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dez 9, 2011 - Contos   

Feira do Livro em Caspernoste

Feira do Livro em Caspernoste

Por Leda Saraiva Soares

Esticado, imóvel na cama. Silêncio total. Olhos fixos nas frestas da veneziana, Floriano percebe a claridade do dia a invadir o quarto. Levanta-se, pé por pé, para não acordar Alzira.  Veste-se e sai a caminhar. Não avisa ninguém. Encontra o zelador do prédio próximo ao elevador.  Bom dia, João! Tudo bem? Tudo bem, Dr. Floriano.


Caminha sem pressa em direção à praia. A rua está deserta. Chega a pensar no perigo de caminhar sozinho… Não. Quem é que vai querer assaltar um velho? Nesse dia sente-se animado.


O sol deixa a paisagem mais bela. Os pássaros fazem a festa do alvorecer. Os Mimos de Venus (hibiscos) o saúdam num festival de cores. De vez em quando um cheiro de café  passado mexe com Floriano.


Chega à praia. No calçadão não se vê uma viva alma. Nesse dia o mar está verde, translúcido. Isso é incomum. As ondas quebram delicadamente, espraiando-se com uma borda branca de espuma a beijar os pés de Floriano. A temperatura da água é a mesma da pele. Chega a ser um carinho. Floriano aspira e sente aquele ar de maresia tão puro, tão agradável. Queda-se a olhar o vai-e-vem das ondas. Sente a grandiosidade do mar.


Uma força estranha o faz flutuar. Entra em êxtase. Quando se dá conta está em outro lugar. Que estranho!… Que lugar será este? Ali não precisa caminhar, desliza. As pessoas que vê ao longe, vestem-se diferente, tudo parece luminoso, etéreo. Vê-se com uma túnica translúcida e resplendente. Uma linda moça de uma suavidade irreal o acompanha. Saem a caminhar e Floriano encanta-se com tudo o que vê. É uma cidade diferente. Não há pobreza, violência, dor, diferenças, angústia… Tudo se reveste de cores delicadas, luminosas.


Olha ao longe. Uma luz dourada quase o ofusca. Parece uma pessoa esguia, muito elegante, vestida de ouro. As pedras preciosas de suas vestes faíscam e irradiam raios como se fosse raio lazer em grandes shows. Aproxima-se mais e a reconhece. É Olívia!


-O que fazes aqui, criatura?


-Ah! Que bom,  Floriano, também vens lançar teu livro na Feira do Livro de Caspernoste. Dirigindo-se à moça que o acompanha diz: Podes deixar, Ísis. Eu acompanho Floriano até a Feira.


– Floriano, este lugar é maravilhoso. É o céu. Quem chega aqui, não quer mais ir embora. Vamos nos apressar que já estamos atrasados. Ainda bem que aqui podemos voar. Acho que o Zica, a Luna, a Daiane, o Zeca, o Pedro Paulo, a Aurora a Catarina, o Márcio e todo o pessoal já estão lá. Amanhã vais conhecer melhor esta cidade de Carpesnoste que só tem encantos e mistérios…

out 3, 2011 - Poemas   

O amor é uma droga pesada

O amor é uma droga pesada
por Rosalva Rocha – 14/09/2011

amor é vício
pé no precipício
fogo faceiro
livres labaredas
ardente desejo
loucura desenfreada
voo para o absurdo
mergulho profundo
sonhos – claridade alterada

quando há troca
transborda mudanças
altera cenário
enredo
transforma corpos
emana prazer
faz crescer

se finda (com amor)
coração em ruína
corpo estendido
veia exposta
urgente morfina

set 21, 2011 - Poemas, Últimas Notícias   

Novos talentos da poesia torrense

Mário Feijó, presidente da Academia dos Escritores do Litoral Norte, esteve dia 17.09.11 na Feira do Livro de Torres, representado nossa AELN e foi o Presidente do Juri do 5. Concurso de Poesia nas Escolas daquela cidade, intitulado NOVOS TALENTOS DA POESIA TORRENSE 5 – uma promoção da Feira do Livro da Cidade e da Cultural FM.
Foram os cinco primeiros colocados:

1. lugar – João Pedro Zanata – Matilha Urbana – aluno da 7a. Série da Escola Estadual de Ensino Fundamental Manoel João Machado – Torres – RS.

