquecê-los.

No peito. Ah, que no peito nasçam  rosas;
De preferência as mais perfumadas;
Que sejam de cores diversas, mas rosas;
Que me deixem o coração agasalhado
Pois na vida teve alegrias e tristezas;
Às vezes, nada.

maio 2, 2011 - Últimas Notícias   

Biblioteca de Osório cria blog

A Biblioteca Pública Municipal Fernandes Bastos, em Osório, agora tem um endereço na web, o blog  da biblioteca pode ser acessado no seguinte endereço http://pmobiblioteca.wordpress.com/.

O blog tem como objetivo disseminar com maior abrangência e rapidez as atividades que estão sendo desenvolvidas e as novidades que estão surgindo dentro da Biblioteca para toda a comunidade.

Todos podem participar da construção diária do blog através de sugestões, trocas de experiências sobre promoção de livros, leituras, literatura, Bibliotecas e outros assuntos socioculturais, bem como indicação de novas aquisições bibliográficas de através do e-mail: pmobiblioteca@hotmail.com.

A Biblioteca Pública Municipal Fernandes Bastos já está também com o catálogo bibliográfico on-line onde pode ser acessado pelo endereço: http://bibliotecaosorio.servehttp.com:8080/biblivre2 ou direto pelo site da Prefeitura Municipal de Osório.

Fonte:
Rosane Hammel
Bibliotecária CRB10/1007

maio 2, 2011 - Contos   

Dignidade na lama da sarjeta

Dignidade na lama da sarjeta

Por Leda Saraiva, 07.01.2011

O sol pouco se mostrou neste dia de verão. A tarde já estava de partida sem aquele pôr-do-sol que inunda a alma de alegria como a força que emana de uma obra de arte e que nos faz sonhar com um novo amanhecer. Nuvens cinzentas cobrem o céu, deixando transparecer alguns espaços, como retalhos coloridos de um azul acinzentado que faria de tudo para ser celeste. A cara feia do fim de tarde induz a um recolhimento extremamente silencioso, quase melancólico. Da janela da sala onde trabalho, vejo um pássaro apressado pousar no frágil galho da espirradeira que se balança com  tamanha afobação da ave. Tão logo pousa, abre as asas quase em desespero, infla o peito e com toda a força de que é capaz canta, ou melhor, grita estridentemente como a anunciar uma catástrofe sísmica. Outros pássaros se achegam disputando espaço na espirradeira que se alteia pela cerca e se debruça sobre o jardim na frente da casa. A amendoeira que há dois invernos rigorosos quase feneceu, embora tenha perdido seus principais galhos que a tornavam mais alta, recupera-se. O jambolão, na calçada, impõe-se com sua copa harmoniosamente redonda, quase alcançando a rede elétrica pública. Estas árvores, ao entardecer, são uma festa para os pássaros. São pousadas de infinitas estrelas.

É fevereiro na praia. Mês nobre de veraneio. Mas, na minha rua, não passa uma viva alma. Os cães, prenunciando alguma coisa, silenciam seus latidos e buscam algum refúgio. Nas varandas das casas a ausência de pessoas torna a rua mais triste ainda. O silêncio é tão profundo, revestido de cinza, que chega a incomodar. Sabe, quando esse tipo de situação nos inquieta e ficamos como os cães, de um lado para outro… Parece que está prestes a se desencadear algum fenômeno… E ficamos impedidos de fazer qualquer coisa, embora o que fazer não nos falte? Dou uma volta pela casa e volto novamente para escrivaninha, diante da janela. Entre a leitura de uma página e outra,  levanto os olhos para contemplar o que se passa lá fora.

Uma voz me chama:

-Senhora!  Senhora!

Levanto-me. Olho para o portão. Uma senhora, veranista.

-Pois não?

-Senhora, há um homem caído ali na sarjeta… Não estou com meu telefone. A senhora poderia chamar alguém para socorrê-lo?

