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Sem comentario Moacyr Scliar morre aos 73 anos
Morreu na madrugada deste domingo o escritor gaúcho Moacyr Scliar, 73 anos, de falência múltipla de órgãos. Ele sofreu um acidente vascular cerebral isquêmico (AVC ) em 16 de janeiro, enquanto se recuperava de uma cirurgia no intestino, e desde então estava internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. O velório deve ocorrer no salão Júlio de Castilhos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, a partir das 14 horas, e o sepultamento será na segunda-feira, em cerimônia reservada a familiares e amigos.
Um dia após diagnosticado o AVC, Scliar sofreu uma cirurgia para retirada de coágulo decorrente do acidente, passando a ser mantido com um mínimo de sedação necessária. O escritor passava pela retirada gradual da sedação quando, no dia 9 de fevereiro, apresentou um quadro de infecção respiratória, voltando então a ser sedado e a respirar por aparelhos.
Vida – Moacyr Jaime Scliar nasceu em 23 de março de 1937, em Porto Alegre – seus pais, José e Sara Scliar, de origem russa, chegaram ao Brasil em 1904. Scliar formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sendo especialista em Saúde Pública e Doutor em Ciências pela Escola Nacional de Saúde Pública. Casou-se com Judith, com quem teve um filho, Roberto.
Autor de mais de 70 livros e eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL) em 2003, Scliar publicou sua primeira obra, Histórias de um Médico em Formação, em 1962. Recebeu diversos prêmios ao longo de sua carreira, sendo o último, o Jabuti, por Manual da Paixão Solitária, em 2009. Seus livros estão traduzidos em doze idiomas. Entre suas obras mais importantes estão O Ciclo das Águas, A Estranha Nação de Rafael Mendes, O Exército de um Homem Só e O Centauro no Jardim.
Fonte: Veja On-line, 27.02.2011.


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Aos 73 anos, o porto-alegrense Moacyr Jaime Scliar havia construído uma obra sólida, com mais de um livro publicado para cada ano de vida, em uma ampla gama de gêneros: contos, romances, literatura infanto-juvenil, ensaios. Além disso, era colunista frequente de uma dezena de publicações, de jornais diários como Zero Hora e Folha de S. Paulo a revistas técnicas. Escrevia em qualquer lugar a qualquer hora, auxiliado pela tecnologia – jamais viajava sem seu laptop. Tal dedicação à palavra e ao ofício que exercia com evidente prazer transformaram Scliar em um dos autores mais respeitados do Brasil.
Scliar morreu no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, onde estava internado desde 11 de janeiro. O escritor havia sido admitido no hospital para a retirada de pólipos (formações benignas) no intestino. A cirurgia, simples, havia transcorrido sem complicações. Scliar já se recuperava quando sofreu um AVC – obstrução de uma artéria que irriga o cérebro – de extrema gravidade.
Scliar nasceu em 1937, no bairro judaico do Bom Fim, em Porto Alegre, filho de José e Sara Scliar – a mãe, professora primária, seria a grande responsável pela paixão do escritor pelas letras: foi ela quem o alfabetizou. Formado médico sanitarista pela UFRGS, ingressou na profissão em 1962. Casado com Judith, professora, e pai do fotógrafo Roberto, Scliar havia também passado pela experiência de professor visitante em universidades estrangeiras e tinha obras traduzidas em uma dezena de idiomas, entre elas o russo e o hebraico. O trabalho como médico de saúde pública seria crucial na vida e na obra de Scliar – seu primeiro livro, publicado em 1962, foi uma coletânea de contos inspirados pela prática médica, Histórias de Médico em Formação, volume que mais tarde Scliar excluiria de sua bibliografia oficial por considerá-lo a obra prematura de um autor que ainda não estava pronto.
Nos seus livros seguintes, Scliar jamais se permitiria outra publicação prematura. Do mesmo modo como escrevia com velocidade e prazer, Scliar também revisava obsessivamente o próprio texto, a ponto de às vezes reescrever uma obra do zero por ter encontrado um ponto de vista narrativo mais adequado.
— Se o escritor não tiver prazer escrevendo, o leitor também não terá — comentou em uma entrevista concedida quando completou 70 anos, em 2007.
Fonte: Texto de Zero Hora On-line, 27.02.2011.