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fev 19, 2011 - Poemas   

O Nordestão

O Nordestão

Prosa poética por Suely Braga, Osório 05.02.2011

Na Primavera o  Nordestão cavalga na garupa dos cataventos em sua corrida alucinada. Encrespa  as águas azuis das lagoas. Agita o mar. As marés revoltas beijam sofregamente a areia branca. Os grãos de areia dispersam-se, levantando –se arrogantes,formando uma nuvem de poeira, que afugenta os banhistas.

Na cidade rompe nas ruas, balançando as cortinas das janelas, sacudindo as árvores. Suas folhas despencam-se nas calçadas e ruas com a fúria do vento. Os pedestres curvam-se contra as rajadas com os olhos sacrificados,vermelhos pela  poeira que se levanta impiedosa.

Os vestidos rodadas dançam um bailado ao canto do vento.

Os cabelos despenteiam-se e voam como pássaros em bando.

O Nordestão amaldiçoado tornou-se abençoado com a chegada dos cataventos. A energia eólica em abundância mudou o perfil da cidade. Touxe o progresso e o desenvolvimento.

Os rostos agora se abrem em sorrisos de alegria. Os semblantes dos habitantes se desanuviaram. O vento tornou-se mágico. Todos o enfrentam com entusiasmo  e auto estima elevada.

Osório agora  criou um novo logotipo : a cidade dos “Bons dos Bons Ventos.

fev 19, 2011 - Poemas   

Somos eternos

Somos eternos

“onde existe amor, Deus aí está”, Tolstói.

Por Mário Feijó, 19.02.2011

Por um instante
Eu pensei
Que minha vida
Estivesse no fim

É que tudo
Passou tão rápido
E ao mesmo tempo
Tudo é tão efêmero…

Para usufruir a eternidade
Que é um direito nosso
Temos que estar em paz
Temos que ter amor no coração…

Os instantes de felicidade existem
Eternizá-los em nossas vidas
Compete a nós mesmos
E à maneira como encaramos nossa existência…

fev 19, 2011 - Poemas   

No teu interior

No teu interior

Por Mário Feijó, 19.02.2011

Quisera eu por um momento
Estar dentro de ti
E com os teus olhos
Observar como olhas o mundo…

Quisera eu apenas por um instante
Ver a amaneira como me olhas
O modo como me sentes
E o que realmente sentes por mim…

Quisera eu por pouco tempo
Habitar dentro de ti
Colocar um pouco mais de amor
Na tua vida e no teu coração…

É que eu não consigo entender
Por que não te amas?
Por que te destróis?
E por que vês o mundo
Com tanta amargura…

fev 10, 2011 - Crônicas, Fragmentos Literários   

Quem compra livros? Quem lê livros?

Quem compra livros? Quem lê livros?

Por Mariza Simon

Que pergunta estranha! Grandes autores apresentam grandes vendagens. Saramago foi um deles, assim como tantos outros. Mas certamente não foi um dos mais lidos. A razão é que Saramago é um escritor difícil, penetrante. Coloca questionamentos, dúvidas existenciais. Propõem problemas para o leitor, especialmente o problema da forma.Certamente, vendeu muito mas foi pouco lido por se tratar de um autor filosófico.

A maioria do leitor brasileiro só alcança o nível dos autores de entretenimento, de autoajuda ou curiosidades. Livros  de conhecimento, de pesquisa, de história, livros  que induzam à reflexão e à questionamentos mais complexos interessam  a poucos..

Por que a maioria de compradores de livros não consegue ler autores de maior amplitude e complexidade? Falta de interesse?

Acredito que existam algumas respostas.  Uma delas : o nível da educação é baixo e   a  cultura, de maneira geral, é limitada.   Neste sentido, a filosofia   morreu.  A arte de interpelar o mundo, as angústias do nosso tempo, o conhecimento interior, tudo isto foi suplantado  pela crença do presente, do aqui e agora.

O mundo da cultura (arte, ciência, política, hábitos, idéias)  melhorou e avançou muito. Temos  a informação científica e os avanços da ciência no nosso cotidiano,a produção artística se desenvolveu, direitos humanos e política estão avançando bem mais que há 50 anos atrás, a sociedade se expandiu quantitativamente  mas não qualitativamente.

