Luiz Antônio Alves lança “Criúva: um povoado brasileiro” dia 19 de agosto, às 18h na Secretaria de Cultura de Caxias do Sul, e no dia 21 de agosto, às 10h no Salão Paroquial de Criúva. Para mais informações acesse www.fuj.com.br


O novo livro do escritor caxiense Luiz Antônio Alves encarna quatro personalidades que fazem parte de sua vida literária: a de Economista, Historiador, Genealogista e Poeta.
Criúva: um povoado brasileiro (Porto Alegre, RS. Evangraf, 2010, 220 páginas) inicia contando um pouco da História da região serrana, do povoamento, das sesmarias, tropeiros, da criação de gado (bovino, ovino, equino e muar). Apresenta fatos poucos conhecidos como a tentativa de criação de um município que se chamaria Rio Branco ainda no inícío do século XX e a concessão de terras a filhos de escravas, numa contradição ao sistema existente na época. A economia baseada na vocação pastoril, rural e adaptada a natureza surge como o fator de sobrevivência das primeiras famílias orignárias de São Paulo, Parana, Santa Catarina e do Arquipélago dos Açores chegadas à região a partir de 1747. A fase da anexação à Caxias do Sul, numa batalha política que proporcionou duas eleições para valer apenas uma num contraditório entre dois grupos que tinham laços com idéias emancipacionastas e não de incorporação a um novo município.
Com base em inúmeras entrevistas com personagens que viveram em tempo passados, o escritor descreve alguns vestígios culturais que permanecem entre famílias com diversos sobrenomes, incluindo portugueses, italianos, alemães e poloneses. Num estilo próprio inventaria povo e poesia, numa comparação entre a cultura local e as letras musicadas pelos Irmãos Bertussi. Afirma que a dupla de gaiteiros produziu foi cantar nos bailes e serenatas a própria cultura do povo serrano e ressalta que os mesmos, descendentes de imigrantes italianos incorporaram a vida da fazenda e da lida campeira pela parte da mãe (Jovelina Medeiros de Siqueira).
Nesta situação, segundo ele, muitos descendentes de imigrantes italianos conseguiram esquecer da Itália e de seu idioma (ou dialeto); se aquerenciaram nos rodeios, Ctgs e fazendas de gaudérios que ainda lembram de tempos heróicos vividos pelos seus antepassados. E faz uma provocação ao final: – Criúva é um povoado brasileiro que sobrevive numa região que tenta ser italiana…
É o contraste e ao mesmo tempo, um texto que indica a secular diferença entre o homem do campo com o homem urbano. Costumes, linguajar, mitos, religiosidade e até mesmo personalidades diferentes dos que vivem na cidade. Também apresenta a Genealogia das primeiras famílias que povoaram a chamada Fazenda Palmeira dos Ilhéus citando vários descendentes famosos ou não, que pertencem a este retrato de uma parte da grande família brasileira.
A emérita Professora Loraine Slomp Giron, prefaciando a obra, aponta que “quem muito sonhou com a democracia e a liberdade não sabe mais o que sonhar – sem sonhos não há poesia. É possível fazer poesia com a mercadoria? Marx e Engels já a fizeram no manifesto comunista ‘que tudo que é sólido se desfaz no ar’. Gregório de Matos percebeu o perigo de escrever ‘o prudente varão há de ser mudo’. Assim, os poetas pasmados olham o passado, ou citam Baudelaire ‘para não serem os escravos martirizados do Tempo’. Em Criúva se unem os colonos agricultores descendentes de imigrantes italianos e alemães e os lusos, onde as cavalhadas e as Festas do Divino se reúnem à fé em Santo Antônio e Nossa Senhora do Caravaggio. Críúva reúne o campo e colônia, em que ambos tem de melhor, onde como cantam os gaiteiros serranos: ‘o amor a terra foi deixado como herança'”.
Para a espôsa Sandra Maria Schmith Alves (que escreve na ‘orelha’ no livro), o autor tipifica vestígios culturais de uma região específica que mantémlaços eternos com diversas cidades brasileiras. Antropologica e sociologicamente reconstrói uma visão de nosso passado a partir de um modelo caipira, gaudério, de um povo do interior, rural e quase sempre esquecido pelas elites nacionais”.
Enfim, o Alves indica que muitas pessoas não se dão conta de que as Capelas, Vilas e pequenos Povoados também têm História. O interior do Brasil guarda um Partrimônio Cultural incalculável!
Fonte: Divulgação, www.fuj.com.br