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maio 20, 2010 - Poemas   

Chá com leie e mel

Chá com leie e mel 

Por Mário Feijó, 30.04.10

Ontem à noite
Enquanto o sono não vinha
Eu pensava em ti
Fiz um chá com leite e mel 

Alecrim porque dizem que traz alegria
E é disto o que eu mais preciso
Amor tenho bastante para ser feliz
Mas alegria me falta… 

Ela muitas vezes vai embora
Diante das agruras do dia-a-dia
– todos passamos por isto –
E não serei eu quem vai reclamar… 

Aprendo com elas, mas fico pensando
Nos filhos, nos parentes e nos amigos
Que não amolecem com o sofrimento
E por isto sofrem cada vez mais…

Sei que ainda sou muito pequeno
Diante do destino e da vida
Mas aprendi com os bambus
A me curvar nos vendavais…

maio 20, 2010 - Poemas   

Eu poderia ser um peixe

Eu poderia ser um peixe

Por Mário Feijó, 15.02.10

Eu poderia ser
Um pequeno peixe
Dentro de um imenso oceano
E dentro de uma cadeia alimentar
Ser o alimento de um tubarão…

No entanto nasci homem
Tenho sentimentos, inteligência,
Vontade própria para tomar decisões

E tudo o que eu faço
É conseqüência de meus atos
Sou responsável por mim
E pelos meus filhos enquanto são crianças… 

Eu não sou
Um pequeno peixe
Dentro do imenso oceano… 

Eu sou um ser humano
Com responsabilidades pelas minhas atitudes
E não posso ser tão irresponsável
Diante da vida e do Criador
Eu estou aqui para deixar marcas
E também para fazer a diferença…

maio 14, 2010 - Contos, Fragmentos Literários   

O Esquilador

O Esquilador

Por Artur P. dos Santos

“As tesouras cortam em um só compasso
enrijecendo o braço do esquilador”.

Também roubaste galinhas? Era a pergunta comum quando alguém aparecia de cabeça raspada na pequena cidade, onde todos conheciam todos. Tudo por conta de alguns rapazes que tentaram surrupiar algumas penosas para festejar o aniversário de um deles e foram pegos em flagrante e levados até a autoridade policial,

O delegado da época sabia que não era caso extremo. Aquilo não passava de arroubo de jovens e determinou que todos tivessem a cabeça raspada, como punição..

Enquanto isso o cabelo do rapazote continuava espetado. Sentia vontade de raspá-lo, quem sabe ao crescer viesse diferente. Talvez com a possibilidade de armação daquele topete que tanto admirava nos mocinhos dos filmes que assistia aos domingos no único cinema da cidade. Faltava-lhe, entretanto, coragem para enfrentar a gozação dos amigos.

À medida que o tempo passava, seu cabelo tomou outra forma, dificultando-lhe a manutenção sobre a cabeça quando o nordeste soprava mais forte. Depois veio a necessidade de reparti-los para fechar a clareira que se acentuava no ponto mais alto de sua mediana estatura.

Os anos passaram, A cidade cresceu. Seus habitantes eram outros. Talvez ninguém mais lembrasse do episódio das galinhas e ele voltou a pensar em raspar a cabeça. Já não sentia constrangimento e aprendera a assimilar todas as observações feitas sobre o avançado espaço sem cabelos no mesmo lugar que antes tentava esconder.

Sentou-se na cadeira do salão de costume e foi apresentado ao responsável pelo corte daquele dia. Era véspera de natal e estava disposto a raspar a cabeça antes de passar alguns dias no litoral.

Não era o mesmo profissional que conhecia. Era novo no estabelecimento e ele tratou de questioná-lo sobre a habilidade que possuía.

À medida que ia sendo informado do currículo, foi criando coragem para pedir que passasse a máquina número três, Avaliaria e, se gostasse, passaria para a de número dois. Afinal, foi informado de que o homem tinha trinta e quatro anos de idade, dez como profissional no corte de cabelos, trabalhando em um salão com seu pai, com quem aprendera tudo.. E mais, dos dezenove aos vinte e quatro havia trabalhado na tosquia de ovelhas na fronteira gaúcha. Podia confiar.

maio 5, 2010 - Poemas   

O outono

O outono

Por Suely Braga, Osório 05.05.2010

As folhas mortas
despencam
lambendo as calçadas.

Um grão de areia
pendurado numa folha,
desliza solitário
pelas estradas
até chegar o inverno.

abr 30, 2010 - Poemas   

Oh Sophia

Oh Sophia

Por Rosalva Rocha – 30.04.2010

Há coisa mais pura
Do que tê-la por perto
Ouvir a tua voz
O teu contentamento
As tuas verdades?

Há coisa mais bela
Do que te ver sorrindo
E nunca mentindo
Questionando sempre
Querendo o brinquedo
A escola
Os colegas
A pipa
O baú
Tudo ao mesmo tempo
Em uma profusão difícil de entender?

Há coisa mais instigante
Do que te ver crescer
Sendo estimulada sempre
E fazendo escolhas
E cantarolando
Ao mesmo tempo choramingando
E, especialmente,
Já argumentando?

Há coisa mais gratificante
Do que te ver aberta para um mundo
Nem sempre tão belo
Mas tão cheio de descobertas
Todas elas sendo curtidas por ti?

Não, nada é melhor!
Nada é melhor do que
Te ver assim
Inteligente
Esperta
Integrande do “meu mundo”
Que hoje te contempla intensamente
E me alimenta
E me deixa sempre tão feliz!