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jun 15, 2011 - Textos históricos   

Fernando António Nogueira Pessoa

Fernando António Nogueira Pessoa, nasceu em Lisboa, cidade onde também faleceu, na sequência de uma cólica hepática, depois de uma vida praticamente desconhecida e anónima. Fernando Pessoa ele, mesmo é, só por si, um grande poeta do simbolismo e do modernismo, pela temática da evanescência, indefinição e insatisfação das coisas e dos seres, e pela inovação praticada por entre diversas sendas de formulação do discurso poético (sensacionismo, paulismo, interseccionismo, etc.).

Com Fernando Pessoa, a quem se deve também o enigmático volume de poemas a Mensagem, que transcende em muito a simples glorificação do passado mítico português (e sem falar da sua produção teatral, ou dos poemas ingleses), a literatura portuguesa encontra a equacionação lírica de questões fundamentais da existência humana, de timbre filosófico ou de avulsa emergência quotidiana, numa escrita fundadora dos pilares em que verdadeiramente se afirma a nossa modernidade.

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa
Escritor português, nasceu a 13 de Junho de 1888, numa casa do Largo de São Carlos, em Lisboa. Aos cinco anos morreu-lhe o pai, vitimado pela tuberculose, e, no ano seguinte, o irmão, Jorge. Devido ao segundo casamento da mãe, em 1896, com o cônsul português em Durban, na África do Sul, viveu nesse país entre 1895 e 1905, aí seguindo, no Liceu de Durban, os estudos secundários.

Frequentou, durante um ano, uma escola comercial e a Durban High School e concluiu, ainda, o «Intermediate Examination in Arts», na Universidade do Cabo (onde obteve o «Queen Victoria Memorial Prize», pelo melhor ensaio de estilo inglês), com que terminou os seus estudos na África do Sul. No tempo em que viveu neste país, passou um ano de férias (entre 1901 e 1902), em Portugal, tendo residido em Lisboa e viajado para Tavira, para contactar com a família paterna, e para a Ilha Terceira, onde vivia a família materna. Já nesse tempo redigiu, sozinho, vários jornais, assinados com diferentes nomes.

De regresso definitivo a Lisboa, em 1905, frequentou, por um período breve (1906-1907), o Curso Superior de Letras. Após uma tentativa falhada de montar uma tipografia e editora, «Empresa Íbis — Tipográfica e Editora», dedicou-se, a partir de 1908, e a tempo parcial, à tradução de correspondência estrangeira de várias casas comerciais, sendo o restante tempo dedicado à escrita e ao estudo de filosofia (grega e alemã), ciências humanas e políticas, teosofia e literatura moderna, que assim acrescentava à sua formação cultural anglo-saxónica, determinante na sua personalidade.

Em 1920, ano em que a mãe, viúva, regressou a Portugal com os irmãos e em que Fernando Pessoa foi viver de novo com a família, iniciou uma relação sentimental com Ophélia Queiroz (interrompida nesse mesmo ano e retomada, para rápida e definitivamente terminar, em 1929) testemunhada pelas Cartas de Amor de Pessoa, organizadas e anotadas por David Mourão-Ferreira, e editadas em 1978. Em 1925, ocorreria a morte da mãe. Fernando Pessoa viria a morrer uma década depois, a 30 de Novembro de 1935 no Hospital de S. Luís dos Franceses, onde foi internado com uma cólica hepática, causada provavelmente pelo consumo excessivo de álcool.

Levando uma vida relativamente apagada, movimentando-se num círculo restrito de amigos que frequentavam as tertúlias intelectuais dos cafés da capital, envolveu-se nas discussões literárias e até políticas da época. Colaborou na revista A Águia, da Renascença Portuguesa, com artigos de crítica literária sobre a nova poesia portuguesa, imbuídos de um sebastianismo animado pela crença no surgimento de um grande poeta nacional, o «super-Camões» (ele próprio?). Data de 1913 a publicação de «Impressões do Crepúsculo» (poema tomado como exemplo de uma nova corrente, o paulismo, designação advinda da primeira palavra do poema) e de 1914 o aparecimento dos seus três principais heterónimos, segundo indicação do próprio Fernando Pessoa, em carta dirigida a Adolfo Casais Monteiro, sobre a origem destes.

Em 1915, com Mário de Sá-Carneiro (seu dilecto amigo, com o qual trocou intensa correspondência e cujas crises acompanhou de perto), Luís de Montalvor e outros poetas e artistas plásticos com os quais formou o grupo «Orpheu», lançou a revista Orpheu, marco do modernismo português, onde publicou, no primeiro número, Opiário e Ode Triunfal, de Campos, e O Marinheiro, de Pessoa ortónimo, e, no segundo, Chuva Oblíqua, de Fernando Pessoa ortónimo, e a Ode Marítima, de Campos. Publicou, ainda em vida, Antinous (1918), 35 Sonnets (1918), e três séries de English Poems (publicados, em 1921, na editora Olisipo, fundada por si). Em 1934, concorreu com Mensagem a um prémio da Secretaria de Propaganda Nacional, que conquistou na categoria B, devido à reduzida extensão do livro. Colaborou ainda nas revistas Exílio (1916), Portugal Futurista (1917), Contemporânea (1922-1926, de que foi co-director e onde publicou O Banqueiro Anarquista, conto de raciocínio e dedução, e o poema Mar Português), Athena (1924-1925, igualmente como co-director e onde foram publicadas algumas odes de Ricardo Reis e excertos de poemas de Alberto Caeiro) e Presença.

