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jul 24, 2011 - Resenhas   

Não há silêncio que não termine

Livro Não há silêncio que não termine, de Ingrid Betancourt

Resenha: Cássia Message

O livro, publicado em 2010, traz a trajetória de sua autora na Amazônia colombiana, em poder das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Durante cerca de seis anos, Ingrid Betancourt, sequestrada em 2002, então candidata a presidência da Colômbia, ficou na selva à merce dos guerrilheiros, que a chamavam de chuca (velha), e lhe impunham todo tipo de maus tratos e castigos por suas tentativas de fuga (quatro no total) e reivindicações pela melhora da situação dos prisioneiros.

Além da forte narrativa política, o livro descreve o sofrimento da autora, sobrevivendo em condições subumanas, sem contato com os filhos, sofrendo a morte do pai, ocorrida apenas um mês após o sequestro, aterrorizada pelos guerrilheiros, que com crueldade desmoralizavam os prisioneiros, mantendo-os assim abalados e cada vez mais frágeis, impossibilitados de qualquer reação, lutando para manter a saúde física e mental.

Os prisioneiros passavam frio e fome, eram acorrentados pelo pescoço a árvores, eram obrigados a fazer suas necessidades e higiene em conjunto, em buracos cavados por seus carcereiros. Nessas condições, os piores sentimentos vinham à tona, como a mesquinhez na disputa pela comida, pelas acomodações, a traição dos companheiros, a desconfiança ante uma possível posição privilegiada de Ingrid e as críticas por seus constantes ataques aos carcereiros.

É a necessidade de enfrentar esses sentimentos, e a total transformação dos valores, que acaba voltando Ingrid para o sagrado, buscando na fé a força necessária para superar as humilhações, as críticas, os sofrimentos infligidos fosse pelos companheiros de cativeiro, fosse pela guerrilha:

“Incapaz de agir sobre o mundo, desloquei minha energia para agir em “meu mundo”. Queria construir um eu mais forte, mais sólido. (…) Seguramente Deus tinha razão e o Espírito Santo devia saber muito bem, pois se obstinava em não querer interceder em favor de minha liberdade. Eu ainda tinha muito que aprender.”

Outro aspecto abordado pela autora é a constatação de que o ideal revolucionário foi substituído pela ganância, a luta pelo poder e a busca de uma vida com valores semelhantes aos que dizem combater. Ingrid ainda encontrou idealistas, mas a vontade destes era facilmente subjugada pela força de um movimento financiando pelo narcotráfico.

Neste cenário transcorreram os seis anos de cativeiro de Ingrid Betancourt, libertada em julho de 2008, numa operação do exército colombiano, que chamou a atenção do mundo para o conflito vivido em nosso continente.

jul 20, 2011 - Poemas   

A doce bebida

A doce bebida

Por Evanise Gonçalves Bossle

Vinho… a doce bebida,
que traz lembranças antigas…

Brincadeiras infantis
debaixo dos parreirais.
Na sede imensa dos primeiros beijos,
sorvendo a ânsia
dos pálidos desejos
na uva fresca tocando os lábios vermelhos.

Depois do almoço,
naqueles domingos que não voltam mais,
a embriagues do suave vinho
levando os nonos a cantarem em coro
enquanto os jovens corriam soltos
sob os parreirais.

Amores frescos sobre a relva virgem,
o vinho na alma,trazendo à tona
fortes vendavais de paixões,
sob os parreirais, sob os parreirais.