Por que pioramos culturalmente?  Penso,   porque a filosofia desapareceu.Filosofia- no sentido do questionamento sistemático do mundo e do eu. Esta é a razão dos livros mais elaborados pouco serem lidos e comentados; muitos deles relegados às páginas de variedades de jornais e revistas, de maneira geral.

Vivemos a cultura do presente e o que interessa é a posse material e não o conhecimento,  tão necessário   para que as pessoas reflitam e se conheçam, pois, seguramente, vivemos  à sombra do passado.

fev 1, 2011 - Poemas   

Escritora Suely Braga fala sobre a vida literária em Osório

Escritora Suely Braga fala sobre a vida literária em Osório

Por Marcelo Spalding – www.artistasgauchos.com.br

Suely Eva dos Navegantes Braga, nascida em Santo Antonio da Patrulha-RS, mora na cidade de Osório. É professora aposentada em Língua Portuguesa e Literatura, pós-graduada em Orientação Educacionl pela PUCRS. É escritora de contos, crônicas e poesias, premiada muitas vezes a nível estadual e nacional. Participou de mais de 40 Antologias. Em 2007, publicou o livro de contos e crônicas “Os últimos acordes do concerto”. Pertence à Academia dos Escritores do Litoral Norte. Escreve na internet ,no Recanto das Letras e no site da Academia. É correspondente do jornal RSLETRAS de Porto Alegre.

Em que momento de sua vida a senhora começou a escrever ficção?
Desde menina fui uma leitora compulsiva. Li quase todos os livros da biblioteca da minha escola. Depois de formada, fui lecionar em Osório língua portuguesa e literatura nas séries do fundamental , também no curso de Magistério. Continuei lendo muito, mas passei a escrever artigos sobre educação e política nos jornais da cidade. Depois de aposentada, com mais tempo livre dediquei-me a escrever contos, crônicas e poesias. Estava com meus textos na gaveta até que em 1998 participei de um Concurso Literário, em Porto Alegre, organizado pelo Cipel-Correio do Povo e fui premiada recebendo um troféu. Isto me estimulou muito e comecei a participar de concursos e a angariar prêmios. Em 2007 consegui publicar meu livro solo, ”Os últimos acordes do concerto”, de contos e crônicas, que foi muito bem aceito. Publiquei e continuo publicando nos jornais da cidade: Revisão e Bons Ventos. Sou correspondente do jornal de Porto Alegre RSLETRAS onde publico textos literários e notícias. Tenho uma página na internet, o Recanto das Letras. Para desenvolver a técnica fiz oficinas de crônicas com Moacyr Sclyer, de contos com Charles Kifer e de poesia com o poeta Luiz de Miranda.

A senhora era professora de Língua Portuguesa. Isso contribuiu para sua formação de escritora?
Sim, ajudou muito. Como lecionava Língua Portuguesa e Literatura tinha que ler muito, ensinei e aprendi muito com meus alunos. Sempre estimulei muito os jovens a gostarem de ler e escrever. Consegui influenciá-los a adquirir o hábito da leitura. Eles escreviam muito. Foi muito gratificante para mim ver que alguns seguiram a profissão de jornalismo e muitas jovens foram e são boas professoras de língua portuguesa e literatura.

A senhora hoje mora em Osório e participa da Academia dos escritores do Litoral Norte. Como funciona a Academia ?
A Academia começou com um pequeno grupo de escritores de Osório, que resolveram se reunir para debater seus problemas que eram muitos. No começo éramos um departamento da Associação dos Estudos Culturais.(AEC), depois foram se agregando mais escritores da região e resolvemos ficar independentes e formar uma Academia. No princípio foi difícil, hoje a Academia tem uma diretoria, uma anualidade para cada sócio. Temos um site que é www.ael.org. A Academia cresceu , amadureceu e criou visibilidade e é respeitada e divulgada na região. Fazem parte dela escritores de Tramandaí, Imbé, Capão da Canoa, Santo Antonio da Patrulha, Palmares do Sul e Osório. Nos reunimos sempre no 2 º sábado de cada mês, participamos e realizamos saraus na região. Seus membros visitam as escolas, fazem palestras também nas Feiras de Livro. E o que é muito importante é que a Academia é conhecida e respeitada na região. Os meios de comunicação, jornais e rádios, divulgam nossos trabalhos. Acho que a Academia é um elo de união, de confraternização e proporciona o conhecimento e o congraçamento dos escritores da região. No entanto, nem todos os escritores de Osório não participam da Academia.