A sua obra, que permaneceu maioritariamente inédita, foi difundida e valorizada pelo grupo da Presença. A partir de 1943, Luís de Montalvor deu início à edição das obras completas de Fernando Pessoa, abrangendo os textos em poesia dos heterónimos e de Pessoa ortónimo. Foram ainda sucessivamente editados escritos seus sobre temas de doutrina e crítica literárias, filosofia, política e páginas íntimas. Entre estes, contam-se a organização dos volumes poéticos de Poesias (de Fernando Pessoa), Poemas Dramáticos (de Fernando Pessoa), Poemas (de Alberto Caeiro), Poesias (de Álvaro de Campos), Odes (de Ricardo Reis), Poesias Inéditas (de Fernando Pessoa, dois volumes), Quadras ao Gosto Popular (de Fernando Pessoa), e os textos de prosa de Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, Textos Filosóficos, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, Da República (1910-1935) e Ultimatum e Páginas de Sociologia Política. Do seu vasto espólio foram também retirados o Livro do Desassossego por Bernardo Soares e uma série de outros textos.

A questão humana dos heterónimos, tanto ou mais que a questão puramente literária, tem atraído as atenções gerais. Concebidos como individualidades distintas da do autor, este criou-lhes uma biografia e até um horóscopo próprios. Encontram-se ligados a alguns dos problemas centrais da sua obra: a unidade ou a pluralidade do eu, a sinceridade, a noção de realidade e a estranheza da existência. Traduzem, por assim dizer, a consciência da fragmentação do eu, reduzindo o eu «real» de Pessoa a um papel que não é maior que o de qualquer um dos seus heterónimos na existência literária do poeta. Assim questiona Pessoa o conceito metafísico de tradição romântica da unidade do sujeito e da sinceridade da expressão da sua emotividade através da linguagem. Enveredando por vários fingimentos, que aprofundam uma teia de polémicas entre si, opondo-se e completando-se, os heterónimos são a mentalização de certas emoções e perspectivas, a sua representação irónica pela inteligência. Deles se destacam três: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.

Segundo a carta de Fernando Pessoa sobre a génese dos seus heterónimos, Caeiro (1885-1915) é o Mestre, inclusive do próprio Pessoa ortónimo. Nasceu em Lisboa e aí morreu, tuberculoso, em 1915, embora a maior parte da sua vida tenha decorrido numa quinta no Ribatejo, onde foram escritos quase todos os seus poemas, os do livro O Guardador de Rebanhos, os de O Pastor Amoroso e os Poemas Inconjuntos, sendo os do último período da sua vida escritos em Lisboa, quando se encontrava já gravemente doente (daí, segundo Pessoa, a «novidade um pouco estranha ao carácter geral da obra»). Sem profissão e pouco instruído (teria apenas a instrução primária), e, por isso, «escrevendo mal o português», órfão desde muito cedo, vivia de pequenos rendimentos, com uma tia-avó. Caeiro era, segundo ele próprio, «o único poeta da natureza», procurando viver a exterioridade das sensações e recusando a metafísica, caracterizando-se pelo seu panteísmo e sensacionismo que, de modo diferente, Álvaro de Campos e Ricardo Reis iriam assimilar.

Ricardo Reis nasceu no Porto, em 1887. Foi educado num colégio de jesuítas, recebeu uma educação clássica (latina) e estudou, por vontade própria, o helenismo (sendo Horácio o seu modelo literário). Essa formação clássica reflecte-se, quer a nível formal (odes à maneira clássica), quer a nível dos temas por si tratados e da própria linguagem utilizada, com um purismo que Pessoa considerava exagerado. Médico, não exercia, no entanto, a profissão. De convicções monárquicas, emigrou para o Brasil após a implantação da República. Pagão intelectual, lúcido e consciente, reflectia uma moral estoico-epicurista, misto de altivez resignada e gozo dos prazeres que o não comprometessem na sua liberdade interior, e que é a resposta possível do homem à dureza ou ao desprezo dos deuses e à efemeridade da vida.

Álvaro de Campos, nascido em Tavira em 1890, era um homem viajado. Depois de uma educação vulgar de liceu formou-se em engenharia mecânica e naval na Escócia e, numas férias, fez uma viagem ao Oriente, de que resultou o poema Opiário. Viveu depois em Lisboa, sem exercer a sua profissão. Dedicou-se à literatura, intervindo em polémicas literárias e políticas. É da sua autoria o Ultimatum, publicado no Portugal Futurista, manifesto contra os literatos instalados da época. Apesar dos pontos de contacto entre ambos, travou com Pessoa ortónimo uma polémica aberta. Protótipo do vanguardismo modernista, é o cantor da energia bruta e da velocidade, da vertigem agressiva do progresso, de que a Ode Triunfal é um dos melhores exemplos, evoluindo depois no sentido de um tédio, de um desencanto e de um cansaço da vida, progressivos e auto-irónicos.

