Lembrando o Dia do Escritor

Lembrando o Dia do Escritor

Por Mariza Simon

O ameaçador augúrio já apareceu nos anos 60 e 70: os sinistros avisos proféticos da morte da literatura e do livro. Muitos pensadores constatam a desimportância da literatura nos dias de hoje e a atribuem ao desaparecimento dos grandes escritores, que representavam a consciência moral e intelectual de seus povos, a exemplo de Victor Hugo, Proust,Tolstoi, Zola, Bernard Shaw, Sartre entre tantos outros. Escritores que formataram o pensamento e a sensibilidade de sua época foram substituídos pelos nomes da cultura de massas e da cultura pop. Neste novo século o irrelevante se tornou o máximo do conhecimento. Alguns escritores atuais preconizam o crepúsculo da atividade literária, acusando os professores culpados por não oferecerem leituras efetivamente vitais aos seus alunos universitários.

O progresso tecnológico trouxe o surgimento de novas artes e de novos gêneros. O domínio dos meios audiovisuais tornou-se absoluto em nossos dias. Tecnologias mais recentes , como a Internet, aprofundaram o caráter terminal da literatura e do livro. Nas livrarias cada vez maiores espaços para CDs e DVDs. Acontecerá de, no futuro, os livros serem relegados aos cantos escuros e às prateleiras escondidas, vistos como curiosas velharias de um tempo remoto ?

Sentencia-se o fim da Era Gutemberg. Atribui-se o declínio da letra impressa ao individualismo e ao narcisismo contemporâneos que, gerando uma sociedade do efêmero, (“Tudo que é sólido se desmancha no ar”) aboliram o interesse pelo passado e a preocupação com o futuro. A natureza mercantilista das relações humanas, do aqui-agora, do eterno presente, do trivial transformar-se-ão no esquecimento de amanhã? Nestes tempos nada permanece: o sucesso é efêmero,o entretenimento é passageiro, as palavras caducam e se liquefazem.

Com estas premonições, algumas discutíveis, outras aparentemente falsas, podemos concluir que diante de tais argumentos, nós escritores, seremos uma espécie extinta em algumas dezenas de anos, assim como foram os dinossauros há milhões de anos passados.

Apesar de tudo resistimos às ameaças que pairam sobre os livros que amamos, as leituras que fazemos, as palavras que escrevemos. Por uma questão de bairrismo, regionalismo , seja o que for, não podemos renunciar àquilo que até nos torna seres anacrônicos em um mundo onde tudo parece estar condenado à brevidade e à falta de transcendência. Mas – teimosos e visionários- nós encararemos o infinito sombrio e não desistiremos.

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