Andradina América Andrade de Oliveira (12 de junho de 1864 – 19 de junho de 1935) foi jornalista, escritora, dramaturga, atriz e líder feminista brasileira. Nasceu em Porto Alegre e faleceu em São Paulo. É considerada uma das pioneiras da literatura feminina e do pensamento feminista no Rio Grande do Sul e no Brasil. 

Destacou-se pela intensa atuação na imprensa e na defesa dos direitos das mulheres no final do século XIX e início do século XX. Em 1898 fundou o jornal literário Escrínio, inicialmente publicado em Bagé e posteriormente editado em Santa Maria e em Porto Alegre. A publicação tornou-se um espaço importante para a difusão da literatura e para o debate cultural e social da época. 

Grande parte de sua produção literária e jornalística foi dedicada à condição feminina e à emancipação das mulheres. Em 1912 publicou a coletânea de ensaios Divórcio?, obra em que defendia o divórcio pleno como forma de permitir uma nova oportunidade de vida para mulheres presas a casamentos infelizes. A posição provocou forte reação de setores conservadores da sociedade, especialmente da Igreja Católica e de grupos positivistas, o que levou a autora a sofrer perseguições e críticas públicas. 

Em razão dessas pressões, Andradina deixou o Rio Grande do Sul e passou a percorrer diversas cidades da América do Sul e do Brasil, como Montevidéu, Buenos Aires, Assunção, Cáceres e Cuiabá, realizando conferências e divulgando suas obras. Posteriormente estabeleceu-se em São Paulo, onde viveu até sua morte. 

Entre suas principais obras destacam-se O Sacrifício de Laura (1891), Preludiando (1897), Você me conhece? (1899), A Mulher Rio-Grandense (1907), Cruz de Pérolas (1908), O Perdão (1910) e Divórcio? (1912), textos que abordam questões sociais, morais e especialmente o papel da mulher na sociedade. 

Pelo pioneirismo de sua atuação literária e pelo engajamento na defesa da emancipação feminina, Andradina de Oliveira permanece como uma das figuras mais relevantes da história da literatura e do pensamento social no Rio Grande do Sul, sendo reconhecida também como patrona da cadeira nº 11 da Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul e da cadeira n° 32 da Academia de Escritores do Litoral Norte do Rio Grande do Sul.