De entre outros, de menor expressão, destaca-se ainda o semi-heterónimo Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros que sempre viveu sozinho em Lisboa e revela, no seu Livro do Desassossego, uma lucidez extrema na análise e na capacidade de exploração da alma humana.

Quanto a Fernando Pessoa ortónimo, segue, formalmente, os modelos da poesia tradicional portuguesa, em textos de grande suavidade rítmica e musical. Poeta introvertido e meditativo, anti-sentimental, reflecte inquietações e estranhezas que questionam os limites da realidade da sua existência e do mundo. O poema Mensagem, exaltação sebastiânica que se cruza com um certo desalento, numa expectativa ansiosa de ressurgimento nacional, revela uma faceta esotérica e mística do poeta, manifestada também nas suas incursões pelas ciências ocultas e pelo rosa-crucianismo.

Figura cimeira da literatura portuguesa e da poesia europeia do século XX, se o seu virtuosismo é, sobretudo inicialmente, uma forma de abalar a sociedade e a literatura burguesas decrépitas (nomeadamente através dos seus «ismos»: paulismo, interseccionismo, sensacionismo), ele fundamenta a resposta revolucionária à concepção romântica, sentimentalmente metafísica, da literatura. O apagamento da sua vida pessoal não obviou ao exercício activo da crítica e da polémica em vida, e sobretudo a uma grande influência na literatura portuguesa do século XX.

Existe presentemente, em Lisboa, a Casa Fernando Pessoa, instalada na última morada do autor.

Cronologia de sua vida:
13 de Junho de 1888 – Nasce em Lisboa, às 3 horas da tarde, Fernando António Nogueira Pessoa.
1896 – Parte para Durban, na África do Sul.
1905 – Regressa a Lisboa
1906 – Matricula-se no Curso Superior de Letras, em Lisboa
1907 – Abandona o curso.
1914 – Surge o mestre Alberto Caeiro. Fernando Pessoa passa a escrever poemas dos três heterónimos.
1915 – Primeiro número da Revista “Orfeu”. Pessoa “mata” Alberto Caeiro.
1916 – Seu amigo Mário de Sá-Carneiro suicida-se.
1924 – Surge a Revista “Atena”, dirigida por Fernando Pessoa e Ruy Vaz.
1926 – Fernando Pessoa requerer patente de invenção de um Anuário Indicador Sintético, por Nomes e Outras Classificações, Consultável em Qualquer Língua. Dirige, com seu cunhado, a Revista de Comércio e Contabilidade.
1927 – Passa a colaborar com a Revista “Presença”.
1934 – Aparece “Mensagem”, seu único livro publicado.
30 de Novembro de 1935 – Morre em Lisboa, aos 47 anos.

Fernando Pessoa
Segundo o Professor Linhares Filho, as duas principais características da sua modernidade seriam: a consciência do fazer artístico e a prevalência do apolíneo sobre o dionisíaco, no elaborar-se poético. Sensacionalista, o ortónimo nos mostra como sentir a paisagem, pois, para ele, todo objectivo é uma sensação nossa, toda arte é conversão da sensação em objecto, toda arte é conversão da sensação em sensação. O próprio Pessoa apresenta cinco condições ou qualidades para entender os símbolos do ortónimo: a simpatia, a intuição, a inteligência, a compreensão e a graça. Depois conclui que:

“Todo estado de alma é uma paisagem.
Uma tristeza é um lago morto dentro de nós.
Assim, tendo nós, ao mesmo tempo, consciência do exterior
e do nosso espírito, e sendo nosso espírito uma paisagem,
temos ao mesmo tempo consciência de duas paisagens.”

Como se vê, um espírito tão rico e até paradoxal como o de Pessoa não podia se resumir numa só personalidade. Daí o surgimento de muitos heterónimos, principalmente o de Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos.

Morreu Fernando Pessoa – Grande poeta de Portugal
A notícia necrológica do «Diário de Notícias» com as palavras proferidas por Luís de Montalvor Fernando Pessoa, o poeta extraordinário da «Mensagem», poema de exaltação nacionalista, dos mais belos que se tem escrito, foi ontem a enterrar.

Surpreendeu-o a morte, num leito cristão do Hospital de S. Luís, no sábado à noite.

