Lilian Argentina Braga Marques (30 de abril de 1922 – 5 de abril de 2006) foi professora, escritora, jornalista, pesquisadora e folclorista brasileira, nascida e falecida em Porto Alegre. Destacou-se como uma das principais estudiosas do folclore e das tradições culturais do Rio Grande do Sul, dedicando grande parte de sua vida à pesquisa e à divulgação da memória cultural do estado.

Filha de Ernesto Heitor Braga e Elena Renaud Braga, desenvolveu intensa atividade intelectual voltada ao estudo da história, das tradições e das manifestações culturais populares do povo gaúcho. Atuou no magistério e no jornalismo cultural, além de participar ativamente de instituições voltadas à preservação da cultura regional.

Como pesquisadora, teve atuação destacada no Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore e na Comissão Gaúcha de Folclore, da qual foi presidente de honra, além de integrar a Comissão Nacional de Folclore. Também foi a primeira mulher a integrar o conselho do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), destacando-se pela contribuição ao estudo e à valorização das tradições populares do estado.

Realizou diversas pesquisas de campo sobre manifestações culturais do Rio Grande do Sul, dedicando atenção especial às comunidades litorâneas. Ainda a partir da década de 1940, desenvolveu estudos sobre os modos de vida e as tradições dos pescadores artesanais do litoral norte, incluindo registros realizados em Tramandaí, quando a região ainda apresentava forte vínculo com a cultura da pesca e com práticas tradicionais transmitidas entre gerações.

Essas pesquisas resultaram em importantes registros sobre técnicas de pesca, costumes, crenças e aspectos da organização social das comunidades de pescadores, contribuindo para preservar a memória cultural do litoral gaúcho em um período anterior às grandes transformações urbanas da região.

Entre as principais obras, destacam-se estudos dedicados ao folclore, às tradições e às manifestações culturais do Rio Grande do Sul, como O Pescador Artesanal do Sul (1973), obra premiada no mesmo ano com o Prêmio Sílvio Romero de Monografias de Folclore, concedido pelo Ministério da Educação, resultado de pesquisa sobre a cultura e o modo de vida dos pescadores artesanais do litoral gaúcho; Jogos e Passeios Infantis (1981), publicado em colaboração com Rose Marie Reis Garcia, abordando brincadeiras tradicionais da infância; Carretas e Carreteiros (1984), sobre a tradição do transporte e da cultura campeira; Brincadeiras Cantadas (1989), também em parceria com Garcia, reunindo cantigas e jogos populares; Rio Grande do Sul – Aspectos do Folclore (1989/1992), obra dedicada ao estudo das manifestações folclóricas do estado; Aprendendo a Brincar (2001), voltado à preservação das brincadeiras populares; e O Cavalo no Folclore do Rio Grande do Sul, estudo sobre a presença simbólica e cultural do cavalo na tradição gaúcha.

Ao longo de sua trajetória recebeu diversas distinções e homenagens por sua contribuição à cultura e ao folclore brasileiro. Entre elas destacam-se a Comenda do Seival concedida pela Câmara Municipal de Tramandaí (1992), o Troféu Pioneiro do 35º Centro de Tradições Gaúchas (1992), o Troféu Destaque por pesquisa realizada em colônia italiana em Bento Gonçalves (1994), o Prêmio Raízes de Santo Antônio da Patrulha (1996), a Comenda Dante de Laytano da Comissão Gaúcha de Folclore (1998), a Medalha Simões Lopes Neto concedida pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul (2001), além do título de Conselheira Benemérita do Movimento Tradicionalista Gaúcho (2001). Recebeu ainda o Prêmio Fernando Pessoa do Instituto Cultural Português (2004), a Medalha Barbosa Lessa do Movimento Tradicionalista Gaúcho (2004) e o Troféu Imortais do festival Rio Grande Canta Açores (2005), última homenagem recebida em vida. Após seu falecimento, foi agraciada post mortem com o Diploma e a Medalha Brasileira Folclorista Emérito, concedidos pela Comissão Nacional de Folclore em 2006.

Pelo conjunto de sua produção intelectual e pela dedicação à pesquisa das tradições populares, Lilian Argentina Braga Marques consolidou-se como uma das principais pesquisadoras do folclore gaúcho, deixando importante contribuição para a preservação da identidade cultural e da memória histórica do Rio Grande do Sul e é, por isso, Patrona da Cadeira nº 5 da Academia de Escritores do Litoral Norte (AELN).