Caio Fernando Abreu

Caio Fernando Abreu (Caio Fernando Loureiro de Abreu) (12 de setembro de 1948 – 25 de fevereiro de 1996) foi escritor, jornalista, cronista, contista, romancista, dramaturgo e tradutor brasileiro. Nasceu em Santiago e faleceu em Porto Alegre sendo considerado um dos mais importantes autores da literatura brasileira contemporânea e um dos principais representantes da geração literária surgida nas décadas de 1970 e 1980.
Primogênito dos quatro filhos de Zaél Menezes Abreu e Nair Loureiro de Abreu, iniciou-se na literatura ainda jovem. Estudou Letras e Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mas abandonou os cursos para dedicar-se ao jornalismo e à escrita literária. Trabalhou em revistas e jornais importantes, como Nova, Manchete, Veja, Pop, Correio do Povo, Zero Hora, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo.
Durante a ditadura militar brasileira, em 1968, chegou a ser perseguido pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e refugiou-se por um período no sítio da escritora Hilda Hilst, em Campinas. No início da década de 1970 viveu no exterior, passando por países como Espanha, Suécia, Países Baixos, Inglaterra e França, experiência que marcou sua formação cultural e literária.
Sua obra caracteriza-se por uma escrita intensa e pessoal, frequentemente marcada por temas como solidão, medo, desejo, morte e as angústias da vida urbana contemporânea. Seus textos abordam com sensibilidade questões existenciais, afetivas e identitárias, sendo considerado por críticos um dos autores que melhor expressaram a fragmentação e as inquietações do mundo moderno.
Entre suas principais obras destacam-se Inventário do ir-remediável (1970), O Ovo Apunhalado (1975), Pedras de Calcutá (1977), Morangos Mofados (1982), Os Dragões Não Conhecem o Paraíso (1988), Onde Andará Dulce Veiga? (1990) e Ovelhas Negras (1995), além do romance Limite Branco (1970).
Ao longo de sua carreira recebeu diversos reconhecimentos literários, entre eles três Prêmios Jabuti, um dos mais importantes prêmios da literatura brasileira.
Em 1994 revelou publicamente ser portador do vírus HIV em uma série de crônicas intituladas Cartas para Além dos Muros, publicadas no jornal O Estado de S. Paulo. Dois anos depois, faleceu em Porto Alegre, aos 47 anos, deixando uma obra que se tornou referência na literatura brasileira contemporânea.
Pela força literária de seus contos, crônicas e romances, Caio Fernando Abreu permanece como um dos autores mais influentes da literatura brasileira do final do século XX, cuja obra continua a dialogar com leitores de diferentes gerações.