jul 10, 2011 - Resenhas   

Cartas a um Jovem Escritor – Toda vida merece um livro

“Cartas a um Jovem Escritor – Toda vida merece um livro”
Mario Vargas Llosa (Elsevier  – 2008),

por Rosalva Rocha, 05/04/2011

O livro, pequeno, descreve ensinamentos diretos e contundentes para quem está iniciando nas letras. Foca o quanto é imprescindível ler. E mais: ele confessa que não exagera quando diz: Ler muito!
Um livro de inesgotável fonte de consulta.
Descreve o quão perigoso é o conceito quando aplicado à literatura, afirmando que o que se sabe é que a ficção, por definição , é fraude – algo que finge ser real embora não o seja – e que todos os romances são mentiras disfarçadas de verdade, criações cujo poder de persuasão depende exclusivamente do emprego eficaz pelo romancista de técnicas de ilusionismo e prestidigitação semelhantes às dos mágicos de circo ou de palco.
Considera difícil alguém se tornar um criador – um transformador da realidade – se não escrever estimulado e nutrido por aqueles fantasmas (ou demônios) que carrega dentro de si.
Trata a persuasão citada acima como o encurtamento da distância que separa a ficção da realidade e, apagando essa fronteira, faz o leitor viver aquela mentira como se fosse a verdade mais imperecível e aquela ilusão, a mais consistente e sólida descrição da realidade.
Ao mesmo tempo que trata do estilo, seduz quando escreve sobre o narrador e o espaço, tudo isto embasado em histórias reais de romances já publicados, o que confere ao leitor uma compreensão simples.
Por fim, sentencia que ninguém pode ensinar ninguém a criar; na melhor das hipóteses, podemos aprender a ler e a escrever. O restante precisamos ensinar a nós mesmos, tropeçando, caindo e levantando sem cessar.

jul 1, 2011 - Poemas, Últimas Notícias   

Poesia de escritor osoriense na Zero Hora

O jornal Zero Hora desta sexta-feira (1.º de julho) publicou na página cultural Almanaque Gaúcho a “Simplesmente, poema”, do poeta osoriense Delalves Costa, membro da Academia dos Escritores do Litoral Norte/RS. A poesia é conhecida do público leitor, pois, além de fazer parte do livro “Considerações Pre-maturas & Outras ausências, coletânea em comemoração aos 10 anos de carreira do autor, lançado em 2008 no Espaço Cultural Conceição, já foi recitada em muitos eventos literários como sarau, rodas poéticas. “Simplesmente, poema” é um ponto de encontro marcado do poeta com as circunstâncias da vida; circunstâncias comuns a todos, mas diferente para o olhar contemplativo do artista inspirado, tomado pela essência da arte poética. O texto, no caso o poema, é a criatura para quem o criador dedica o tempo a reencontra-se, numa procura um tanto enigmática, com passos, vozes. Há algo não resolvido, que exige sutileza ao ser tateado, pois há estilhaços, ferida, dilema. Um lugar para ser descoberto por cada um de nós, este é o enigma da circunstância, pois a vida é um misto surpreendente de saberes e sabores, ou melhor, “simplesmente, poema”. A poesia “Simplesmente, poema” está selecionada para fazer parte do proximo livro “Fragmentos e iluminuras do discurso pre-maturo”, com prefácio do escritor e crítico literário Luis Nicanor.


Confira a poesia:


Simplesmente, poema…

O poema de vidro
Sob os passos… Estilhaços!
Sobre os versos
A voz enlouquecida… Ferida!

Quando à noite
Debruço sobre o poema… Dilema!
Descalço sobre estilhaços
Vago à sua procura… Releitura!

O poema de vidro relido
Na página em estilhaços…
Meus passos!
À sua procura me encontro
No olho do dilema…
Simplesmente, poema!

Fonte: Divulgação

jun 30, 2011 - Poemas   

Inverno

Inverno

Por Suely Braga


Frio gélido

Chuvas torrenciais

Ventos causticantes

Paisagem engessada

Ponches dançam um bailado

esvoaçando  ao léu.

Pássaros emudecem

Calados desaparecem

Flores fenecem

Árvores despidas de suas cabeleiras

Deixam o ar moribundo

Cata-ventos giram com a loucura dos vendavais

Passantes encapuzados

desfilam  nas artérias das cidades.

Outono deixou saudade

para  o inverno chorar

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