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set 2, 2010 - Poemas   

Outra coisa

Outra coisa

Por Delalves Costa

O segredo da criatividade
É imaginar
Que tudo pode virar
Outra coisa.

O avião será lagarta
No pólem da orquídea.

O trem é borboleta
Na boca do túnel.

O peixe foi barco
No rasante do pássaro.

Este poeminha é besta
Ao santo de casa,
Mas é isto ou aquilo
Aos infindos formatos.
set 1, 2010 - Poemas   

Medo

MEDO

Por Rosalva Rocha – 19/10/2010

A mão que acaricia meu rosto
Subitamente
Me surpreende com infâmias
Tamanhas façanhas
Que me fazem suspirar
E gritar
Por um consolo próximo
Que me afague
Mas de longe
Porque ainda tenho medo
Da proximidade
Da falsidade
Do olhar
Que não enxerga
Que não sente
Que é gélido
Que me afasta
De tudo o que credito
Como verdadeiro
Mesmo que passageiro

Mas o tempo é ligeiro
Põe-me em pé
Corro por entre amigos
E neles
Encontro abrigo
E sorrio
E grito
Mas não um grito de dor
Mas sim de louvor
Por ter passado por um passado
Que já foi rasgado
Colocado no lixo

Agora fixo o futuro
Com mais serenidade
Quem sabe até mais sensibilidade
Que foi o que me faltou
Para entender que
Há gente que não é gente
E nunca, na realidade, se fez presente
ago 20, 2010 - Poemas   

As tardes são as mesmas

As tardes são as mesmas

Por Delalves Costa

O cheiro das tardes…

As velhas árvores…

A cigarra de canto boitempo¹

– em cartaz

faz alguns verões a lapidar a noite

com sua algazarra.

A praça nunca foi outra,

nunca foi outra, a praça.

Mais pedras e concreto

é que cantam charme!…

Charme?… Concreto?…

– Essas pedras pensam?…

(oh jornal de notícia órfã!)…

Mas as árvores são as mesmas…

as tardes de familiar aroma…

– O que mudou, então?

Talvez… apenas a sombra…

com algumas folhas a menos…

ago 20, 2010 - Poemas   

Maria e José

Maria e José

Por Delalves Costa

Acordam às seis quando não antes

José e sua impessoal Família.

Escovam o amargor do sono,

gargarejam o pesadelo

e penteiam o espreguiçar

de noites; mal-dormidos…

Vestia jejum, ainda, desconjuntado

– no rosto leite coalhado

no cabelo pão esmigalhado

e bocejo sol requentado

José e sua Família, nesse dia

sem o horário marcado!

O trabalho ficou no centro,

fechada no livro, a escola

no bolso furado, o mercado

e o almoço foi em família.

Neste dia, José se ajoelhou.

Maria, de oito semanas,

– antes da boca, bem servida

entre an(seios, incontida), engravidou.

ago 6, 2010 - Poemas   

Marcas que deixamos

Marcas que deixamos

Por  Mário Feijó, 03.08.10
 
Algum dia você dirá
Adeus a alguém
E mesmo que não o diga
Isto não impedirá você de ir embora
Ou de alguém abandonar você…
 
Todos os seres humanos
Estão neste planeta
Apenas de passagem
Ninguém é eterno…
 
Eu penso que todos nós
Temos sempre que doar
O melhor de nós porque
O que buscamos é a evolução…
 
O amor nos torna eternos
Através das nossas ações
E através delas deixamos marcas
E estas marcas não se apagam facilmente…