A sua passagem pela vida foi um rastro de luz e de originalidade. Em 1915, com Luís de Montalvor, Mário de Sá-Carneiro e Ronald de Carvalho – estes dois já mortos para a vida – lançou o «Orpheu», que tão profunda influência exerceu no nosso meio literário, e a sua personalidade foi-se depois afirmando mais e mais. Do fundo da sua «tertúlia», a uma mesa do Martinho da Arcada, Fernando Pessoa era sempre o mais novo de todos os novos que em volta dele se sentavam. Desconcertante, profundamente original e estruturalmente verdadeiro, a sua personalidade era vária como vário o rumo da sua vida. Ele não tinha uma actividade «una», uma actividade dirigida: tinha múltiplas actividades.

Na poesia não era só ele: Fernando Pessoa; ele era também Álvaro de Campos e Alberto Caeiro e Ricardo Reis. E era-os profundamente, como só ele sabia ser. E na poesia como na vida. E na vida como na arte.
Tudo nele era inesperado. Desde a sua vida, até aos seus poemas, até à sua morte.

Inesperadamente, como se se anunciasse um livro ou uma nova corrente literária por ele idealizada e vitalizada, correu a notícia da sua morte. Um grupo de amigos conduziu-o ontem a um jazigo banal do cemitério dos Prazeres. Lá ficou, vizinho de outro grande poeta que ele muito admirava, junto do seu querido Cesário, desse Cesário que ele não conhecera e que, como ninguém, compreendia.

Se Fernando Pessoa morreu, se a matéria abandonou o corpo, o seu espírito não abandonará nunca o coração e o cérebro dos que o amavam e admiravam. Entre eles fica a sua obra e a sua alma. A eles compete velar para que o nome daquele que foi grande não caia na vala comum do esquecimento.

Tinha 47 anos o poeta que ontem foi a enterrar. Quarenta e sete anos e um grande amor à Vida, à Arte e à Beleza. Quando novo, acasos do Destino, a que ele obedecia inteiramente – Fernando Pessoa teósofo, cristão, que conhecia todas as seitas religiosas e as negativistas, pagão como só os artistas sabem ser, Fernando Pessoa obedecia cegamente ao Destino – levaram-no para a África do Sul. E na Universidade do Cabo cursou o inglês. E de tal maneira estudou a língua que Shakespeare e Milton imortalizaram, que, anos passados, apresentava aos «cercles» literários da serena Albion quatro livros de poemas – «English Poems», I, II, III, IV; «Antinous» e «35 Sonnets». E num concurso de língua inglesa alcançou o primeiro prémio.

Depois, uma vez em Portugal, a sua actividade literária aumentou. É de então que data a sua colaboração na «Águia», onde o seu messianismo metafísico, num célebre e elevado estudo, anunciou o aparecimento do Super-Camões da literatura portuguesa.

1915. «Orpheu». Movimento intenso de renovação. Entretanto, colabora no «Centauro», «Exílio», «Portugal Futurista», «Contemporânea». Começa a ser amado e compreendido.

1924. Funda com Rui Vaz a revista «Athena». Depois, de então para cá, a sua actividade multiplica-se. Colabora em revistas modernistas, como «Presença», «Momento» e, há um mês ainda, no «Sudoeste», que Almada Negreiros fundou com notável desassombro. Traduziu Shakespeare e Edgar Poe. Estas são, em linhas muito esquemáticas e gerais, as obras que definem a sua personalidade. Quem o quiser compreender folheie a sua obra vasta e dispersa. Começará a amá-lo.

Da capela do cemitério dos Prazeres, para jazigo de família, cerca das onze horas de ontem, partiu o corpo do grande poeta. Alguns amigos de sempre acompanharam-no. Foram eles, pelo «Orpheu», Luís de Montalvor, António Ferro, Raul Leal, Alfredo Guisado e Almada Negreiros; pela «Presença», João Gaspar Simões; pelo «Momento», Artur Augusto e José Augusto; e Ferreira Gomes, Diogo de Macedo, Dr. Celestino Soares, António Botto, Castelo de Morais, João de Sousa Fonseca, Dr. Jaime Neves, António Pedro, Albino Lapa, Silva Tavares, Vitoriano Braga, Augusto de Santa-Rita, Luís Pedro, Luís Moita, Manuel Serras, Dr. Boto de Carvalho, Rogério Perez, Celestino Silva, Telino Felgueiras, Nogueira de Brito, Dante Silva Ramos, Carlos Queiroz, Mário de Barros, Dr. Rui Santos, Marques Matias, Gil Vaz, Luís Teixeira e poucos mais.

O sr. capitão Caetano Dias, cunhado do poeta, representava a família.
Em frente do jazigo que Fernando Pessoa passa a habitar, Luís de Montalvor, seu companheiro de 24 anos de vida literária, proferiu simples e emotivas palavras em nome dos sobreviventes do grupo do «Orpheu».

E disse:
«Duas palavras sobre o trânsito mortal de Fernando Pessoa.
Para ele chegam duas palavras, ou nenhumas. Preferível fora o silêncio, o silêncio que já o envolve a ele e a nós, que é da estatura do seu espírito.
Com ele só está bem o que está perto de Deus. Mas também não deviam, nem podiam, os que foram pares com ele no convívio da sua Beleza, vê-lo descer à terra, ou antes, subir, ganhar as linhas definitivas da Eternidade, sem enunciar o protesto calmo, mas humano, da raiva que nos fica da sua partida.
«Não podiam os seus companheiros de «Orpheu», antes os seus irmãos, do mesmo sangue ideal da sua Beleza, não podiam, repito, deixá-lo aqui, na terra extrema, sem ao menos terem desfolhado, sobre a sua morte gentil, o lírio branco do seu silêncio e da sua dor.

