maio 8, 2011 - Poemas    Sem comentario

Na última morada

Na última morada

Por Artur Pereira

Que meus pés se cubram com cravos;
De preferência brancos ou  vermelhos;
Crescidos ali mesmo, no Campo Santo;
Nascidos do pólen levado pelo vento;
Ou retirados de algum túmulo antigo;
E jogados por parentes lá num canto.

Nas pernas folhagens de raízes fortes;
De onde se elevem folhas aveludadas;
Que se enrolem em meus tornozelos;
Pois neles costumo sentir muito frio; e,
Dependendo da posição de meu corpo;
É possível que não possa aquecê-los.

No peito. Ah, que no peito nasçam  rosas;
De preferência as mais perfumadas;
Que sejam de cores diversas, mas rosas;
Que me deixem o coração agasalhado
Pois na vida teve alegrias e tristezas;
Às vezes, nada.

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