out 11, 2010 - Poemas    Sem comentario

Infantilizar

Infantilizar

Por Ulda Melo 

 

Infância
castelo de areia
lago com canto
de sereia.

Pássaro que gorjeia
estridente com
ecos pelos ares,
no chão prende
o cheiro dos tênis
que guarda encardidos
pares de meias.

 

Infância
dos heróis
imbatíveis
intransponíveis
figuras
paradas em
movimentos
atiçando vidas
a criaturas de
meus inventos.

Este sou eu
salvo
luto
mato
faço de conta:
criança não apronta…

Só fomenta o que inventa.

 

Tempo
nesta jornada
é quase nada,
minutos…

Segundos
as batalhas
são horas
em dias
ao chamado da mãe
por vezes bruxa
e fada
acordo em pesadelo
do sonho que vivia.

 Infância
grilo falante
miniatura
em gente
forma inconstante
formula que
transforma essa
imaginação
mutante. 

Meu corpo
não cabe mais em mim
cresço
torno – me assim,
desajeitado
gigante
anão viajante
do adulto
que prolonga
o meu fim.

Nasço
renasço
neste
naquele
espaço
contrasto
no espelho.
Com o fedelho
que o
tempo arrasta
criando linhas
na imagem que
eu tinha. 

Tento a todo
momento
reter esse tempo
gritando ao
vento
palavras que
saem da boca
banguela
abrindo a cancela. 

No adulto
infantilizado,
que mistura
presente
futuro
passado.
 

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