Alguns autores reclamam que escritores do interior não têm espaço na capital . O que a senhora pensa disso?
É uma realidade. Os escritores, salvo raras exceções, não têm espaço na capital. Já é difícil serem reconhecidos em sua própria cidade e região. Na capital, então, nem pensar.

O município de Osório tem se notabilizado por investir em eventos literários. Valoriza o escritor local? De que forma?
É verdade nos últimos anos tem havido muitos eventos culturais em Osório. Os escritores são muito valorizados pelo Poder Público Municipal através das Secretarias de Cultura e Educação. Em 2007, a prefeitura municipal comprou 500 (quinhentos) livros da cada escritor que lançou livros naquele ano, e em 2008 também. Temos espaço no Espaço Cultural Conceição, no bar Café Com Letras, nas livrarias locais, nos restaurantes, nas casas comerciais, onde quisermos colocar nossos livros. A Academia está presente nos eventos culturais. Agora temos o bar Café Com Letras,que realiza um sarau a cada mês muito concorrido. Os escritores são convidados pelas escolas para fazerem palestras.Tem um membro da Academia, o poeta Delalves, que edita a revista “Dois pontos” com artigos literários, educacionais e culturais.Esta Revista é distribuída gratuitamente em Osório e na região.

A senhora foi homenageada na mais recente Feira do Livro de Osório, qual a sua opinião sobre a Feira?
Sim, fui homenageada na mais recente Feira do Livro de Osório. Fiquei muito honrada e feliz. Antes já fui homenageada da Sesmaria da poesia estudantil-quadra 09. Meus poemas foram trabalhados pelos alunos nas escolas e ilustrados com desenhos, os quais foram colocados num painel. Quanto à Feira do Livro gostei muito, apesar de alguns equívocos.

Às vezes me parece que as Feiras têm se tornado cada vez mais uma festa cultural com muito teatro, música, palestras de jornalistas conhecidos e figurões e pouco espaço para a literatura, a crítica, a poesia? O que a senhora pensa disto?
Acho que todas as artes se interligam, mas concordo contigo que deveria haver mais espaço para a Literatura, a crítica e a poesia. Contudo, no interior se não trouxermos pessoas conhecidas na mídia e escritores famosos, não usarmos a música, o teatro, a dança para acrescentarmos à Feira, não há público. As pessoas não valorizam a literatura porque lêem muito pouco e esperam ansiosos a Feira como uma festa. Junto à Feira acontece a Semana da Leitura organizada pelas escolas municipais que é a culminância de um projeto realizado durante o ano chamado “ aluno leitor “. Pela manhã as atividades são direcionadas às crianças, como contação de histórias,peças teatrais,oficinas variadas de ilustração de poemas com desenhos, pinturas etc. Uma coisa que gostei muito foi que desde o ano passado os patronos , os homenageados, o xerife são pessoas da comunidade ligadas à literatura e à cultura e ficam presentes todos os dias na Feira e podem fazer um trabalho nas escolas em preparação à Feira. Um representante da diretoria da Academia participa da comissão da organização das Feiras de Osório.

Qual é sua opinião sobre o futuro do livro e da literatura?
Acho que a literatura vai muito bem. Com a era do computador e da internet os professores podem usar estas ferramentas para tornar suas aulas mais atraentes. A apesar de que em nosso país haja poucos leitores de literatura (se lê muito livros de auto ajuda) cada vez mais estão surgindo novos escritores e escritores jovens, Associações Literárias, jornais e revistas literárias. Quanto ao livro acho que o livro impresso nunca vai acabar. A internet com portais, sites , blogs, livros virtuais e vídeos são complementação do livro impresso. Quando surgiu a televisão diziam que o rádio ia acabar, no entanto continuamos cada vez mais ouvindo rádio. Com o surgimento do DVD achavam que o cinema ia acabar, mas as salas de cinema continuam lotadas. Estão surgindo muitos livretos, livros de bolso com preços mais acessíveis. Temos uma editora que publica estes pequenos livros com muitas tiragens. O livro impresso é prático, a gente carrega na bolsa e lê em qualquer lugar, no gabinete dentário, no consultório médico, no ônibus, nas bibliotecas, na fisioterapia,etc.

Para terminar, um artista gaúcho.
Na prosa, Moacyr Sclyer; na poesia, Mário Quintana; no teatro, Sandra Dani.

Acesse Suely Braga e saiba mais sobre a escritora da AELN.

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