MATILHA URBANA

O lobo,
imponente e solitário,
o lider de uma horda caótica,
ou a simples “fera” que conversa com a lua?
na tundra de árvores de cerne habitável,
rasteja, espreita, comanda a matilha.
Sozinho na neve, a lua e o relento,
na caça, a esperteza, única armadilha.

O grito de uma presa na noite adentro.
Na fumaça boreal que sai das chaminés,
encoberto o luar, perdeu a graça,
Husky de madame vira teteia,
uivo de homem, comando de caça.
Perigo na noite, é show sem plateia.

Orelhas em pé, radar de alerta,
quem uiva mais forte é o líder do bando.
Na boca de lobo, esgoto e lixão,
no governo, chuhuaua assume o comando.

Vacilo é o próprio caixão.
Rosnando, uivando, ganindo.
Já não pesca peixes no rio,
apenas sobrevive seguindo,
temido, respeitado e bravio
O lobo.

2. Lugar – Cristal Silveira Figueiredo, da Escola I.E.E. Marcílio Dias – Torres – RS

O EU LÍRICO E O POETA DESOLADO

O Seu coração Bate?
Perguntou o eu Lírico.
O poeta Respondeu: bate!
Mas não como eu quero

Não bate como batia antes,
Ele bate por tristezas
Ele bate desolado
Ele bate sem querer bater

Se antes a cada batida,
Caísse uma lágrima de emoção,
Hoje essa lágrima só serve para limpar o olho.
Se antes a cada palavra dita

O coração vibrava,
hoje ele só bate por obrigação
No silêncio das minhas palavras…

O eu lírico tornou a perguntar:
O seu coração bate?
e num simples e último suspiro do poeta
O eu lírico não obteve resposta…

3. Lugar – Luana Oliveira Rocha – FOLHAS NO CHÃO – E.E.B. Gov. Ildo Meneghetti de Passo – Torres – SC
4. Lugar – Milena Santos de Jesus – SILÊNCIO – EEB Gov. Ildo Meneghetti – Passo de Torres – SC
5. Lugar – Taís Camargo Cardoso – EEEB Gov. Jorge Lacerda – Passo de Torres – SC

Fonte: Divulgação

A Independência do Brasil

A Independência do Brasil

Por Mariza Simon dos Santos

A maré de inovações e mudanças que invadiu a Europa após a Revolução Francesa (1789) também teve u m efeito devastador na então colônia de Portugal- o Brasil. Era uma população analfabeta, isolada do mundo da época e controlada rigidamente. Manufaturas e indústria grafica eram proibidas , como também jornais. Não havia circulação de idéias. Uma minoria tinha acesso a livros e até mesmo réu niões eram vigiadas e proibidas. De cem brasileiros só saibam ler e escrever cerca de dez .

Publicações de pensadores europeus , com idéias libertárias eram trazidas da Europa, onde alguns privilegiados haviam estudado, e alimentavam as reuniões secretas, como as da maçonaria. A partir do século XVIII surgiriam revoltas derivadas do conflito de interesses entre a colônia e Portugal chamadas de nativistas pelo seu caráter local, tendo á frente brasileiros nativos; a Revolta dos Beckman 1684); a Guerra dos Emboabas (1707, Minas Gerais); a Guerra dos Mascates (1710, Pernambuco); a Revolta de Felipe dos Santos (1720, Minas Gerais). As mais separatistas foram a Inconfidência Mineira (Vila Rica, 1789) e a Conjuração Baiana (Salvador ,1798) que evidenciaram uma certa consciência da posição colonialista.

