Crônicas, Fragmentos Literários
Sem comentario Quem compra livros? Quem lê livros?
Quem compra livros? Quem lê livros?
Por Mariza Simon
Que pergunta estranha! Grandes autores apresentam grandes vendagens. Saramago foi um deles, assim como tantos outros. Mas certamente não foi um dos mais lidos. A razão é que Saramago é um escritor difícil, penetrante. Coloca questionamentos, dúvidas existenciais. Propõem problemas para o leitor, especialmente o problema da forma.Certamente, vendeu muito mas foi pouco lido por se tratar de um autor filosófico.
A maioria do leitor brasileiro só alcança o nível dos autores de entretenimento, de autoajuda ou curiosidades. Livros de conhecimento, de pesquisa, de história, livros que induzam à reflexão e à questionamentos mais complexos interessam a poucos..
Por que a maioria de compradores de livros não consegue ler autores de maior amplitude e complexidade? Falta de interesse?
Acredito que existam algumas respostas. Uma delas : o nível da educação é baixo e a cultura, de maneira geral, é limitada. Neste sentido, a filosofia morreu. A arte de interpelar o mundo, as angústias do nosso tempo, o conhecimento interior, tudo isto foi suplantado pela crença do presente, do aqui e agora.
O mundo da cultura (arte, ciência, política, hábitos, idéias) melhorou e avançou muito. Temos a informação científica e os avanços da ciência no nosso cotidiano,a produção artística se desenvolveu, direitos humanos e política estão avançando bem mais que há 50 anos atrás, a sociedade se expandiu quantitativamente mas não qualitativamente.
Por que pioramos culturalmente? Penso, porque a filosofia desapareceu.Filosofia- no sentido do questionamento sistemático do mundo e do eu. Esta é a razão dos livros mais elaborados pouco serem lidos e comentados; muitos deles relegados às páginas de variedades de jornais e revistas, de maneira geral.
Vivemos a cultura do presente e o que interessa é a posse material e não o conhecimento, tão necessário para que as pessoas reflitam e se conheçam, pois, seguramente, vivemos à sombra do passado.