Juca Maciel, aos 60 anos.

JOSÉ MACIEL JÚNIOR (JUCA MACIEL) – TRAÇOS AUTOBRIOGRÁFICOS

“Quando menino era muito tímido e, consequentemente muito retraído, preferindo
mais estar junto de meu saudoso pai, ouvindo suas palestras com pessoas da época, as quais,
em sua maioria, quase sempre versavam sobre acontecimentos anteriores, que me fazia
brincar muito pouco, com a juventude do meu tempo. Muitos fatos apontados, naquelas
oportunidades, por mim foram gravados pela memória.
Creio firmemente que a principal motivação que deu origem à minha tendência e
gosto pela história e suas reminiscências tenha sido fruto exclusivo dos primórdios de minha
vivência, meio ambiente esse somado a uma pequena parcela de vocação.
Em certa ocasião, resolvi manusear e ler tudo que considerava de valor histórico,
conseguindo assim um vasto campo de informações a respeito de Santo Antônio da Patrulha.
Em 1949, visitando a Câmara Municipal de Vereadores, consegui extrair todos os
extratos de suas atas, a partir do ano de 1836 até 1937, bem como de correspondências
recebidas e expedidas a partir do ano de 1821 até 1937. De posse destes documentos, me foi
possível realizar várias pesquisas na Cúria Metropolitana, Arquivo Púbico do Estado, Museu
Julio de Castilhos, Instituto Histórico e Geográfico e em arquivos particulares, como seja o de
meu pai que conservo com todo o carinho e zelo, arquivo esse que data de 1880, inclusive
vários documentos da Câmara Municipal que estavam condenados à incineração.
Possuo uma apreciável galeria de fotografias antigas da Vila de Santo Antônio, de
aspectos hoje já desaparecidos através de reformas, como sejam ruas, casas, locais históricos,
etc.
Devo frisar para melhor evidenciar minha vocação que quando eram realizadas
sabatinas na escola e que versavam sobre história, sempre era o primeiro da classe, pois era
muito assíduo à leitura de biografias dos grandes vultos, enfim, de tudo que dizia a respeito
aos nossos antepassados.
Quando tinha conhecimento de que alguma família possuía retratos e documentos
antigos, solicitava e lia os mesmos com toda a atenção, anotando dados interessantes, etc.
Sou natural deste município, onde nasci aos 11 de julho de 1904 (na casa do meio da
rua, na Cidade Alta, na confluência da Av. Borges de Medeiros com a Rua Marechal Floriano).
Casei com Lucia Maciel em 1938, e são meus pais, já falecidos, o Cel. José Maciel, Coronel da
Guarda Nacional, e Lucilia Carolina Fettermann Maciel, os quais foram educados no trabalho e
frequentaram na idade escolar colégios de curso primário.

Em 1917, conclui o Curso Primário no Grupo Escolar de São Francisco de Paula, tendo
anteriormente estudado numa aula primária da Vila de Santo Antônio da Patrulha.
Em 1918, fui para Nova Trento, antigo distrito de Caxias do Sul, hoje sede do município
de Flores da Cunha. Em Nova Trento fui para a companhia de minha irmã Jesuína, casada com
o médico italiano Carlos Giacomo Conti, ocasião em que tive o ensejo de receber algumas
noções das línguas inglesa e francesa.
Em 1919, fui trabalhar como caixeiro de um armazém no interior deste município, e
em 1920 transferi-me para Porto Alegre, onde me empreguei no comércio, e onde também
estive até o ano de 1930, retornando para Santo Antônio, por haver sido nomeado titular do
Cartório de Imóveis, no qual me encontro até a presente data (1970).
Finalmente, todas as pesquisas históricas de minha autoria foram publicadas na
imprensa – Correio do Povo, Informação, Patrulhense, na Revista do Museu Júlio de Castilhos,
onde constam os extratos de atas e correspondências expedidas e recebidas, e em outros
órgãos de imprensa da região e da capital.
Eis em resumo, as informações que tenho a satisfação imensa de fornecer a meu
respeito, em relação à história, que, desde há vários anos, eu venho procurando fazer deste
município, interligando-o com pessoas até de outros pagos que aqui tiveram seus ancestrais,
focalizando seus acontecimentos, enfim, escrevendo tudo que julgo de importante, retratando
os fatos com toda a veracidade que me é possível.”
Juca Maciel e Lucia Maciel tiveram quatro filhos: Fernando José, cirurgião dentista,
casado com Maria Jussara Maciel, com dois filhos e dois netos; Véra Lucia, socióloga e
historiadora, casada com João Baptista Possa Barroso, com duas filhas e três netos; Antonio
Carlos, médico, casado com Carmen Lúcia Carone Maciel, com dois filhos e quatro netos; e Ana
Clara Maciel, que foi casada com Alcione Camargo, com um filho e uma neta.
Faleceu em 29 de janeiro de 1987, com 82 anos.
Antes de falecer, a família vinha reunindo suas reminiscências para publicá-las em
livro. Quando ele adoeceu, no final de 1986, foram escolhidas algumas delas, para rápida
editoração da obra. Soube da organização do livro, ficou feliz, mas partiu antes do seu
lançamento, em abril de 1987, quando do aniversário do município. Para sua viabilização,
recebeu apoio da Prefeitura Municipal, através do Prefeito Onildo Raphaelli.
Atualmente, vem sendo preparada a segunda edição do livro, contemplando textos
inéditos, além da revisão da primeira edição.