A possibilidade de tornar-se um país independente era muita remota. O isolamento e as rivalidades entre grupos pobres e analfabetos (90% ) e uma minoria rica e intelectualizada de um país à beira da falência, sem exércitos,navios,armas e munições,prenunciava uma longa e sangrenta guerra contra os portugueses. Mas o anseio de liberdade crescia numa pequena elite já existente. O retorno a Lisboa (abril1821) de D.João VI deixou o país despojado de seus bens financeiros,guardados no Banco do Brasil e no Tesouro Real.Seu filho D.Pedro I, como Príncipe Regente encontrou os cofres vazios. Ao manter a chama acesa da independência brasileira D.Pedro I apelou para empréstimos estrangeiros( quando nasceu nossa dívida) e pela valorização fitícia do dinheiro (gerando inflação). Somou-se-se a este quadro político graves problemas econômicos, já que a produção açucareira e a mineração de ouro e diamantes estavam em decadência, apesar do incremento da produção do algodão.Estava sur gindo um novo eixo econômico no vale do Paraíba com a produção do café, uma riqueza que se expandiu.

Após o “grito da Independência” ( concepção artística, visualizada e proclamada pela pintura de Pedro Américo- o quadro “Independência do Brasil”) iniciou-se definitivamente o processo de separação de Portugal. O Brasil se apresentava como um binômio: um Brasil transformado pela presença da Corte Portuguesa, com algumas milhares de pessoas com requintes de refinamento, alojadas num vilarejo modesto e colonial(Rio de Janeiro); contráriamente havia brasileiros espalhados por um vasto territorio quase desconhecido, isolados e ignorantes. Não haviam elos de ligação entre estes dois Brasis., a não ser a aversão ao trabalho manual , dependente da mão de obra escrava. A situação brasileira nos anos seguintes foi muito delicada e exigiu habilidade política,na tentativa de não fraccionar o território, a exemplo das colônias que se separavam da Espanha.A Bahia manteve-se fiel à Coroa Portuguesa e também o Maranhão, Piauí, o Pará e o Amazonas. Após inúmeros conflitos foram sufocadas as rebeliões nestas Províncias, instalando-se uma relativa acomodação ao status quo.

Já se passaram 500 anos da descoberta do Brasil e cerca de quase 200 anos de nossa libertação da Coroa Portuguesa. No entanto, ainda hoje observamos um país bipartido, com lugares de alto padrão intelectualizado e lugare e segmentos sociais de homens e mulheres analfabetos. Temos uma imensa juventude semi-alfabetizada e atrasada. Temos um Brasil multicultural e de extensa territorialidade mas convivendo entre abismos sócio-culturais. Ainda não tomamos consciência de nossas deficiências e atrasos neste século XXI. Não enfrentamos decisivamente nosso pior inimigo: a ignorância cultural e o semi-analfabetismo. Canalizamos nossos esforços econômicos e sociais nos segmentos universitários e formamos jovens despreparados para erguer e projetar nosso país.Que projeto teremos para este nosso País, senão pensarmos e prepararmos as multidões de crianças e jovens para um futuro tão próximo? Desta maneira faremos a verdadeira Independência deste Brasil tão rico, privilegiado por uma Natureza exuberante, que responderá generosamente aos nossos esforços. Precisamos concretizar a verdadeira independência de nosso país.

set 11, 2011 - Poemas   

Porto Alegre

Porto Alegre

Por Rosalva Rocha – 08/06/2011
Poema premiado no Concurso Literário Apolinário Porto Alegre 2011

Aqui resido
Faço abrigo
Aninho meus desejos mais profundos
Canto – danço – flano
Não me sinto em abandono

Caminho pelas ruas
Curto o rio
O mercado público
A redenção
Com a maior paixão

Admiro o por do sol
E por longos momentos
Caio em tentação
Abandono meus pesares
Jogo pensamentos aos ares

Nesta cidade sou feliz
Pareço menina com sua boneca
Segurando-a pelas tranças
Chutando pedregulhos na calçada
Sentindo-se abençoada

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