«Lastimamos o homem, que a morte nos rouba, e com ele a perda do prodígio do seu convívio e da graça da sua presença humana. Somente o homem, é duro dizê-lo, pois que ao seu espírito e ao seu poder criador, a esses deu-lhes o Destino uma estranha formosura, que não morre. O resto é com o génio de Fernando Pessoa.»

Fonte: Trabalho e pesquisa de Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande – Portugal.

abr 20, 2011 - Textos históricos   

Origens da Páscoa

Origens da Páscoa

Por Rodrigo Trespach

Semelhante ao Natal a Páscoa, apesar de ter o caráter cristão de hoje, também está relacionada aos tempos do paganismo Indo-Europeu, principalmente dos povos germânicos. Em português o nome Páscoa está ligado etimologicamente a festa judaica da “Pessach” (passagem), que celebra a passagem do povo hebreu pelo deserto do Sinai durante 40 anos, que é contado no livro de Êxodo, na Bíblia.

A morte de Jesus em uma Páscoa judaica foi associada pelos primeiros seguidores de Cristo, antes de tudo também judeus como ele, como a imolação do cordeiro pascal realizado nessa festa. Jesus Cristo era o cordeiro (o filho) de Deus sacrificado para remissão dos pecados do homem. Sua suposta ressurreição no domingo de Páscoa foi assim associada a um ritual de passagem.

Em 325 d.C., no Concílio de Nicéia, famoso por proclamar muito dos dogmas cristãos, definiu-se também a data da Páscoa. A Páscoa, que encerra o que se denominou de a Paixão de Cristo com sua Ressurreição, ocorreria de acordo com o calendário lunar, conforme a tradição judaica, no primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera no hemisfério norte. Essa data variável ocorre entre 31 de março e 25 de abril.  No entanto, no hemisfério sul, nosso caso, a estação é o outono o que faz com que percamos a compreensão de alguns dos símbolos/significados dessa época.

Ao contrário das línguas com origem no latim, como o italiano, o espanhol e o próprio português, onde o nome da festa recebe influência da palavra hebraica Pessach – daí Pasqua, Pascua e Páscoa respectivamente – as línguas saxônicas, como o alemão e o inglês, usam outra palavra para designar a mesma festa, demonstrando a forte influência pagã. Para os alemães Páscoa é Ostern, para os ingleses Easter.

A religião dos germanos, assim como demais povos da antiguidade, estava geralmente ligada a produtividade da terra e os ciclos de plantação e colheita.  Natural que sua religião fosse o reflexo disso. Ostern, ou Easter, origina-se do nome da antiga deusa germânica da fertilidade Eostre ou Ostara. Eostre estava relacionada ao inicio da primavera (no hemisfério norte), e ao  Eostemonat o mês germânico para essa deusa. Apesar da cristianização, realizada sob a força da espada ainda até o século IX, os alemães, e suas antigas tribos, continuaram a acreditar em seus antigos deuses e tradições, guardando as datas dos solstícios e equinócios, alguns ritos e também símbolos sagrados.

Como exemplo dessa simbologia temos o carvalho. O carvalho era cultuado pelos antigos celtas, era um santuário/templo. Quando os primeiros padres cristãos entraram na germânia para a evangelização tiveram de aceitar certos “dogmas” pagãos, o que se transformou em uma espécie de sincretismo religioso. A própria igreja se utilizou disso para popularizar o cristianismo associando-o aos velhos costumes (mitos e lendas) pagãos.

A igreja procurou aos poucos eliminar alguns costumes e símbolos. Alguns, no entanto, permaneciam intocáveis. O carvalho foi um deles. Conta-se que quando os pregadores de São Bonifácio (672-755), o Apostolo da Germania, tentaram cortar um carvalho para erigir uma igreja no local foram mortos por aldeões que eles haviam “cristianizados”. Muitas igrejas na Alemanha, principalmente em áreas rurais, ainda tem até hoje ao lado do “templo cristão” (a igreja) um “tempo pagão” (o carvalho). A simbologia da Páscoa é outro exemplo, mesmo que ocultos, a maioria dos símbolos da Páscoa são pagãos.

O costume de utilizar ovos como presente também é uma tradição dos povos germânicos (alemães, austríacos, etc..) e dos povos eslavos (ucranianos, poloneses, etc..). Esse costume tem origem, ainda, em tradições pagãs relacionadas à deusa Eostre, deusa da fertilidade a qual o ovo, origem da vida, é símbolo.   O coelho, ou a lebre, igualmente estariam associados à deusa, devido a sua notória fertilidade. No entanto sabe-se que povos da antiguidade, como os persas e romanos, também já tinham esse costume de utilizar o ovo como presente a ser dado na época da primavera, época sempre associada pelos povos antigos como de renascimento, florescimento e fertilidade.