-Vamos ver o que há com ele. Será que teve algum mal-estar ou…

Ela me acompanhou. Chegamos bem perto do acidentado. Bicicleta para um lado homem para outro, estatelado na sarjeta lamacenta. Quem seria?  Como seria sua família? Tinha mulher e filhos? Onde morava? Aparentava meia idade, estatura média. Era claro, talvez descendente de italiano ou alemão. Suas roupas não tinham cor ou tinham se revestido com a cor do entardecer sombrio. Via-se que era uma pessoa simples. Barba por fazer… Não se mexia. Logo pensei que estivesse morto. Por várias vezes o chamamos: “O que houve com o senhor?!” Parecia morto ou desmaiado. Depois de algum tempo em que o observávamos, abriu os olhos. Olhou-nos sem nos ver. Nada respondia. Entrei em casa, pequei o celular e do jardim  disquei para o “190”. Expliquei a situação. A resposta foi pronta: “Não temos viaturas, senhora. Estão todas nas ruas prestando atendimento aos chamados: gente esfaqueada, brigas, acidentados, afogados, agressões familiares… Drogas…”

-Então o que faço com esse homem caído na sarjeta?

-Telefone para o SAMU. Disque para o número tal.

Sem deixar de olhar para o homem, tentava ligar para o SAMU. Falava em voz alta pelo nervosismo e inquietude que a situação me causava. Enquanto estou telefonando, chegam aos meus ouvidos os gritos do homem:

-Fala!…  Fala!…  Fala!… Fala!…

“Ainda bem que não está morto”- pensei.

A recepcionista do SAMU ouviu minha história e me passou para a pessoa responsável por tal tipo de atendimento. Expliquei mais uma vez o ocorrido. A resposta foi direta:

– Não podemos fazer nada, senhora, porque não se configura um acidente. A senhora telefone para a Brigada Militar, “190”.

-Já telefonei. Não há viatura disponível. Sugeriram que ligasse para vocês. O homem está caído na rua, próximo á sarjeta. Há o perigo de ser atropelado a qualquer momento. Só depois de ser atropelado é que devo chamar o SAMU?

-Infelizmente, nada podemos fazer.

E eu? O que faço?

A senhora que me chamou para prestar socorro àquele pobre homem, permaneceu ao meu lado o tempo todo. A informação que se tem, quando nos deparamos com alguém acidentado “é não removê-lo para evitar algum agravamento da situação”. Continuamos a observá-lo de longe. Conseguira sentar-se. Só então percebemos que estava com sinais evidentes de embriaguês. Fiquei mais tranquila porque até parece que bêbados são protegidos por anjos…

Na rua, somente a senhora veranista que passava, eu, o bêbado e o silêncio triste daquele entardecer. A situação fugia de nosso controle. Um pouco afastadas, enquanto pensávamos que providências deveríamos tomar, o homem fez um grande esforço e conseguiu levantar-se. Ergueu a bicicleta. Desequilibrou-se  e caiu de cara no lodo da sarjeta com  bicicleta e tudo. Ali ficou por mais um tempo, caído, com sua dignidade enlameada na sarjeta. Fez mais uma tentativa. Levantou-se com dificuldade. Ergueu a bicicleta. Apoiado nesta, como se fosse um andador e bem devagarinho, foi andando rua a fora…

Os passarinhos calaram-se acomodados nas árvores.

Não consegui nem perguntar o nome da senhora que permaneceu comigo naquela situação. Quando me dei conta, já não estava mais ali.

E o silêncio cinzento encobriu a rua.

maio 2, 2011 - Poemas   

Sou assim…

Sou assim …

Por Rosalva Rocha – 11/04/2011

Já não delimito meu espaço
Ele passou a ser imenso
Propenso
Para tudo o que quero
Seja no verão
Ou no inverno

Quero ar
Vento
Brisa
Campo
Um recanto
Para o meu canto
De alegria ou
Lamento

Janelas e portas abertas
A lua esperando
Meus pedidos
Singelos
Sinceros
Feito criança
Que dança
Ao som do nada
E do nada se abastece
Porque tem todos os espaços

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