Ser normal

Por Artur Pereira dos Santos

O conceito de normalidade nunca me soou tão estranho quando a atendente da farmácia perguntou se o meu nome era normal. Entendi de pronto o que ela queria dizer e disse que sim, que era bem normal, tanto que eu o possuía há setenta e três anos e ninguém havia contestado, nem mesmo o escrivão quando perguntou ao meu pai na hora do registro, senão o meu velho teria me contado. Ela sorriu, entendeu a brincadeira e corrigiu a pergunta, – seu nome é escrito com ou sem (h) agá?

Expliquei-lhe que só conhecia, além de mim, outro exemplar que ainda mantinham o nome com se escrevia antigamente. Que tinha três sobrinhos netos, não, sobrinhos bisnetos, com este nome, mas que eu havia avisado a seus pais: Querem colocar este nome coloquem, mas avisem a eles que sempre serão perguntados se seus nomes são com ou sem agá, até que sejamos meu mestre de marcenaria e eu, completamente extintos da face da terra, e as atendentes sejam jovens.  Eventualmente, se forem atendidos por alguém de idade avançada, poderão ainda ser inquiridos se seus nomes são normais.

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