Ora, os germânicos estavam aceitando o cristianismo como religião mantendo os significados de sua antiga cultura, e a Páscoa (Ressurreição de Cristo) foi associada ao Eostemonat (florescimento/renascimento da vida).  Da mesma maneira que Cristo havia vencido a morte (a Paixão na Cruz) renascendo para a vida eterna na Páscoa (a Ressurreição), a primavera era uma passagem da morte (inverno) para a vida (verão) representada na festa para a deusa Eostre.

Com símbolos pagãos e mensagem cristã a Páscoa foi agregando ao longo dos séculos vários outros costumes, variando de um país para outro. Tendo em sua última roupagem os ovos de chocolate, que teriam sido um costume criado na França moderna.

jan 7, 2011 - Textos históricos   

Tráfego mútuo: lacustre e ferroviário

Tráfego mútuo: lacustre e ferroviário

Por Leda Saraiva Soares
Livro “A Saga das Praias Gaúchas”, editado pela Martins Livreiro, 2000.
(Fotos: do arquivo pessoal da autora e do Arquivo Histórico Antônio Stenzel Filho, em Osório)

Em 1921, oficializa – se nova modalidade em transporte para as praias da orla Atlântica Sul: Tráfego Mútuo (Lacustre e Ferroviário). Uma alternativa encontrada,  na época, para escoar a produção colonial da Costa da Serra de Osório a Torres. Não havia a BR 101 e as estradas que, na verdade eram caminhos,  transitados por carretas, atrasava o desenvolvimento da região.

Houve o aproveitamento do potencial hídrico existente, com a dragagem dos canais que interligam o colar de lagoas existentes entre Osório e Torres, viabilizando a navegação e o comércio com a capital do Estado.

Já em 1906, têm – se registros da navegação lacustre de Palmares a Porto Alegre, via lagoa dos Patos, até o cais do porto de Porto Alegre, por onde era escoada não só a produção agrícola, mas também o pescado de Tramandaí, salgado e seco. Portanto, desde há muito que essa alternativa já era utilizada para exportar, através de vapor, o que a região produzia, importando produtos manufaturados.

Havia navegação lacustre desde Torres até a Lagoa do Marcelino, onde se iniciava a estrada de ferro. Desse ponto, a viagem se dava via férrea até Palmares do Sul. De Palmares seguia em barcos até o cais do porto de Porto Alegre.

Antes da construção da estrada de ferro, havia outros projetos a serem estudados pelo governo. 

Em 1921 é inaugurada a estrada de ferro, ligando o porto de Osório, localizado na Lagoa do Marcelino, ao porto de Palmares. Esse tipo de transporte recebeu o nome de Tráfego Mútuo.

Transcrição de trechos do relatório acima citado, referente à inauguração da estrada de ferro, página 30:

 

Serviços de Transportes Ferroviários e Lacustre entre Palmares e Torres.

Por decreto n. 2.872 de 4 de outubro de 1921, foi approvado o regulamento para estes serviços e a 15 de novembro, inaugurado o tráfego da estrada de ferro de Palmares a Conceição do Arroio e o da linha de navegação entre o porto dessa villa e o do Estácio na lagoa Itapeva, a cerca de 10 kilômetros da villa de Torres.

Em dezembro, de acordo com a proposta apresentada em concorrência pública, foi cellebrado o contrato de tráfego mútuo com a firma Dreher, Silveira & Moojen, proprietária dos vapores que navegam entre o porto desta capital e o porto de Palmares.

Para o transporte de passageiros do porto do Estácio à villa de Torres foram adquiridos dois autos – omnibus, e a fim de facilitar o respectivo tráfego autorizou V. Ex.a. a reparação geral da estrada de rodagem entre aquelles pontos, sendo desviado o traçado junto à Torre do Norte e na Pedra da Itapeva, para ficarem reduzidas as rampas.

Resolveu ainda V. Ex.a. que a secretaria organizasse um serviço de transporte de passageiros na linha de navegação do Tramandahy.

Para esse fim foi adquirida uma lancha que recebeu o nome de Tramandahy e na qual foi instalado um motor a gasolina.

Como  providência essencial mandou V. Ex. desobstruir os baixios nas lagoas do Passo e Tramandahy, serviço que está quase terminado(…)

(…) Nessas condições, poderão ser commoda e pronptamente atendidos os transportes de passageiros, na próxima estação balnear.

O transporte fluvial e lacustre de mercadorias é ainda feito em condições onerosas, sendo necessária a substituição das embarcações a gasolina por um serviço de chatas rebocadas por vapor.(…)

A seguir, trecho transcrito de um telegrama enviado ao governador em 27 de maio de 1922, após inspeção feita pelo mesmo secretário de obras citado no relatório transcrito:

 

(…) Navegação bem organizada e dotada. Material sufficiente para atender as necessidades actuais transportes e bem assim passageiros fuctura estação balnear, tanto praia Torres como Tramandahy. Para esse fim dispomos três lanchas gasolina plena segurança commodidade. São ellas: General Osório e Santa Maria para linha porto Estácio; Tramandahy para o porto mesmo nome.(…). 

Em 1922, para dar maior conforto às pessoas que utilizavam essa via de acesso às praias, surge um vapor de nome  CAMAQUAM,  com serviço combinado de transportes de passageiros e cargas entre Porto Alegre e Torres  via Palmares, Conceição do Arroio e demais portos intermediários.

Fez tanto sucesso esse vapor que aparece no Correio do Povo mais um anúncio do Vapor Camaquam com uma  VIAGEM EXTRAORDINÁRIA.

 

A partir de 1922, a maioria dos hotéis das praias gaúchas não só anunciavam seus serviços, mas propagavam e recomendavam a seus hóspedes a utilização do novo sistema de transporte, bem mais confortável do que as fatigantes viagens de diligências ou viagens de automóveis. Estas com suas intermináveis mudas de animais. Aquelas, sendo os veículos mais  tracionados por juntas de bois do que se auto – locomovendo, por causa da precariedade das estradas.

Transcrição da propaganda do Hotel Corrêa, do Correio do Povo de 8 de janeiro de 1922, p. 12: 

TRAMANDAHY 

HOTEL CORRÊA

O proprietario deste conhecido estabelecimento, cuja diaria está ao alcance de todos, previne a sua distinta freguesia que dispõe de excellentes chalets com todo conforto. Cozinha de primeira ordem, dirigida por habil cozinheira, agua potavel em abundancia.

O transporte é feito por via Palmares – conceição do Arroio( Osório) ou de Taquara, diretamente em autos de propriedade de João Vidal e de Emilio Behs. Em Conceição do arroio encontrarão diligencia e carro para bagagem, pertencente ao proprietario do hotel a quem devem dirigir aviso. 

O serviço de transporte Lacustre e Ferroviário passou a ser utilizado regularmente, aumentando a cada temporada. Todos os hotéis sugeriam a seus hóspedes utilizarem esse meio de transporte que não só transportava passageiros, mas mercadorias e toda a produção regional.

Em 1928, há registros sobre a estrada para Cidreira, trecho que parte da Estação Experimental, em Osório, e vai até além da ponte da Alexandrina, quatro quilômetros e meio. Fala, ainda, da macadamização da estrada de Porto Alegre a Conceição do Arroio. Esse relatório faz menção ao serviço de transporte Ferroviário e lacustre que começa a dar prejuízo ao governo. Depois foi construída a RS30.

Natal, Natale, Noël, Weihnachten, e etc…

Natal, Natale, Noël, Weihnachten, e etc…

Por Rodrigo Trespach
Texto publicado originalmente em 23.12.2008 no Portal Litoralmania

Escrever sobre o Natal não é fácil, há muitas histórias e muitas versões. Cada povo, ou país tem uma maneira diferente de celebra-lo e muito está associado como cada povo recebeu e adaptou para sua cultura a festividade e seus atores principais.

O DIA DO NASCIMENTO DE CRISTO?
O dia de Natal, o nascimento de Jesus Cristo, é comemorado como festa religiosa desde o séc. IV pela Igreja Católica. E a forma como é conhecido hoje é o resultado da fusão de várias culturas ao longo dos últimos séculos.

A celebração foi oficialmente instituída pelo Papa Júlio I, mas com poucas bases históricas sólidas para afirmar que 25 de dezembro fosse mesmo o dia do nascimento de Cristo. Muito antes do aparecimento de Cristo, vários povos celebravam de forma muito especial uma data de significativa importância para todos: o solstício de inverno (estamos falando do hemisfério norte, não se esqueça).

Para os celtas, povo pagão que habitava inicialmente o que hoje é a Europa central, o Solstício do Inverno, era um momento extremamente importante em suas vidas, celebrado com grandes banquetes.

Os romanos comemoravam em dezembro a Saturnália, festividade em honra ao deus Saturno – o deus da agricultura que permitia o descanso da terra durante o inverno. As festividades ocorriam entre os dias 17 e 22. No dia 25 era comemorado o solstício de inverno. O solstício de inverno, o menor dia do ano, simbolizava o início da vitória da luz sobre a escuridão, por isso estava associado ao nascimento do deus Mitra, o Dies Natalis Solis Invicti (o dia do nascimento do Sol invencível). O culto a Mitra, com origem na antiga Pérsia, hoje Irã, havia chegado a Roma trazido por soldados do Império em expansão.

Com a conversão do Império Romano ao cristianismo, a veneração ao Sol, foi substituida pela veneração a Cristo, em uma clara alusão a “luz do mundo”, do evangelista João (confira João 8:12). A Igreja faria o mesmo com várias outras festas e deidades, transformando a simbologia e os templos pagãos em novas mensagens para cristianismo emergente. Um exemplo, também de grande importância para os povos pagãos, é a Páscoa, que os alemães chamam de Ostern. Os antigos germanos “aceitaram” a cristianização, mas utilizaram elementos de sua própria crença. Ostern vem da deusa Ostara, a deusa da fertilidade e da primavera (no hemisfério no norte) e nada tem haver com a Pessach hebraica adotada pelos cristão após a crucificação de Cristo como redentor. Mas a Páscoa é outra história…

Voltemos ao Natal. Há um porém, o calendário gregoriano, que utilizamos hoje, é utilizado somente a partir do século XVI, quando o Papa Gregório XIII decretou a modificação do calendário vigente na época, o Juliano, para que ocorressem alguns acertos. Assim 11 dias foram retirados do calendário para que ele fosse ajustado. Ocorre que essa alteração modificou também o dia do solstício de inverno, que ocorre hoje entre o dia 21 e 23 de dezembro. No entanto nessa época já estava consolidado o dia 25 de dezembro como o dia do nascimento de Cristo, o Sol Invictus ficará relegado ao passado.

O ANO DO NASCIMENTO ESTÁ ERRADO
Sobre o ano de nascimento a questão é ainda mais complicada. Cristo não nasceu no ano 0 e sim, segundo estudos mais precisos, nos anos 7 ou 6 antes da contagem regular. Isso ocorreu por que os cálculos feitos pelo monge Dionísio, o Exíguo (séc. V), para datar o nascimento de Jesus, estão incorretos em até 8 anos. Ou seja, o monge literalmente dormiu no ponto.

NATAL, NATALE, NOËL, WEIHNACHTEN, ETC

O termo Natal também é diferente em vários países. Natal vem do latim natalis, derivado de nascéris, natus sum ou ainda nasci, cujo significado, bem claro para os países de língua latina, é nascer ou nascimento. E é semelhante ao Natale em italiano e o Navidad em espanhol. Mas outros países, os de origem germânica, usam termos diferentes. Para o alemão Natal é Weihnachten, para o francês Noël e para o inglês Christmas, cada um com um significado especial apropriado ao costume local.

O PAPAI NOEL E O PINHEIRO

Ao Pinheiro de Natal, que os alemães chamam de Tannebaum ou Weihnachtsbaum, atribui-se a Martin Luther, o Reformador, a sua “invenção”. Quem nunca ouviu, principalmente entre os descendentes de alemães luteranos, a tradicional Ó Tannenbaum, Ó Tannenbaum?

Tudo isso, dia e ano de nascimento, falamos da tradição Católica e depois da Reforma no século XVI, Protestante. Mas há ainda a tradição da Igreja Ortodoxa, maioria, por exemplo, na Grécia e Rússia, que comemora o Natal no dia 6 de janeiro…

Mas sabe-se que os povos germânicos têm desde a antiguidade uma ligação com o pinheiro, tanto que as versões mais antigas do Tannenbaum são anteriores a Luther e remotam aos antigos povos que habitavam a Escandinávia antes da migração para a Alemanha.

O Papai Noel é chamado na Alemanha de St. Nikolaus ou Weihnachtsmann, literalmente o homem do Natal. Na França de Père Noel. Noel vem de “lês bonnes nouelle”, ou seja, as boas novas. O uso do “papai” está associado à expressão inglesa “Father Christmas”, ou pai Christmas. Novamente cada país adaptou o nome a sua cultura, assim Papai Noel é chamado na Itália de Babbo Natale, na Suécia de Jultomte e na Rússia de Ded Moroz.

De uma maneira ou outra a popularização ocorreu devido a St. Nikolaus, o São Nicolau, bispo católico na Turquia durante o século IV, canonizado em 800. Homem rico e caridoso, conhecido pela sua dedicação às crianças.

FINALMENTE O NATAL
Não há relatos anteriores ao século XIX de que houvesse algum tipo de comemoração natalina onde um velhinho de barba branca e vestido de vermelho entregasse presentes as crianças. Na Alemanha a tradição atribuía a Christkind, o menino Jesus, a entrega de presentes.

O Papai Noel moderno surgiu nos Estados Unidos. Em 1822 Clemente Clark Moore, um professor de literatura em Nova York, escreveu o poema “Uma visita de São Nicolau”, onde descrevia as viagens de trenó e descidas pela chaminé. O poema foi um sucesso e rapidamente popularizou o personagem que recebeu a aparência atual em 1886, através do cartunista Thomas Nast, da revista Harper’s Weeklys, em edição especial de Natal.

Apesar de ser controverso entre os historiadores é inegável que a Coca-Cola, “a Rainha do Imperialismo” com diriam alguns, em campanha publicitária na década de 1930 popularizou o uso das cores hoje tradicionais. http://www.santaclausoffice.fi o site oficial do velhinho que está disponível em inglês e filandês.

Quem tiver curiosidade de conhecer o “verdadeiro” Papai Noel, ou melhor, Santa Claus, pode acessar o site

A AELN deseja um Feliz Natal e próspero ano novo para todos!

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